quinta-feira, 28 de abril de 2011

Na Câmara, líderes divergem sobre dois pontos do novo Código Florestal

A uma semana do prazo estipulado pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), para votar o projeto do novo Código Florestal, integrantes do governo e do Legislativo continuam sem chegar a um consenso em pelo menos dois pontos do texto elaborado pelo relator Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Os dois pontos de divergência são a obrigatoriedade da reserva legal em pequenas propriedades, de até quatro módulos fiscais, e a reivindicação dos trabalhadores da agricultura de ter reduzida pela metade a área de preservação permanente da margem dos rios.

Na tarde desta terça-feira (26), líderes da Câmara se reuniram com os ministros Wagner Rossi (Agricultura), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) no gabinete do presidente da Câmara e voltaram a debater os impasses em torno do texto.

Segundo o relator do projeto, os integrantes do Executivo apresentaram nove sugestões ao texto, das quais duas ainda permanecem sem acordo.

“O governo apresentou nove sugestões. A maioria delas já está praticamente incorporada [ao projeto]. As outras nós estamos procurando uma redação adequada e duas nós estamos buscando o caminho do consenso e do acordo. É quanto a obrigatoriedade da reserva legal na pequena propriedade, até quatro módulos, e a reivindicação dos trabalhadores da agricultura de ter reduzida pela metade a área de preservação permanente da margem dos rios, autorizada pelo órgão ambiental”, explicou Rebelo.

Para o próprio relator, o debate está evoluindo para a votação no próximo dia 4 de maio. “Isso aqui [o texto do projeto] é que nem vestido de noiva: a cada prova tem de fazer um ajuste. Uma hora teremos de fazer o casamento [votar o novo código florestal]. Temos tempo de sobra para solucionar o impasse. 15 a 20 minutos de uma boa conversa é o suficiente para resolver dois pontos aparentemente controversos”, afirmou Rebelo.

O governo espera que a votação da reforma do Código Florestal ocorra durante as sessões da próxima terça e quarta-feira. Para viabilizar a análise dos parlamentares e a eventual apresentação de novas sugestões, o relator do projeto prometeu entregar o texto concluído, com todas as sugestões – acordadas ou não com o governo – na próxima segunda. Rebelo prometeu equilíbrio no texto final da proposta: “O projeto não será nem mais ambientalista nem mais ruralista. Não há solução incorporando apenas uma visão da questão.”

Adotando o mesmo discurso que o relator, o presidente da Câmara, Marco Maia, afirmou que a possibilidade de acordo em torno do texto do novo código já é de 98%. Maia disse que espera receber um relatório “equilibrado” das mãos de Rebelo: “Temos 98% de acordo e a votação está mantida para a próxima semana. Esperamos que o relator entregue o relatório mais equilibrado possível.”

Embora a reunião no gabinete do presidente da Câmara tenha terminado com indefinições, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, deixou o Congresso afirmando que o encontro representou “um grande avanço” no diálogo entre governo e Parlamento. Para o ministro, o debate permitiu aos líderes políticos encontrar caminhos para chegar ao consenso.

Para o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), apostou na flexibilidade do relator, Aldo Rebelo, na hora de analisar as sugestões do Planalto que ainda geram divergência na Casa. “As divergências existentes não são de grande monta. Então, acho que vamos ter um bom debate na votação da próxima semana”, avaliou Vaccarezza. (Fonte: Robson Bonin/ G1)

Cientistas criticam pressa em votação de Código Florestal

As principais entidades científicas do país pediram, na segunda-feira (26), que o governo adie a votação da reforma no Código Florestal e passe os próximos dois anos em um “diálogo com a sociedade” sobre a melhor forma de mudar a lei.

Enquanto isso, a execução do decreto que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais, e que multará a partir de junho quem desmatou além do permitido hoje, seria adiada.

Representantes da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e da ABC (Academia Brasileira de Ciências) disseram na segunda-feira que propostas do texto do deputado Aldo Rebelo, como a redução das áreas de mata em algumas margens de rio de 30 para 15 metros, não se sustentam cientificamente.

Eles lançaram em Brasília seu aguardado relatório sobre as bases científicas da legislação florestal.

O livro “O Código Florestal e a Ciência: Contribuições para o Diálogo” é produto da revisão de 300 artigos científicos sobre agricultura, biodiversidade, solos e clima.

Redigido por 12 pesquisadores de instituições como Embrapa, USP, Inpe e Unicamp, é a avaliação mais completa feita no Brasil sobre o tema até agora.

Ela chega tarde, num momento em que o governo já decidiu que o debate sobre o código será encerrado neste semestre. A presidente da SBPC, Helena Nader, culpa o rigor do processo de revisão científica pela demora.

Os cientistas reconhecem que a lei florestal precisa ser atualizada e que existe necessidade de expansão da agropecuária. “É preciso dobrar ou triplicar a produção agropecuária no mundo, e o Brasil vai ser um dos grandes responsáveis por isso”, disse Elíbio Rech, da Embrapa, representante da ABC.

O texto, porém, faz crítica à redução das chamadas Áreas de Preservação Permanente (APPs). “Os estudos não suportam [a diminuição das APPs], é diferente de os cientistas serem contra”, disse Antônio Nobre, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Segundo o relatório, a proteção que a lei atual confere às APPs já é insuficiente.

Radar de brejo - O documento da SBPC e da ABC traz também novidades sobre as APPs. Estimou pela primeira vez quanto das áreas privadas está coberto por essas matas nativas: o valor é 7%, e não 23% como estudos anteriores estimaram.

A questão das APPs é uma das mais sensíveis porque, se a lei atual fosse seguida ao pé da letra, áreas usadas para o plantio de café ou de uva há décadas, em topos de morros, teriam de ser abandonadas, o que leva os ruralistas a pedir mais flexibilidade.

Os cientistas defendem mais eficiência, e não o uso de mais terras. Somente retornando a produtividade da pecuária aos níveis da década de 1940 (2,56 cabeças por hectare, contra 0,93 hoje) seria possível liberar uma grande área para a agricultura.

Os pesquisadores também usaram pela primeira vez imagens de radar combinadas a modelos matemáticos para definir, em regiões-piloto, as áreas com aptidão para uso agrícola e as áreas frágeis, que precisariam ser preservadas, como brejos.

Segundo Nobre, aplicar esse tipo de tecnologia elimina arbitrariedades legais no código. Porém, fazer isso para todo o Brasil exigiria um prazo incompatível com a agenda de votação do código no plenário da Câmara.

O presidente da Câmara, Marco Maia, disse na segunda-feira (26) que está mantida a data de votação do texto de Rebelo nos dias 3 e 4. “É praticamente consensual.” Rebelo já afirmou que vai receber o documento dos cientistas e “confrontar a pesquisa com outras opiniões” antes da votação. (Fonte: Claudio Angelo/ Folha.com)

Cientistas criam células-tronco neurais a partir de embrionárias

Um artigo científico divulgado na segunda-feira (25) mostra como cientistas norte-americanos conseguiram criar células-tronco do sistema nervoso a partir de células embrionárias. A pesquisa foi explicada em uma publicação da Academia de Ciências dos Estados Unidos (NAS, na sigla em inglês) e foi conduzida por equipes da Universidade da Califórnia, em San Diego, e dos Institutos Gladstone, em São Francisco.

A vantagem do método desenvolvido pelos cientistas norte-americanos está no fato das células-tronco neurais obtidas serem duráveis e estáveis, o que pode permitir, no futuro, a aplicação dessas estruturas em testes clínicos.

Para Kang Zhang, professor de oftalmologia e genética humana da universidade e um dos responsáveis pelo estudo, outra virtude da nova técnica está no número de células-tronco neurais geradas – milhões em menos de uma semana.

O método desenvolvido pelos pesquisadores californianos também não apresenta um problema comum em pesquisas com células-tronco: a formação de tumores.

A pesquisa com células-tronco embrionárias é uma promessa para a medicina regenerativa pela possibilidade de recuperação de tecidos e até órgãos inteiros. Mas as técnicas atuais não são seguras para gerar um número suficiente de células estáveis, aptas para uso em tratamentos para humanos.

O trabalho da equipe de Gladstone agora será focado no tratamento de doenças oculares ligadas a problemas em células neurais como o glaucoma – lesão do nervo óptico que causa, com o tempo, perda da visão – e a degeneração macular (quando a mácula, região central da retina, é afetada). (Fonte: G1)

Espécies pouco conhecidas de peixes foram encontradas na BA

Os pesquisadores do projeto Tamar testavam anzóis que ajudam a preservar as tartarugas marinhas e sem querer, fizeram uma descoberta. Animais que vivem nas águas geladas dos extremos do planeta passam pelo litoral baiano.

O oceanógrafo Guy Marcovaldi conta por onde passam os peixes. “Lá pelos mil metros a água tem em média uns seis graus, então os animais inusitados da Antártida e da Groelândia que vivem aqui também, passam e migram de um lado para o outro”, diz.

Dourados, tubarões famintos e grupo de baleias, transitam na mesma rota de espécies pouco conhecidas. O peixe sol, que pesa 200 quilos e diversos animais estranhos foram capturados vivos e foram levados para a base do Tamar em Praia do Forte. 

Eles passaram a viver em um ambiente escuro e frio, preparado especialmente para eles. O peixe parecido com a moreia é um dos abutres dos mares, se alimenta de animais mortos. Para os pesquisadores foi uma surpresa descobrir que animais de grandes profundidades conseguem viver em ambientes de pouco espaço.

Mais surpreendente ainda foi o que aconteceu em um aquário ocupado por um casal de tubarões. A fêmea acabou de dar a luz. O filhote tem pouco mais de cinco centímetros e em breve deve ganhar novos irmãos.

O casal foi capturado há mais de 700 metros de profundidade. Da família dos tubarões, é o menor já visto até agora. Mede meio metro de comprimento e pesa dois quilos. De acordo com os biólogos do Tamar, essa é uma espécie que ainda não foi identificada. (Fonte: G1)

Mesmo com câncer, menino de 6 anos se dedica a salvar os pinguins

Um garoto americano de 6 anos que leu sobre pinguins ameaçados enquanto fazia tratamento contra câncer está arrecadando dinheiro para ajudar a salvar a espécie. Aghelos Kouvaras já levantou US$ 3.000 em doações com ajuda de pessoas de sua comunidade.

O garoto é aluno da 1ª série numa escola primária em Port Washington, estado de Long Island, nos EUA. Ele terminou recentemente seu tratamento quimioterápico, após ter um tumor diagnosticado em seu abdômen em setembro do ano passado. “No hospital, perguntei se ele tinha um desejo, se havia algo que queria “, conta Elizabeth Kouvaras, mãe de Anghelos. “Ele disse que queria salvar pingüins. ‘O que vamos fazer sem os animais?’, ele perguntou.”

O garoto vai participar de uma corrida beneficente que uma organização de conservação da vida selvagem realizará em Nova York, no dia 30. (Fonte: Globo Natureza)

Insuficiência renal pode ser revertida com dieta rica em gordura, diz estudo

Uma dieta rica em gordura e com poucos carboidratos pode reverter a insuficiência renal em camundongos com diabetes, segundo um estudo realizado por cientistas norte-americanos.
Na pesquisa, divulgada na publicação científica “PLoS ONE”, os cientistas da Mount Sinai School of Medicine, de Nova York, analisaram os efeitos de uma dieta composta de 87% de gorduras sobre um grupo de camundongos com predisposição a ter os tipos 1 e 2 de diabetes.

O excesso de açúcar no sangue nos diabéticos pode provocar danos nos rins, gerando um quadro de insuficiência renal. As cobaias foram divididas em dois grupos. Quando a insuficiência renal se manifestou, metade delas passou a receber uma dieta normal e a outra, a dieta com muita gordura.

Depois de oito semanas, os cientistas notaram que os danos nos rins dos roedores haviam sido revertidos. Médicos e nutricionistas alertam que a dieta rica em gordura, que reproduz os efeitos da inanição, não deve ser realizada sem acompanhamento médico.

Dúvidas – “O nosso estudo é o primeiro a demonstrar que uma intervenção por meio de dieta por si só é suficiente para reverter esta complicação grave da diabetes”, afirmou o professor Charles Mobbs, que liderou a pesquisa.

“Eu certamente acho que (a pesquisa) traz uma esperança, mas eu não posso recomendá-la até que tenhamos feito testes clínicos”, completou.

O diretor de pesquisas da entidade britânica Diabetes UK, que combate a doença, levantou dúvidas sobre o estudo, questionando a capacidade de humanos conseguirem manter esta dieta de forma saudável.

“Esta pesquisa foi conduzida com camundongos, então é difícil ver se estes resultados se traduziriam em benefícios reais para pessoas com diabetes neste estágio”, afirmou.

“É muito simples dizer que insuficiência renal pode ser prevenida somente com dieta, e também é questionável se a dieta utilizada neste caso seria sustentável por humanos, mesmo no curto prazo.”

De acordo com números de 2007, citados pelo Ministério da Saúde, a doença de diabetes afeta mais de 6,3 milhões de brasileiros ou 5,2% da população adulta. (Fonte: G1)

China prevê construção de estação espacial até 2020

O programa espacial chinês prevê construir até 2020 uma estação espacial de 60 toneladas e três módulos, uma principal e duas nas quais serão realizadas experiências, informou nesta terça-feira (26) o diário oficial China Daily.

O módulo principal será o primeiro a ser posto em órbita, com 18,1 metros de comprimento, diâmetro máximo de 4,2 metros e peso de 20 a 22 toneladas, enquanto os outros terão 14,4 metros de comprimento e o mesmo peso e diâmetro que o primeiro. O programa espacial também inclui a fabricação de uma nave de carga de cerca de 13 toneladas de peso para transportar provisões e material de laboratório.

Segundo os responsáveis do programa espacial, a população poderá sugerir nomes para a nave e a estação, assim como símbolos para adornar esta última. Wang Wenbao, diretor do departamento encarregado do programa espacial, assinalou que a participação do público na escolha do nome “reforçará a sensação nacional de coesão e orgulho”.

Segundo o porta-voz do programa, Wang Zhaoyao, o desenvolvimento da tecnologia necessária para garantir missões de pelo menos 20 dias no espaço e para o transporte de provisões é um dos objetivos principais para os próximos cinco anos, dentro do Plano Quinquenal 2011-2015 do gigante asiático. (Fonte: Portal iG)

Política ambiental brasileira está no rumo da economia verde

Em audiência pública realizada nesta terça-feira (26) no Senado Federal, em Brasília, para tratar de temas como a importância da Conferência Rio+20 e Desenvolvimento Sustentável, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Francisco Gaetani, disse que a política ambiental do País está sendo consolidada por uma estratégia rumo à economia verde.
Gaetani falou que a construção deste “novo paradigma” depende de um federalismo corporativo, em que os diferentes níveis do governo devem estar integrados em estratégias convergentes e adequadas, que coloquem a questão ambiental como cerne dos planejamentos de desenvolvimento econômico.

“Estamos nos articulando para que a temática ambiental seja assumida não apenas como um problema ou desafio do MMA, mas de toda a sociedade e de todas as instâncias do governo. O País é hoje uma potência ambiental, com destaque em biodiversidade, potencial alternativo para geração de energia, produção de alimentos e reservas de águas naturais. Estas características nos atribuem novas responsabilidades rumo a uma economia verde, que prevê o desenvolvimento em moldes sustentáveis, de forma a garantir recursos naturais para as futuras gerações. A tendência de transformar as economias do mundo em economias verdes proporciona novas oportunidades, que beneficiam uma nação ambiental como a nossa”, afirmou o secretário.

Ele ressaltou a importância de o Brasil ser o país anfitrião de três eventos de repercussão mundial – Copa do Mundo, Olimpíadas e Rio+20-, todos com implicações ambientais. Lembrou ainda o desafio brasileiro de integrar prioridades como crescimento, integração social, incorporação de diferentes camadas da sociedade ao consumo e acesso a serviços, desenvolvimento econômico e de infra-estrutura.

Já o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, um dos maiores especialistas em economia verde do mundo, disse que existe muita expectativa sobre o Brasil em relação à Rio+20. “Acreditamos que o Brasil pode aprimorar sua capacidade de liderar, negociar e inspirar o modelo de pensamento que deve estar presente nas negociações relativas ao desenvolvimento sustentável das nações, bem como as decisões que vão determinar as novas estratégias para o sistema climático”.

Ele falou sobre a oportunidade de aproveitamento dos eventos esportivos mundiais e da conferência para promover transições internas na economia e em uma infra-estrutura verde no País. De acordo com Steiner, nos próximos 40 anos poderemos ter cerca de 9 bilhões de pessoas no planeta, e por isso as economias devem promover mais igualdade e garantir recursos naturais para as próximas gerações, pensando em questões como segurança alimentar, acesso à água e geração e eficiência energética.

“Nós estamos agora aptos para influenciar todo o sistema climático por meio de nossas governanças, escolhas e planejamentos para o futuro, e temos que criar e influenciar novos ciclos, econômicos e sociais, que não deteriorem ainda mais o clima do planeta”, afirmou.

O diretor do Pnuma avaliou que, 20 anos após a organização da Rio-92, todo o mundo ainda tem entraves que foram provocados pelo domínio econômico e político, e que por isso os avanços ambientais não foram tão significativos. “A economia verde prevê eficiência e sustentabilidade nas iniciativas, e a legislação de cada nação pode contribuir muito para isso”.
Já o senador Rodrigo Rollemberg, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Defesa do Consumidor do Senado, disse que a Rio + 20 exige novos comportamentos dos países diante dos desafios climáticos. “Temos que ter a noção de que a sustentabilidade não é apenas o uso adequado dos recursos e o progresso, mas o equilíbrio harmônico entre pilares que vão permitir o desenvolvimento a longo prazo”.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty, ministro Luiz Alberto Figueiredo, ressaltou que a Rio+20 é uma conferência sobre desenvolvimento, e não apenas de caráter ambiental, que vai tratar de temas como economia verde no contexto da sustentabilidade, erradicação da pobreza e governança para um avanço econômico sustentável. (Fonte: Carine Corrêa/ MMA)

Geração de lixo em 2010 foi seis vezes superior ao crescimento da população

O Brasil produziu 60,8 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2010, quantia 6,8% superior ao registrado em 2009 e seis vezes superior ao índice de crescimento populacional urbano apurado no mesmo período.

Os dados, divulgados nesta terça-feira (26), são do Panorama dos Resíduos Sólidos, estudo feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). O levantamento aponta que a média de lixo gerado por pessoa no país foi de 378 quilos (kg), montante 5,3% superior ao de 2009 (359 kg).

Mesmo com o aumento da geração de resíduos, o crescimento da coleta de lixo apresentou crescimento expressivo, superior à geração. Em 2010, das 60,8 milhões de toneladas geradas, 54,1 milhões de toneladas foram coletadas, quantidade 7,7% superior à de 2009.

O levantamento identifica ainda uma melhora na destinação final dos resíduos sólidos urbanos: 57,6% do total coletado tiveram destinação adequada, sendo encaminhados a aterros sanitários, ante um índice de 56,8% no ano de 2009.

Mesmo assim, a quantidade de resíduos encaminhados a lixões ainda permanece alta. “Quase 23 milhões de toneladas de resíduos seguiram para os lixões, em comparação a 21 milhões de toneladas em 2009”, afirmou o diretor executivo da Abrelpe, Carlos Silva Filho.

Em relação à reciclagem, o estudo mostra tendência de crescimento, mas em ritmo menor ao da geração de lixo. Em 2010, 57,6% dos municípios brasileiros afirmaram ter iniciativas de coleta seletiva, ante 56,6% em 2009. “É importante considerar que, em muitos casos, as iniciativas resumem-se à disponibilização de pontos de entrega voluntária”, ressaltou o diretor. (Fonte: Bruno Bocchini/ Agência Brasil)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Nasa usará tecnologia espacial para ajudar países em desenvolvimento


A Nasa e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) assinaram um acordo nesta segunda-feira (25) para ampliar a aliança bilateral e ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar desafios como segurança alimentar, fontes de energia e mudança climática.
O memorando, que terá cinco anos de duração, formaliza a colaboração em curso para utilizar os dados fornecidos pela agência espacial americana, com o objetivo de minimizar os riscos de catástrofes naturais e facilitar a resposta humanitária nos países em desenvolvimento.
O acordo também prevê a aplicação conjunta de tecnologias geoespaciais para resolver os problemas que dificultam o desenvolvimento desses países. “As tecnologias utilizadas nas missões da Nasa melhoraram muito a vida na Terra”, afirma em comunicado o diretor da agência espacial, Charles Bolden.
“Quando exploramos o espaço, também exploramos soluções para os problemas de saúde, nutrição e segurança, que são desafios nos países em desenvolvimento”, assinala a nota.
“Junto com a Usaid, conseguiremos um desenvolvimento inclusive mais sustentável para os problemas aqui na Terra, resolvendo problemas para toda a comunidade internacional”, acrescenta.
Já segundo o diretor da Usaid, Rajiv Shah, o uso de dados sobre as ciências da Terra e as novas tecnologias serão um avanço para a agência de desenvolvimento. “Mediante nossa associação com a Nasa, podemos aplicar a última tecnologia para oferecer dados importantes às populações dos países em desenvolvimento em áreas como saúde, segurança alimentar e água”, destacou.
Shah ressaltou que este é “um excelente exemplo de nossos esforços para utilizar o poder da ciência e da tecnologia com o objetivo de abordar o desenvolvimento dos desafios atuais”.
Desde 2003, a Nasa e a Usaid trabalham conjuntamente por meio do programa Servir, que permite aos países em desenvolvimento utilizar os dados que a Nasa obtém da Terra para enfrentar problemas agrícolas, melhorar a resposta a desastres naturais e as previsões climáticas. (Fonte: Portal iG)

Em nome da flora nativa, reservas se rendem a agrotóxico


Ameaçadas por pragas, reservas ecológicas no país estão fazendo testes com agrotóxicos com o objetivo de garantir a sobrevivência de espécies nativas.
A ideia é combater plantas exóticas e invasoras, como a braquiária, um tipo de capim usado em áreas de criação de gado que ameaça o crescimento de outros vegetais.
O estudo mais recente ocorre no Parque Nacional das Emas, em Goiás. A unidade, com área equivalente a 132 mil campos de futebol, registra a presença de cinco espécies de plantas invasoras.
“É uma situação grave, já que as espécies exóticas ameaçam a diversidade”, afirma o diretor do parque, Marcos Cunha.
As primeiras aplicações de glifosato, ainda em nível experimental, começaram neste mês, depois de tentativas com várias outras técnicas, sem sucesso.
O contato com o produto, porém, ainda está restrito ao entorno do parque. “Estamos analisando os resultados para depois utilizar no interior, se necessário”, afirma.
Autorização - A iniciativa, ainda tímida no Brasil, já é aplicada em outros países.
A Monsanto, uma das maiores fabricantes mundiais de herbicida, doa glifosato desde 2005 à reserva ecológica de Galápagos, arquipélago equatoriano onde Charles Darwin (1809-1882) fez parte de seus estudos.
No Brasil, outras unidades federais de conservação que fazem pesquisas semelhantes são a Floresta Nacional de Bom Futuro, em Rondônia, e os parques Aparados da Serra e da Serra Geral, na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“Simplesmente cortar [o capim] não resolve”, diz o chefe do parque de Aparados da Serra, Deonir Zimmerman, que luta contra a braquiária há 12 anos.
Reservas estaduais do Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo também possuem estudos avançados com herbicidas para o combate de espécies exóticas, segundo a ONG Instituto Hórus, que participa de projetos nesses locais.
Uma portaria do Ibama de maio de 2010 autoriza pesquisas com até três tipos de agrotóxicos em florestas nativas, desde que estejam em situação de emergência –e com possibilidade de cancelar a autorização em caso de contaminação.
Em muitas unidades nacionais, no entanto, segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes), o plano de manejo sequer considera o uso desses herbicidas.
Silvia Ziller, do Instituto Hórus, afirma que os produtos são uma alternativa mais barata, eficiente e com menor impacto ambiental do que deixar espécies como a braquiária se propagarem.
O maior problema, segundo ela, é o risco de incêndio agravado pelo capim. “Se antes o cerrado pegava fogo a cada cinco anos, agora isso acontece em todos eles”, diz.
Divisão – A ideia de mudar aplicar agrotóxicos em parques do país ainda provoca desconfiança entre ambientalistas e pesquisadores.
Os próprios diretores das reservas reconhecem que o produto pode sim afetar as espécies nativas.
Em 2007, uma pesquisa da USP mostrou que um agrotóxico aplicado nas cerca de 40 lavouras do entorno do Parque das Emas contaminava aves ameaçadas de extinção.
Uma liminar chegou a suspender em 2008 o uso de alguns agrotóxicos em uma faixa de até 2 km ao redor do parque. A decisão, no entanto, referia-se aos tipos mais tóxicos dos produtos, como inseticidas, e foi suspensa meses depois.
O pesquisador Sady Valdes, responsável pelo estudo na época, diz que a aplicação de herbicidas pode até “mudar a paisagem do cerrado”.
Para a engenheira agrônoma Ana Maria Junqueira, que estuda métodos alternativos aos agrotóxicos, produtos como herbicidas trazem riscos de contaminação também ao ser humano.
Segundo ela, uma alternativa pode ser a aplicação tópica, em que o produto é usado apenas no local onde há a ameaça. Mesmo assim, ela diz que os órgãos ambientais precisam ficar atentos para, a partir disso, não perder o controle sobre o uso desses produtos. (Fonte: Natália Cancian/ Folha.com)

Cientistas pedem adiamento da votação do novo Código Florestal


Entidades que reúnem cientistas e acadêmicos de diversas áreas pediram nesta segunda-feira (25) o adiamento da votação sobre o novo Código Florestal, previsto para ir à pauta de votações do plenário da Câmara no começo da semana que vem.
De acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), não há “fundamento científico” nas mudanças propostas na legislação. Para as entidades, seria uma “tragédia” a votação na semana que vem com o texto como está.
“Será uma tragédia para sociedade brasileira. Espero que não seja votado. Nós estamos aqui trazendo a visão de 96 sociedades científicas, a elite da ciência brasileira. O que nós gostaríamos é de poder continuar contribuindo trazendo dados para a implementação de um código moderno, e não um documento que os dados da ciência mostram que está furado, está errado”, disse Helena Nader, presidente da SBPC, durante lançamento do estudo “O Código Florestal e a Ciência – Contribuições sobre o diálogo”, em um hotel de Brasília.
O G1 procurou a assessoria do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), relator do projeto na Câmara, mas ele não respondeu. Em entrevista ao G1 na semana passada, Rebelo disse que o Código é “uma tentativa de equilibrar a defesa do meio ambiente com a produção agrícola”.
De acordo com as entidades, o estudo apresentado nesta segunda foi finalizado na última quarta-feira (20) e é resultado de dez meses de discussão, que se iniciou durante o debate do código em comissão especial da Câmara, no ano passado.
Para o pesquisador Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que participou do grupo de trabalho da SBPC sobre o código, seriam necessários mais dois anos de discussão para se chegar a um texto adequado para o novo Código. “Acredito que a ciência pode ajudar nesse debate.”
Ele diz que a proposta de liberar plantio em topo de morro é “extremamente irresponsável”. “As pessoas se esquecem que no Rio morreram mil e tantas pessoas em deslizamentos e está se pensando em tirar a proteção de topo de morro.”
Nobre também criticou a proposta de reduzir a Área de Preservação Permanente” nos casos de rios menores de 30 metros para 15 metros. Ele diz que atualmente a área de APP representa 7% das propriedades privadas. Com a mudança, passaria para 5%. “O argumento não se suporta diante de evidências numéricas. (…) O estudo mostra que o que está sendo proposto não tem fundamento científico”.
Elibio Leopoldo Rech Filho, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que faz parte do grupo de trabalho, diz que as entidades “não são contra nem a favor”. “Só colocamos evidências que mostram que é preciso mais tempo para que o novo código esteja a altura de ser votado.”
Ponto de discórdia – O coordenador do grupo de trabalho que estudou as mudanças no Código Florestal, José Antonio Aleixo da Silva, também criticou a defesa do relator pela isenção de reserva legal para pequenos produtores com propriedades de até quatro módulos fiscais. “Vai ser uma confusão sem fim. Existem cidades grudadas em que os módulos fiscais são diferentes.”
Nesse ponto não há consenso nem no próprio governo, segundo o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.
(Fonte: Mariana Oliveira/ G1)

Caçada neozelandesa abate 23 mil “coelhos da Páscoa”


Uma caçada anual em uma comunidade rural da Nova Zelândia abateu, em sua 20ª edição, 22.904 “coelhos da Páscoa” apesar das críticas dos defensores dos animais, informou nesta segunda-feira (25) a imprensa local.
A “Grande Caçada do Coelho da Páscoa” é um evento organizado a cada ano para ajudar os granjeiros da região de Otago, sul da Nova Zelândia, a combater a praga de roedores que arrasa com suas pastagens.
A denominada Brigada Beis Manada de Lobos, que matou 1.664 coelhos, venceu outras 46 equipes que participaram da disputa realizada entre sexta-feira e sábado, publicou o jornal “Otago Daily Times”.
O capitão da Brigada, Jason Gerken, disse que os 12 membros de sua equipe trabalharam durante “24 horas seguidas” em uma espécie de operação militar para poder ganhar esta competição.
A caçada recebeu as críticas do porta-voz do grupo protecionista Safe, Hans Kriek, segundo o qual o evento incita a crueldade já que muitos dos caçadores não têm experiência e participam deste tipo de massacres em um “ambiente festivo”.
Os coelhos foram introduzidos na Nova Zelândia a partir de 1830 como alimento e para fins esportivos, mas com o transcurso dos anos se transformaram em uma praga.
Os fazendeiros gastam cerca de US$ 50 mil anuais no controle de pragas, um investimento que inclui a compra de armas e munição, assim como veneno e armadilhas. (Fonte: Folha.com)

Cientistas geram hidrogênio a partir de bactérias usadas para tratar água


Um grupo de pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) desenvolveu um método para gerar hidrogênio com bactérias utilizadas no tratamento de águas negras, informou nesta segunda-feira (25) a instituição.
Os cientistas de um laboratório de pesquisa da faculdade de engenharia da Unam, liderados pelo pesquisador Germán Buitrón, aproveitaram os subprodutos do processo de tratamento da água residual para gerar energia de maneira sustentável.
A partir dos carboidratos contidos em resíduos orgânicos, muitos organismos anaeróbios podem produzir hidrogênio na ausência de luz.
No tratamento das águas por via anaeróbia (ausência de oxigênio), as bactérias do gênero clostridium degradam a matéria orgânica presente na água e geram uma mistura de metano e dióxido de carbono conhecida como biogás.
O objetivo do projeto é utilizar esse processo para produzir hidrogênio, revelou a instituição em comunicado.
“O desafio é maximizar a geração (de hidrogênio), porque as quantidades obtidas são baixas. Atualmente, estudamos como fazer com que as velocidades de produção do hidrogênio aumentem”, disse Buitrón.
O pesquisador ressaltou que “o principal interesse” no uso do hidrogênio está em “não gerar gases do efeito estufa, pois, como subproduto de sua combustão, só se produz água”, e porque “tem um alto poder calorífico”.
Segundo ele, o valor energético de um quilograma de hidrogênio é equivalente ao de 2,4 kg de metano, além de ter 2,75 vezes mais energia que os hidrocarbonetos.
Buitrón afirmou que, embora a matéria orgânica procedente das águas negras “seja talvez insuficiente para sustentar uma energia global”, este processo poderia “ajudar a compensar, de maneira substancial, os custos do tratamento de líquidos”, especialmente daqueles com altas concentrações de matéria orgânica. (Fonte: G1)

ONU quer ver malária erradicada até 2015


No Dia Mundial de Combate à Malária, a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo para que a doença seja erradicada até 2015. A cada ano, mais de 780 mil pessoas, na maioria crianças, morrem em decorrência da malária. Em uma mensagem divulgada nesta segunda-feira (25), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu aos países que se esforcem para zerar o número de mortes provocadas pela doença até 2015.
De acordo com a ONU, a distribuição de mosquiteiros com inseticida tem ajudado a salvar centenas de vidas na África Subsaariana, região com alto índice de casos de malária, mas a luta contra a doença precisa ser intensificada em todo o mundo.
De 2005 a 2009, o número de casos e mortes de malária caiu pela metade no Brasil, passando de 607.801 notificações para 306.908, conforme balanço divulgado no fim do ano passado pelo Ministério da Saúde. As mortes caíram de 122 para 58 no mesmo período.
Para o governo, a queda está relacionada à ampliação do diagnóstico e ao acesso ao tratamento. No entanto, a incidência da doença ainda é alta, principalmente nos estados da Amazônia Legal, que concentram quase a totalidade (98%) das notificações no país. Em 2009, Pará e Amazonas lideraram as estatísticas, com quase 100 mil casos cada um.
A malária é causada por um parasita transmitido pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Os sintomas são fraqueza, febre alta, calafrios e dores de cabeça e no corpo. Uma pessoa pode ser infectada várias vezes. Jovens com até 29 anos de idade, mulheres e crianças são as principais vítimas. Não há vacina contra a malária. As formas de prevenção são o uso de telas em portas e janelas, mosquiteiros com inseticida e repelentes. O tratamento dura uma semana. (Fonte: Carolina Pimentel/ Agência Brasil)

Brasil ainda enriquece no exterior 95% do urânio usado em Angra 1 e 2


Dono de uma das maiores reservas de urânio do mundo e detentor de uma tecnologia com reconhecimento internacional para produzir combustível para usinas nucleares, o Brasil continua enriquecendo no exterior cerca de 95% do urânio usado em Angra 1 e Angra 2.
“A capacidade atualmente instalada permite atender a aproximadamente 5% da demanda das centrais nucleares”, afirma Humberto Ruivo, diretor das Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pela implantação da primeira unidade de enriquecimento de urânio do país, inaugurada em 2006, em Resende (RJ), a partir de tecnologia de ultracentrifugação, desenvolvida pela Marinha.
O Brasil tem hoje apenas 3% de sua energia originada de fontes nucleares. Mas, com a expansão econômica do país e as dificuldades enfrentadas para criar mais fontes de energia renovável, esse percentual pode aumentar: o Plano Nacional de Energia prevê a construção de até oito novas usinas até 2030. Esse plano, no entanto, pode ser afetado depois que do acidente na usina nuclear de Fukushima, no Japão, após o terremoto seguido de tsunami no último dia 11 de março. Ainda não se sabe em que medida o acidente poderá influenciar no redirecionamento do programa nuclear brasileiro.
O Brasil gasta anualmente cerca de R$ 70 milhões com os serviços de conversão e de enriquecimento de urânio contratados no exterior pela INB. Os gastos com essas etapas representam cerca de 35% do custo total de fabricação do combustível nuclear.
Inicialmente prevista para 2008, a conclusão da primeira etapa do projeto, que atenderá 100% da demanda de Angra 1 e 20 % de Angra 2, já tinha sido adiada para 2012 e agora está prevista só para 2016. O custo total está estimado em R$ 545 milhões, dos quais apenas R$ 265 milhões foram investidos até o momento. Para 2011, o orçamento original de R$ 40 milhões foi contingenciado para R$ 35 milhões.
“Em função do projeto não ter sido historicamente contemplado com a integralidade dos recursos necessários, a INB está revendo o cronograma, prevendo a alocação anual média de cerca de R$ 50 milhões para os próximos 5 anos”, afirma Ruivo.
O investimento total necessário para o que todo o ciclo do combustível nuclear passe a ser feito no país em escala para atender toda a demanda das usinas nucleares brasileiras, inclusive Angra 3, está estimado em cerca de R$ 3 bilhões, com previsão de término em 2019 ou 2020. “Se os recursos planejados vierem e forem implementados, teríamos um horizonte de atingir a autossuficiência em mais 8 ou 9 anos”, diz o diretor da INB.
Segundo a INB, o prazo poderá ser reduzido caso uma nova fábrica de ultracentrífugas seja implantada durante este período e caso sejam destinados mais recursos para o programa.
O cronograma de investimentos para o Plano Plurianual (2012-2015) ainda está em fase de discussão no governo e terá que ser aprovado pelo Congresso Nacional. Atualmente, o principal projeto do governo na área é a construção da usina de Angra 3, prevista para ser concluída no final de 2015, com custo estimado em R$ 9,9 bilhões. A obra está em fase inicial e tem previsão orçamentária para o ano de R$ 1,965 bilhão.
Segurança – O engenheiro nuclear Aquilino Senra, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acredita que o acidente do Japão irá aumentar os questionamentos em torno da opção da energia nuclear. “A indústria terá que aperfeiçoar seus projetos de segurança e os planos de remoção em caso de emergência”, afirma. Segundo ele, porém, tanto o Brasil como os outros países não podem abrir mão dessa opção.
“Não tenho dúvida de que a indústria nuclear irá continuar a existir. Hoje, são 440 reatores nucleares em todo mundo, responsáveis pela geração de 17% da eletricidade do planeta. A substituição não vai ocorrer de uma hora pra outra”, afirma.
Para o presidente da Aben, o Brasil não pode abrir mão do uso de combustíveis não fósseis que geram energia em grande escala, principalmente em um cenário de aquecimento global. “Nosso potencial hidráulico se esgota a partir de 2025. Temos a vantagem de ter o urânio em grande quantidade e de dominar a tecnologia de enriquecimento, não dá para desprezar a energia nuclear como opção energética”, diz Kuramoto.
Os países do Brics, grupo formado pelos emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, divulgaram na última reunião de cúpula comunicado conjunto defendendo o uso da energia nuclear na composição da matriz energética dos países. “A cooperação internacional no desenvolvimento seguro da energia nuclear para fins pacíficos deve ter continuidade em condições de estrita observância dos pertinentes requisitos e padrões no que se refere ao desenho, construção e operação de usinas nucleares”, afirmaram.
Gastos no exterior – Embora polêmico, o enriquecimento de urânio para produção de combustível é considerado vantajoso e estratégico, porque agrega valor ao minério. Estudo recente realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a pedido do governo apontou, inclusive, a viabilidade econômica de exportação de eventual excedente da produção, ainda que a posição política, a princípio, seja de não vender as reservas.
Atualmente, duas etapas do ciclo do combustível dependem de serviços contratados no exterior. O minério utilizado em Angra 1 e 2 sai da mina de Caetité, na Bahia, na forma de um sal amarelo (yellowcake) e vai para a França, onde é purificado e convertido para o estado gasoso (hexafluoreto de urânio). Depois, segue para unidades da Urenco, consórcio europeu contratado para enriquecer o urânio, e só então volta para o Brasil, onde é transformado em pequenas pastilhas, formando o elemento combustível. Em 2010, foram enviados para o exterior 400 toneladas de urânio na forma de pó, que retornaram na forma de hexafluoreto enriquecido.
Embora já enriqueça no país parte do urânio usado nas usinas, a operação de conversão do mineral para o estado gasoso ainda é totalmente feita no exterior. O projeto da INB prevê a construção de dois módulos com capacidade para as demandas de Angra 1, 2 e 3, e mais uma nova central nuclear, num investimento estimado de R$ 461 milhões.
Quando atingir a autossuficiência no ciclo de produção de combustível nuclear, a INB será a única fabricante no mundo com enriquecimento e fabricação no mesmo local. A unidade em Resende aumenta a concentração do isótopo para cerca de 4%. A operação embora complexa, é considerada de baixo risco, uma vez que não ocorre mistura com água. As instalações foram aprovadas em 2004 pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Mas as autoridades brasileiras continuam mantendo ‘a sete chaves’ o acesso às centrífugas que produzem o urânio enriquecido como ‘forma de proteger’ a tecnologia desenvolvida pelo país.
Potencial para exportar urânio enriquecido – Embora o custo da contratação dos serviços de conversão e de enriquecimento no exterior não seja considerado alto, as divisas transferidas poderiam estar gerando empregos e desenvolvimento tecnológico no Brasil, sem contar que o transporte desse tipo de material exige sempre uma logística complexa.
Para o presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto, mais do que gerar uma economia de divisas, a autossuficiência na fabricação do combustível nuclear representaria uma conquista estratégica.
“O maior benefício seria não depender mais da contratação de serviços no exterior, com os quais a gente nunca sabe até quando poderá contar”, afirma. “Energia nuclear é uma questão estratégica. O Brasil, ao lado dos Estados Unidos e da Rússia, são os únicos países que dominam a tecnologia do ciclo como um todo e que têm reservas de urânio”.
Kuramoto destaca que o Brasil, com apenas de 30% do território prospectado, possui atualmente a sexta maior reserva de urânio do mundo, com cerca de 600 mil toneladas. “O valor estratégico dessas reservas equivale ao do pré-sal”, afirma.
Hoje, a extração de urânio é monopólio do estado e a única mina em atividade é a de Caetité. Para atender as demandas de Angra 3, está prevista para entrar em atividade até 2014 uma segunda jazida em Santa Quitéria (CE), em parceria com o setor privado.
O engenheiro nuclear Aquilino Senra ressalta que o Brasil foi o 9º país a dominar a técnica de enriquecimento de urânio e que precisa manter a sua capacidade de aperfeiçoar a tecnologia para almejar competir internacionalmente no mercado de fornecimento de urânio.
“O Brasil já poderia ser um player no mercado mundial, só falta vontade política”, afirma. “Se formos exportar urânio, não pode ser em minério puro, precisa ser beneficiado, cujo valor se multiplica em até 30 vezes”.
O governo ainda não tomou a decisão de vai ou não se tornar exportador de urânio ou de serviços na área nuclear. “No momento, não há planejamento para atender o mercado externo”, afirma o diretor da INB. (Fonte: Darlan Alvarenga/ G1)