terça-feira, 26 de abril de 2011

Nasa usará tecnologia espacial para ajudar países em desenvolvimento


A Nasa e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) assinaram um acordo nesta segunda-feira (25) para ampliar a aliança bilateral e ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar desafios como segurança alimentar, fontes de energia e mudança climática.
O memorando, que terá cinco anos de duração, formaliza a colaboração em curso para utilizar os dados fornecidos pela agência espacial americana, com o objetivo de minimizar os riscos de catástrofes naturais e facilitar a resposta humanitária nos países em desenvolvimento.
O acordo também prevê a aplicação conjunta de tecnologias geoespaciais para resolver os problemas que dificultam o desenvolvimento desses países. “As tecnologias utilizadas nas missões da Nasa melhoraram muito a vida na Terra”, afirma em comunicado o diretor da agência espacial, Charles Bolden.
“Quando exploramos o espaço, também exploramos soluções para os problemas de saúde, nutrição e segurança, que são desafios nos países em desenvolvimento”, assinala a nota.
“Junto com a Usaid, conseguiremos um desenvolvimento inclusive mais sustentável para os problemas aqui na Terra, resolvendo problemas para toda a comunidade internacional”, acrescenta.
Já segundo o diretor da Usaid, Rajiv Shah, o uso de dados sobre as ciências da Terra e as novas tecnologias serão um avanço para a agência de desenvolvimento. “Mediante nossa associação com a Nasa, podemos aplicar a última tecnologia para oferecer dados importantes às populações dos países em desenvolvimento em áreas como saúde, segurança alimentar e água”, destacou.
Shah ressaltou que este é “um excelente exemplo de nossos esforços para utilizar o poder da ciência e da tecnologia com o objetivo de abordar o desenvolvimento dos desafios atuais”.
Desde 2003, a Nasa e a Usaid trabalham conjuntamente por meio do programa Servir, que permite aos países em desenvolvimento utilizar os dados que a Nasa obtém da Terra para enfrentar problemas agrícolas, melhorar a resposta a desastres naturais e as previsões climáticas. (Fonte: Portal iG)

Em nome da flora nativa, reservas se rendem a agrotóxico


Ameaçadas por pragas, reservas ecológicas no país estão fazendo testes com agrotóxicos com o objetivo de garantir a sobrevivência de espécies nativas.
A ideia é combater plantas exóticas e invasoras, como a braquiária, um tipo de capim usado em áreas de criação de gado que ameaça o crescimento de outros vegetais.
O estudo mais recente ocorre no Parque Nacional das Emas, em Goiás. A unidade, com área equivalente a 132 mil campos de futebol, registra a presença de cinco espécies de plantas invasoras.
“É uma situação grave, já que as espécies exóticas ameaçam a diversidade”, afirma o diretor do parque, Marcos Cunha.
As primeiras aplicações de glifosato, ainda em nível experimental, começaram neste mês, depois de tentativas com várias outras técnicas, sem sucesso.
O contato com o produto, porém, ainda está restrito ao entorno do parque. “Estamos analisando os resultados para depois utilizar no interior, se necessário”, afirma.
Autorização - A iniciativa, ainda tímida no Brasil, já é aplicada em outros países.
A Monsanto, uma das maiores fabricantes mundiais de herbicida, doa glifosato desde 2005 à reserva ecológica de Galápagos, arquipélago equatoriano onde Charles Darwin (1809-1882) fez parte de seus estudos.
No Brasil, outras unidades federais de conservação que fazem pesquisas semelhantes são a Floresta Nacional de Bom Futuro, em Rondônia, e os parques Aparados da Serra e da Serra Geral, na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“Simplesmente cortar [o capim] não resolve”, diz o chefe do parque de Aparados da Serra, Deonir Zimmerman, que luta contra a braquiária há 12 anos.
Reservas estaduais do Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo também possuem estudos avançados com herbicidas para o combate de espécies exóticas, segundo a ONG Instituto Hórus, que participa de projetos nesses locais.
Uma portaria do Ibama de maio de 2010 autoriza pesquisas com até três tipos de agrotóxicos em florestas nativas, desde que estejam em situação de emergência –e com possibilidade de cancelar a autorização em caso de contaminação.
Em muitas unidades nacionais, no entanto, segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes), o plano de manejo sequer considera o uso desses herbicidas.
Silvia Ziller, do Instituto Hórus, afirma que os produtos são uma alternativa mais barata, eficiente e com menor impacto ambiental do que deixar espécies como a braquiária se propagarem.
O maior problema, segundo ela, é o risco de incêndio agravado pelo capim. “Se antes o cerrado pegava fogo a cada cinco anos, agora isso acontece em todos eles”, diz.
Divisão – A ideia de mudar aplicar agrotóxicos em parques do país ainda provoca desconfiança entre ambientalistas e pesquisadores.
Os próprios diretores das reservas reconhecem que o produto pode sim afetar as espécies nativas.
Em 2007, uma pesquisa da USP mostrou que um agrotóxico aplicado nas cerca de 40 lavouras do entorno do Parque das Emas contaminava aves ameaçadas de extinção.
Uma liminar chegou a suspender em 2008 o uso de alguns agrotóxicos em uma faixa de até 2 km ao redor do parque. A decisão, no entanto, referia-se aos tipos mais tóxicos dos produtos, como inseticidas, e foi suspensa meses depois.
O pesquisador Sady Valdes, responsável pelo estudo na época, diz que a aplicação de herbicidas pode até “mudar a paisagem do cerrado”.
Para a engenheira agrônoma Ana Maria Junqueira, que estuda métodos alternativos aos agrotóxicos, produtos como herbicidas trazem riscos de contaminação também ao ser humano.
Segundo ela, uma alternativa pode ser a aplicação tópica, em que o produto é usado apenas no local onde há a ameaça. Mesmo assim, ela diz que os órgãos ambientais precisam ficar atentos para, a partir disso, não perder o controle sobre o uso desses produtos. (Fonte: Natália Cancian/ Folha.com)

Cientistas pedem adiamento da votação do novo Código Florestal


Entidades que reúnem cientistas e acadêmicos de diversas áreas pediram nesta segunda-feira (25) o adiamento da votação sobre o novo Código Florestal, previsto para ir à pauta de votações do plenário da Câmara no começo da semana que vem.
De acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), não há “fundamento científico” nas mudanças propostas na legislação. Para as entidades, seria uma “tragédia” a votação na semana que vem com o texto como está.
“Será uma tragédia para sociedade brasileira. Espero que não seja votado. Nós estamos aqui trazendo a visão de 96 sociedades científicas, a elite da ciência brasileira. O que nós gostaríamos é de poder continuar contribuindo trazendo dados para a implementação de um código moderno, e não um documento que os dados da ciência mostram que está furado, está errado”, disse Helena Nader, presidente da SBPC, durante lançamento do estudo “O Código Florestal e a Ciência – Contribuições sobre o diálogo”, em um hotel de Brasília.
O G1 procurou a assessoria do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), relator do projeto na Câmara, mas ele não respondeu. Em entrevista ao G1 na semana passada, Rebelo disse que o Código é “uma tentativa de equilibrar a defesa do meio ambiente com a produção agrícola”.
De acordo com as entidades, o estudo apresentado nesta segunda foi finalizado na última quarta-feira (20) e é resultado de dez meses de discussão, que se iniciou durante o debate do código em comissão especial da Câmara, no ano passado.
Para o pesquisador Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que participou do grupo de trabalho da SBPC sobre o código, seriam necessários mais dois anos de discussão para se chegar a um texto adequado para o novo Código. “Acredito que a ciência pode ajudar nesse debate.”
Ele diz que a proposta de liberar plantio em topo de morro é “extremamente irresponsável”. “As pessoas se esquecem que no Rio morreram mil e tantas pessoas em deslizamentos e está se pensando em tirar a proteção de topo de morro.”
Nobre também criticou a proposta de reduzir a Área de Preservação Permanente” nos casos de rios menores de 30 metros para 15 metros. Ele diz que atualmente a área de APP representa 7% das propriedades privadas. Com a mudança, passaria para 5%. “O argumento não se suporta diante de evidências numéricas. (…) O estudo mostra que o que está sendo proposto não tem fundamento científico”.
Elibio Leopoldo Rech Filho, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que faz parte do grupo de trabalho, diz que as entidades “não são contra nem a favor”. “Só colocamos evidências que mostram que é preciso mais tempo para que o novo código esteja a altura de ser votado.”
Ponto de discórdia – O coordenador do grupo de trabalho que estudou as mudanças no Código Florestal, José Antonio Aleixo da Silva, também criticou a defesa do relator pela isenção de reserva legal para pequenos produtores com propriedades de até quatro módulos fiscais. “Vai ser uma confusão sem fim. Existem cidades grudadas em que os módulos fiscais são diferentes.”
Nesse ponto não há consenso nem no próprio governo, segundo o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.
(Fonte: Mariana Oliveira/ G1)

Caçada neozelandesa abate 23 mil “coelhos da Páscoa”


Uma caçada anual em uma comunidade rural da Nova Zelândia abateu, em sua 20ª edição, 22.904 “coelhos da Páscoa” apesar das críticas dos defensores dos animais, informou nesta segunda-feira (25) a imprensa local.
A “Grande Caçada do Coelho da Páscoa” é um evento organizado a cada ano para ajudar os granjeiros da região de Otago, sul da Nova Zelândia, a combater a praga de roedores que arrasa com suas pastagens.
A denominada Brigada Beis Manada de Lobos, que matou 1.664 coelhos, venceu outras 46 equipes que participaram da disputa realizada entre sexta-feira e sábado, publicou o jornal “Otago Daily Times”.
O capitão da Brigada, Jason Gerken, disse que os 12 membros de sua equipe trabalharam durante “24 horas seguidas” em uma espécie de operação militar para poder ganhar esta competição.
A caçada recebeu as críticas do porta-voz do grupo protecionista Safe, Hans Kriek, segundo o qual o evento incita a crueldade já que muitos dos caçadores não têm experiência e participam deste tipo de massacres em um “ambiente festivo”.
Os coelhos foram introduzidos na Nova Zelândia a partir de 1830 como alimento e para fins esportivos, mas com o transcurso dos anos se transformaram em uma praga.
Os fazendeiros gastam cerca de US$ 50 mil anuais no controle de pragas, um investimento que inclui a compra de armas e munição, assim como veneno e armadilhas. (Fonte: Folha.com)

Cientistas geram hidrogênio a partir de bactérias usadas para tratar água


Um grupo de pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) desenvolveu um método para gerar hidrogênio com bactérias utilizadas no tratamento de águas negras, informou nesta segunda-feira (25) a instituição.
Os cientistas de um laboratório de pesquisa da faculdade de engenharia da Unam, liderados pelo pesquisador Germán Buitrón, aproveitaram os subprodutos do processo de tratamento da água residual para gerar energia de maneira sustentável.
A partir dos carboidratos contidos em resíduos orgânicos, muitos organismos anaeróbios podem produzir hidrogênio na ausência de luz.
No tratamento das águas por via anaeróbia (ausência de oxigênio), as bactérias do gênero clostridium degradam a matéria orgânica presente na água e geram uma mistura de metano e dióxido de carbono conhecida como biogás.
O objetivo do projeto é utilizar esse processo para produzir hidrogênio, revelou a instituição em comunicado.
“O desafio é maximizar a geração (de hidrogênio), porque as quantidades obtidas são baixas. Atualmente, estudamos como fazer com que as velocidades de produção do hidrogênio aumentem”, disse Buitrón.
O pesquisador ressaltou que “o principal interesse” no uso do hidrogênio está em “não gerar gases do efeito estufa, pois, como subproduto de sua combustão, só se produz água”, e porque “tem um alto poder calorífico”.
Segundo ele, o valor energético de um quilograma de hidrogênio é equivalente ao de 2,4 kg de metano, além de ter 2,75 vezes mais energia que os hidrocarbonetos.
Buitrón afirmou que, embora a matéria orgânica procedente das águas negras “seja talvez insuficiente para sustentar uma energia global”, este processo poderia “ajudar a compensar, de maneira substancial, os custos do tratamento de líquidos”, especialmente daqueles com altas concentrações de matéria orgânica. (Fonte: G1)

ONU quer ver malária erradicada até 2015


No Dia Mundial de Combate à Malária, a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo para que a doença seja erradicada até 2015. A cada ano, mais de 780 mil pessoas, na maioria crianças, morrem em decorrência da malária. Em uma mensagem divulgada nesta segunda-feira (25), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu aos países que se esforcem para zerar o número de mortes provocadas pela doença até 2015.
De acordo com a ONU, a distribuição de mosquiteiros com inseticida tem ajudado a salvar centenas de vidas na África Subsaariana, região com alto índice de casos de malária, mas a luta contra a doença precisa ser intensificada em todo o mundo.
De 2005 a 2009, o número de casos e mortes de malária caiu pela metade no Brasil, passando de 607.801 notificações para 306.908, conforme balanço divulgado no fim do ano passado pelo Ministério da Saúde. As mortes caíram de 122 para 58 no mesmo período.
Para o governo, a queda está relacionada à ampliação do diagnóstico e ao acesso ao tratamento. No entanto, a incidência da doença ainda é alta, principalmente nos estados da Amazônia Legal, que concentram quase a totalidade (98%) das notificações no país. Em 2009, Pará e Amazonas lideraram as estatísticas, com quase 100 mil casos cada um.
A malária é causada por um parasita transmitido pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Os sintomas são fraqueza, febre alta, calafrios e dores de cabeça e no corpo. Uma pessoa pode ser infectada várias vezes. Jovens com até 29 anos de idade, mulheres e crianças são as principais vítimas. Não há vacina contra a malária. As formas de prevenção são o uso de telas em portas e janelas, mosquiteiros com inseticida e repelentes. O tratamento dura uma semana. (Fonte: Carolina Pimentel/ Agência Brasil)

Brasil ainda enriquece no exterior 95% do urânio usado em Angra 1 e 2


Dono de uma das maiores reservas de urânio do mundo e detentor de uma tecnologia com reconhecimento internacional para produzir combustível para usinas nucleares, o Brasil continua enriquecendo no exterior cerca de 95% do urânio usado em Angra 1 e Angra 2.
“A capacidade atualmente instalada permite atender a aproximadamente 5% da demanda das centrais nucleares”, afirma Humberto Ruivo, diretor das Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pela implantação da primeira unidade de enriquecimento de urânio do país, inaugurada em 2006, em Resende (RJ), a partir de tecnologia de ultracentrifugação, desenvolvida pela Marinha.
O Brasil tem hoje apenas 3% de sua energia originada de fontes nucleares. Mas, com a expansão econômica do país e as dificuldades enfrentadas para criar mais fontes de energia renovável, esse percentual pode aumentar: o Plano Nacional de Energia prevê a construção de até oito novas usinas até 2030. Esse plano, no entanto, pode ser afetado depois que do acidente na usina nuclear de Fukushima, no Japão, após o terremoto seguido de tsunami no último dia 11 de março. Ainda não se sabe em que medida o acidente poderá influenciar no redirecionamento do programa nuclear brasileiro.
O Brasil gasta anualmente cerca de R$ 70 milhões com os serviços de conversão e de enriquecimento de urânio contratados no exterior pela INB. Os gastos com essas etapas representam cerca de 35% do custo total de fabricação do combustível nuclear.
Inicialmente prevista para 2008, a conclusão da primeira etapa do projeto, que atenderá 100% da demanda de Angra 1 e 20 % de Angra 2, já tinha sido adiada para 2012 e agora está prevista só para 2016. O custo total está estimado em R$ 545 milhões, dos quais apenas R$ 265 milhões foram investidos até o momento. Para 2011, o orçamento original de R$ 40 milhões foi contingenciado para R$ 35 milhões.
“Em função do projeto não ter sido historicamente contemplado com a integralidade dos recursos necessários, a INB está revendo o cronograma, prevendo a alocação anual média de cerca de R$ 50 milhões para os próximos 5 anos”, afirma Ruivo.
O investimento total necessário para o que todo o ciclo do combustível nuclear passe a ser feito no país em escala para atender toda a demanda das usinas nucleares brasileiras, inclusive Angra 3, está estimado em cerca de R$ 3 bilhões, com previsão de término em 2019 ou 2020. “Se os recursos planejados vierem e forem implementados, teríamos um horizonte de atingir a autossuficiência em mais 8 ou 9 anos”, diz o diretor da INB.
Segundo a INB, o prazo poderá ser reduzido caso uma nova fábrica de ultracentrífugas seja implantada durante este período e caso sejam destinados mais recursos para o programa.
O cronograma de investimentos para o Plano Plurianual (2012-2015) ainda está em fase de discussão no governo e terá que ser aprovado pelo Congresso Nacional. Atualmente, o principal projeto do governo na área é a construção da usina de Angra 3, prevista para ser concluída no final de 2015, com custo estimado em R$ 9,9 bilhões. A obra está em fase inicial e tem previsão orçamentária para o ano de R$ 1,965 bilhão.
Segurança – O engenheiro nuclear Aquilino Senra, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acredita que o acidente do Japão irá aumentar os questionamentos em torno da opção da energia nuclear. “A indústria terá que aperfeiçoar seus projetos de segurança e os planos de remoção em caso de emergência”, afirma. Segundo ele, porém, tanto o Brasil como os outros países não podem abrir mão dessa opção.
“Não tenho dúvida de que a indústria nuclear irá continuar a existir. Hoje, são 440 reatores nucleares em todo mundo, responsáveis pela geração de 17% da eletricidade do planeta. A substituição não vai ocorrer de uma hora pra outra”, afirma.
Para o presidente da Aben, o Brasil não pode abrir mão do uso de combustíveis não fósseis que geram energia em grande escala, principalmente em um cenário de aquecimento global. “Nosso potencial hidráulico se esgota a partir de 2025. Temos a vantagem de ter o urânio em grande quantidade e de dominar a tecnologia de enriquecimento, não dá para desprezar a energia nuclear como opção energética”, diz Kuramoto.
Os países do Brics, grupo formado pelos emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, divulgaram na última reunião de cúpula comunicado conjunto defendendo o uso da energia nuclear na composição da matriz energética dos países. “A cooperação internacional no desenvolvimento seguro da energia nuclear para fins pacíficos deve ter continuidade em condições de estrita observância dos pertinentes requisitos e padrões no que se refere ao desenho, construção e operação de usinas nucleares”, afirmaram.
Gastos no exterior – Embora polêmico, o enriquecimento de urânio para produção de combustível é considerado vantajoso e estratégico, porque agrega valor ao minério. Estudo recente realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a pedido do governo apontou, inclusive, a viabilidade econômica de exportação de eventual excedente da produção, ainda que a posição política, a princípio, seja de não vender as reservas.
Atualmente, duas etapas do ciclo do combustível dependem de serviços contratados no exterior. O minério utilizado em Angra 1 e 2 sai da mina de Caetité, na Bahia, na forma de um sal amarelo (yellowcake) e vai para a França, onde é purificado e convertido para o estado gasoso (hexafluoreto de urânio). Depois, segue para unidades da Urenco, consórcio europeu contratado para enriquecer o urânio, e só então volta para o Brasil, onde é transformado em pequenas pastilhas, formando o elemento combustível. Em 2010, foram enviados para o exterior 400 toneladas de urânio na forma de pó, que retornaram na forma de hexafluoreto enriquecido.
Embora já enriqueça no país parte do urânio usado nas usinas, a operação de conversão do mineral para o estado gasoso ainda é totalmente feita no exterior. O projeto da INB prevê a construção de dois módulos com capacidade para as demandas de Angra 1, 2 e 3, e mais uma nova central nuclear, num investimento estimado de R$ 461 milhões.
Quando atingir a autossuficiência no ciclo de produção de combustível nuclear, a INB será a única fabricante no mundo com enriquecimento e fabricação no mesmo local. A unidade em Resende aumenta a concentração do isótopo para cerca de 4%. A operação embora complexa, é considerada de baixo risco, uma vez que não ocorre mistura com água. As instalações foram aprovadas em 2004 pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Mas as autoridades brasileiras continuam mantendo ‘a sete chaves’ o acesso às centrífugas que produzem o urânio enriquecido como ‘forma de proteger’ a tecnologia desenvolvida pelo país.
Potencial para exportar urânio enriquecido – Embora o custo da contratação dos serviços de conversão e de enriquecimento no exterior não seja considerado alto, as divisas transferidas poderiam estar gerando empregos e desenvolvimento tecnológico no Brasil, sem contar que o transporte desse tipo de material exige sempre uma logística complexa.
Para o presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto, mais do que gerar uma economia de divisas, a autossuficiência na fabricação do combustível nuclear representaria uma conquista estratégica.
“O maior benefício seria não depender mais da contratação de serviços no exterior, com os quais a gente nunca sabe até quando poderá contar”, afirma. “Energia nuclear é uma questão estratégica. O Brasil, ao lado dos Estados Unidos e da Rússia, são os únicos países que dominam a tecnologia do ciclo como um todo e que têm reservas de urânio”.
Kuramoto destaca que o Brasil, com apenas de 30% do território prospectado, possui atualmente a sexta maior reserva de urânio do mundo, com cerca de 600 mil toneladas. “O valor estratégico dessas reservas equivale ao do pré-sal”, afirma.
Hoje, a extração de urânio é monopólio do estado e a única mina em atividade é a de Caetité. Para atender as demandas de Angra 3, está prevista para entrar em atividade até 2014 uma segunda jazida em Santa Quitéria (CE), em parceria com o setor privado.
O engenheiro nuclear Aquilino Senra ressalta que o Brasil foi o 9º país a dominar a técnica de enriquecimento de urânio e que precisa manter a sua capacidade de aperfeiçoar a tecnologia para almejar competir internacionalmente no mercado de fornecimento de urânio.
“O Brasil já poderia ser um player no mercado mundial, só falta vontade política”, afirma. “Se formos exportar urânio, não pode ser em minério puro, precisa ser beneficiado, cujo valor se multiplica em até 30 vezes”.
O governo ainda não tomou a decisão de vai ou não se tornar exportador de urânio ou de serviços na área nuclear. “No momento, não há planejamento para atender o mercado externo”, afirma o diretor da INB. (Fonte: Darlan Alvarenga/ G1)

Greenpeace faz protesto contra usina nuclear no Rio


Cerca de 20 integrantes da ONG Greenpeace se reuniram em frente ao prédio do BNDES (IBanco Nacional de Desenvolvimento Social) no centro do Rio, nesta segunda-feira (25), onde soltaram fumaça laranja para chamar a atenção da população sobre a questão da energia nuclear no Brasil.
A concentração ocorreu por volta das 9h30, com grupos que dispararam sinalizadores de fumaça e simularam um resgate de contaminação por radiação. Por medida de segurança, as entradas do edifício sede do BNDES foram interditadas e fechadas com grades. A interdição durou cerca de meia hora.
O ato é um protesto contra o financiamento do BNDES, do valor de R$ 6,1 bilhões, destinado à usina nuclear Angra 3. Um texto no site da ONG se refere ao financiamento como sendo um “calhambeque atômico”.
O dinheiro será usado em obras de construção da terceira usina termonuclear no Brasil, que fica em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense.
A verba foi aprovada no final do ano passado, como parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Prevê-se que a usina terá potência instalada de 1.405 megawatts (MW), que seria equivalente a um terço do consumo de todo Estado.
De acordo com o banco, a construção de Angra 3 contribuirá para reduzir a importação de energia gerada fora do Rio.
Situado na ponta de linhas de transmissão, o Rio é tido como vulnerável a contingências operacionais que ocorrem no sistema elétrico interligado Sul/Sudeste/Centro-Oeste, com riscos de queda e desligamento de linhas de transmissão.
“Queremos chamar atenção, amanhã (terça-feira, 26) o desastre nuclear de Chernobyl completa 25 anos, e lembrar também que os nossos reatores nucleares são obsoletos e datam da década de 70″, disse o coordenador do movimento, Ricardo Baitelo.
No mês de março, um terremoto seguido de tsunami provocou um grave acidente nuclear na cidade de Fukushima, no Japão, e desde então, a discussão sobre o uso da energia nuclear se intensificou em todo o mundo. (Fonte: Folha.com)