segunda-feira, 25 de abril de 2011

Áreas protegidas da Amazônia têm falhas na gestão e pressão por desmatamento, diz estudo


Apesar de ocuparem 43,9% do território da Amazônia, as áreas protegidas do bioma não estão livres de ameaças à proteção da floresta, da fauna e de comunidades tradicionais. Estudo do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do Instituto Socioambiental (ISA) mostra que, apesar de avanços nos últimos anos, as Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas (TIs) da região têm falhas na gestão e estão sujeitas às pressões do desmatamento, exploração madeireira e mineração.
De acordo com o relatório, “a criação e a manutenção de áreas protegidas é uma das estratégias mais eficazes para a conservação dos recursos naturais na Amazônia”, mas a preservação depende de gestão eficiente, ampliação das fontes de financiamento e controle das atividades ilegais.
Um dos principais desafios para a proteção efetiva dos territórios que estão em UCs e TIs, segundo os pesquisadores, é a consolidação dessas áreas. Até dezembro de 2010, por exemplo, 70% dos planos de manejo das unidades de conservação da Amazônia não estavam prontos. “Das 308 UCs estaduais e federais analisadas, apenas 24% possuíam planos de manejo aprovados; 1% estava com seus planos em fase de revisão; 20% estava na fase de elaboração, e 50% sequer tinham iniciado seus planos de manejo”, revela o levantamento do Imazon e do ISA.
A dificuldade na gestão também está ligada à falta de pessoal, com poucos fiscais responsáveis por áreas imensas de florestas, muitas vezes distantes de ocupações urbanas. Nas UCs estaduais, a média é de um funcionário para cuidar de 1,8 mil quilômetros quadrados (km²). Há casos em que a proporção é de uma pessoa para 4 mil km², uma área equivalente a 400 mil campos de futebol.
Nas terras indígenas, a homologação de áreas já reconhecidas e os conflitos econômicos e fundiários são os principais gargalos para a consolidação, segundo o relatório.
O desmatamento, que ameaça todo o bioma, também atinge as áreas protegidas, que teoricamente deveriam estar protegidas das derrubadas ilegais. De acordo com o estudo, 3,5% de todo desmatamento na Amazônia até 2009 estava em áreas protegidas, num total de quase 26 mil km² de floresta a menos. Há UCs em que 88% da vegetação original foi derrubada e TIs com 70% do território desmatado.
Além das pressões do desmate e da exploração ilegal de madeira e da mineração, as áreas protegidas também sofrem ameaças de alterações formais, geralmente para reduzir o tamanho dos territórios sob proteção. Em 2010, um estudo do Imazon identificou pelo menos 37 propostas formais para alterar 48 áreas protegidas da Amazônia.
No estudo, os pesquisadores sugerem medidas para fortalecer e consolidar as áreas protegidas na Amazônia, como o controle de ocupações irregulares, o aumento do número de gestores para atuação em campo nas unidades de conservação e a conclusão prioritária de processos de reconhecimento e homologação de terras indígenas. (Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil)

Espécie de pássaros sabe identificar ovos de impostores


Estudo apresentou uma série de mecanismos usados por pássaros para combater ovos intrusos em seus ninhos
O hábito de o tecelão-parasita pôr ovos no ninho de outros pássaros provoca uma corrida armamentista. O tecelão-parasita encontra formas aprimoradas de imitar os ovos do pássaro hospedeiro e este responde com novos métodos para distinguir os ovos do tecelão-parasita dos seus.
Os pássaros hospedeiros usam duas técnicas: aprimoram a capacidade de reconhecer ovos estranhos usando a visão ou variam a cor dos próprios ovos para ficar mais difícil para o tecelão-parasita imitá-los.
Cientistas liderados por Claire N. Spottiswoode, pesquisadora da Universidade de Cambridge, colocou ovos estranhos nos ninhos de três espécies aparentadas à toutinegra na região sul da Zâmbia. Depois, eles verificaram se os pássaros sabiam identificar um impostor.
A prínia-de-flancos-castanhos se saiu muito mal ao diferenciar um ovo estranho de aparência similar aos seus usando a visão. Mas os ovos da prínia têm diversas cores e uma ampla variedade de padrões e eles confiam nisso para impedir que o ovo de um tecelão-parasita fique idêntico aos deles. A fuinha-de-faces-vermelhas, por sua vez, era muito boa para identificar um ovo estranho só de ver, embora seus ovos sejam os que menos variam na aparência.
A terceira espécie, a fuinha-chocalheira, ficou entre as duas na capacidade de diferenciar e na variação da cor dos ovos. O tecelão-parasita nunca põe ovos em ninhos de fuinha-chocalheira, sugerindo que é dela a estratégia mais bem-sucedida de todas.
Spottiswoode, cujo relatório foi publicado em “The Proceedings of the Royal Society B”, traçou um paralelo entre os pássaros e humanos. “A diversidade espetacular dos ovos da prínia-de-flancos-castanhos evoluiu da mesma forma que nosso sistema imunológico evolui em resposta a patógenos. Quanto mais diversos forem os genes de resistência a doenças, melhores são as chances de escapar às suscetibilidades de uma doença”.(Fonte: Portal iG)

Manifestantes protestam em Tóquio contra energia nuclear


Milhares de pessoas protestaram neste domingo (24) no centro de Tóquio para pedir o fim da energia nuclear e um maior desenvolvimento das energias renováveis, depois do acidente da central de Fukushima provocado pelo terremoto seguido de tsunami ocorrido em 11 de março.
Levantando cartazes onde se lia “Bye Bye Genpatsu” (adeus, nuclear), os manifestantes, muitos deles jovens e famílias inteiras, marcharam no parque de Yoyogi, em calma e sob o sol forte.
“Estamos inquietos, Antes de Fukushima, não acontecia tudo isso, mas agora precisamos reagir, precisamos fazer isso por nossos filhos”, explicou Hiroshi Iino, 43 anos, um dos participantes da manifestação a favor de “uma mudança enérgica”.
Paralelamente, em outra região da capital japonesa, foi realizada uma segunda manifestação, da qual também participaram milhares de pessoas para protestar contra a empresa que opera a central de Fukushima Daiichi, a Tepco.
A questão de um eventual abandono da energia nuclear não é, no momento, abertamente debatida na cena política japonesa.
“Não podemos prescindir da energia nuclear, mas devemos refletir quanto aos planos e ao calendário de construção de nossas usinas”, estimou na sexta-feira o número dois do partido de centro-esquerda no poder, Katsuya Okada.
A energia nuclear representava, antes do maremoto de 11 de março que provocou danos em vários reatores, cerca de 30% da eletricidade utilizada no Japão.
Localizada a 250 km a nordeste de Tóquio, a central de Fukushima Daiichi foi danificada por uma onda de 14 metros de altura que causou falhas nos sistemas de refrigeração, provocando uma explosão e vazamentos radioativos.
A operadora Tepco espera conseguir estabilizar a situação em um período de seis a nove meses. (Fonte: G1)

Cientista identifica ativo que torna larva de abelha em rainha


Uma das proteínas que contém a geleia real (57-kDa) é o ingrediente ativo que resulta na transformação de uma larva de abelha em rainha, segundo um estudo publicado no último número da revista “Nature”.
Uma larva de abelha fêmea (Apis mellifera) pode se transformar tanto em uma operária estéril como em uma rainha que, fértil e com um corpo mais longo, tem evolução mais rápida e uma vida muito mais longa.
A rainha põe ovos fecundados que dão origem às operárias e a o ovos não fecundados dos quais saem as abelhas macho, os zangões.
Os cientistas sabiam que o dimorfismo das fêmeas de abelhas se baseia no consumo de geleia real, nutriente segregado pelas operárias, e que não depende de diferenças genéticas.
Entretanto, o ingrediente ativo e o mecanismo que guia o desenvolvimento das abelhas rainha não eram muito conhecidos.
O grupo dirigido pelo cientista da Universidade de Toyama (Japão) Masaki Kamakura constatou, por meio de experimentos com moscas-das-frutas (Drosophila melanogaster), como a proteína 57-kDa ativa a quinase p70 S6 e aumenta a atividade da MAP quinase.
Os estudiosos acreditam que a quinase p70 S6 é responsável pelo aumento do tamanho do corpo da abelha rainha, enquanto a MAP quinase causa a aceleração em seu desenvolvimento.
Estes processos, mediados pelo EGFR (sigla em inglês de Receptor do Fator de Crescimento Epidérmico), produziram nas moscas-das-frutas fenotipos similares aos das abelhas rainha. (Fonte: Folha.com)

Cientistas detectam o mais pesado núcleo de antimatéria


O núcleo da antimatéria mais pesado observado até o momento, uma partícula antialfa, foi detectada pelo Colisor Relativístico de Íons Pesados (RHIC, na sigla em inglês) do Laboratório Nacional de Brookhaven, nos Estados Unidos.
Cientistas do acelerador descrevem no último número da revista “Nature” na internet a detecção de partículas antialfa, ou seja, núcleos de hélio-4 de antimatéria.
A descoberta servirá como ponto de referência para eventuais observações futuras de partículas antialfa no cosmos.
As partículas alfa, descritas pela primeira vez em 1900 pelo físico Ernest Rutherford, são núcleos de hélio-4 (4He), formados por dois prótons e dois nêutrons, sem uma envoltura de elétrons, por isso que sua carga elétrica é positiva.
Como a cada uma das partículas da natureza, corresponde uma antipartícula que possui a mesma massa, mas de diferente carga elétrica.
A antipartícula alfa detectada no acelerador de Brookhaven, formada por dois antiprótons e dois antinêutrons, não foi observada até agora no cosmos.
O grupo de cientistas liderados o professor da universidade de Yale (EUA) Aihong Tang trabalha no acelerador de núcleos pesados a altas energias para produzir e estudar a antimatéria.
Os pesquisadores que participaram da experiência “STAR” detectaram partículas alfa em rendimentos que são consistentes com os prognósticos da termodinâmica e os modelos de produção coalescente de novos núcleos atômicos.
A partir dessas observações, os cientistas determinaram a velocidade da reação nuclear em partículas antialfa, o que poderia dar pistas sobre o ritmo de produção de outros núcleos de antimatéria ainda mais pesados.(Fonte: Portal iG)

Obama quer eliminar subsídios a fontes energéticas “do passado”


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, propôs neste sábado (23) a eliminação dos subsídios de US$ 4 bilhões que as petrolíferas e empresas de gás recebem ao ano dos contribuintes, para investir esse dinheiro na energia do futuro.
Em sua tradicional mensagem semanal dos sábados, o presidente americano delineou seus planos a curto e longo prazo para enfrentar o aumento do preço da gasolina, que atingiu US$ 4 por galão, lembrou.
Obama argumentou que, embora não exista uma solução mágica para reduzir imediatamente o preço da gasolina, há várias coisas que podem ser feitas e, por isso, esta semana o procurador-geral, Eric Holder, constituiu um grupo de trabalho dedicado “a eliminar a fraude e a manipulação no mercado de petróleo”.
O objetivo é acabar com as más práticas que influem no preço da gasolina e isso inclui “qualquer atividade ilegal por investidores e especuladores”, disse.
O presidente dos EUA propôs que se ponha “de uma vez por todas” fim aos US$ 4 bilhões que as empresas de gás e petróleo recebem anualmente dos contribuintes.
“Trata-se de US$ 4 bilhões do dinheiro dos cidadãos em um momento em que tais empresas estão obtendo lucro recorde e os americanos estão pagando preços recordes pelo combustível. Isso deve parar”, disse Obama.
No entanto, destacou que os EUA devem prosseguir “com a produção segura e responsável de petróleo”.
No ano passado, a produção de petróleo nos EUA atingiu seu nível mais alto desde 2003.
“No entanto, a longo prazo, devemos investir em energia limpa e renovável”, estimou Obama.
Por isso, discorda de uma proposta no Congresso que reduziria em 70% o investimento dos EUA em energia limpa, acrescentou.
“Em vez de subsidiar as fontes de energia do passado, devemos investir nas do futuro. Devemos investir em energia limpa e renovável. A longo prazo, essa é a resposta”, sustentou o presidente americano.
Por enquanto, foi possível um acordo com as principais empresas automobilísticas para melhorar a eficiência do consumo de combustível com tecnologia híbrida e outras tecnologias inovadoras.
Assim com um novo automóvel, os americanos economizarão cerca de US$ 3.000 em gasolina, explicou.
“Mas devemos fazer mais. Devemos aproveitar o potencial de empresas novas promissoras e companhias de energia limpa inovadoras. Isso é crucial no debate que estamos tendo neste momento em Washington sobre o orçamento”, assinalou Obama.
Tanto democratas como republicanos consideram que é necessário reduzir o déficit, mas diferem em como fazê-lo.
Obama propôs uma estratégia “equilibrada” que reduz a despesa e por outro lado investe em verbas como educação e energia limpa, que, segundo destacou, são tão necessárias para gerar empregos e criar oportunidades na classe média. (Fonte: Portal Terra)

Ameaça de superbactérias é problema sério de saúde pública


Há cerca de duas semanas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a incidência de infecções por superbactérias resistentes a drogas atingiu níveis sem precedentes em todo o planeta. O sério problema já ameaça criar um cenário de proliferação de infecções incuráveis, e no Brasil as consequências desta realidade já começam a ser sentidas.
Segundo o chefe da área de infectologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professor Francisco Hideo Aoki, a mobilidade de pessoas por todo o mundo hoje põe em risco os países, e uma vigilância preventiva seria necessária – além das medidas de bloqueio, ações simples como lavar as mãos podem ajudar muito no combate ao avanço desses organismos.
“Possibilidade há (de epidemias globais), com o fenômeno da globalização e com as pessoas cruzando o mundo em 24 horas no máximo”, diz Aoki. “Por enquanto, não há antibióticos para tratamento destas infecções. E como por enquanto estes processos infecciosos estão restritos, é preciso ter uma vigilância muito grande de ordem epidemiológica para contenção do espalhamento destas bactérias pelo planeta. E pode, sim, ser um problema sério de saúde pública”, afirma.
Em 2010, a superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) causou medo no Brasil após infecções em hospitais espalhados pelo país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou o controle sobre receitas médicas de antibióticos, na tentativa de conter o avanço da KPC.
Segundo Aoki, essa superbactéria parece estar atualmente sob controle. “A situação está aparentemente melhor, com as vigilâncias das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar locais”, diz o médico.
Porém casos de infecções por superbactérias continuam nos noticiários. Na última semana, o Ministério Público (MP) de Alagoas instaurou inquérito civil para apurar mortes no Hospital Universitário (HU) supostamente ligadas a infecções provocadas pela superbactéria Acinetobacter baumannii.
Outra superbactéria que causa de preocupação mundial é a NDM-1. Ela chegou ao Reino Unido vinda de Nova Délhi (Índia) em 2010.
“A NDM-1, cujo nome é Nova Délhi Metalo-lactamase-1, é um grupo de bactérias que desenvolveram resistência a antibióticos avançados, que tem na sua conformação molecular o anel betalactâmico, e esta enzima a NDM-1 age contra este anel, resumidamente produzindo resistência a este antimicrobiano”, falou Aoki.
O professor afirma que infecções causadas por esta bactéria podem atingir qualquer parte do corpo do ser humano e são de difícil tratamento com os antimicrobianos existentes. “Dada a intensa resistência que têm aos antibióticos, as possibilidades de tratamento ficam muito reduzidas se não forem controladas ou se não se houver uma combinação de antimicrobianos”, explica.
Segundo a OMS, a cada ano mais de 25 mil pessoas morrem na União Europeia em decorrência de infecções de bactérias que driblam até mesmo antibióticos recém-lançados. Para a organização, a situação chegou a um ponto crítico em que é necessário um esforço conjunto urgente para produzir novos medicamentos. (Fonte: Portal Terra)