quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Descoberta sobre grafeno pode aumentar a velocidade da internet

Cientistas britânicos desenvolveram uma maneira de usar o grafeno, o material mais fino do mundo, para capturar e converter mais luz do que era possível anteriormente, o que abre caminho a avanços na internet de alta velocidade e outras formas ópticas de comunicação.

Em um estudo publicado pela revista Nature Communication, a equipe, que inclui Andre Geim e Kostya Novoselov, cientistas premiados com o Nobel no ano passado, descobriu que, ao combinar grafeno e nanoestruturas metálicas, o volume de luz que o grafeno é capaz de absorver e converter em energia elétrica aumentava em 20 vezes. O grafeno é uma forma de carbono com espessura de apenas um átomo, e ainda assim 100 vezes mais forte que o aço.

“Muitas das maiores companhias de eletrônica estão considerando o grafeno para sua próxima geração de aparelhos. Esse trabalho reforça as chances do grafeno ainda mais”, disse Novoselov, cientista russo que, com Geim, conquistou em 2010 o Nobel de Física por suas pesquisas sobre o grafeno. Trabalhos anteriores tinham demonstrado que é possível gerar energia elétrica ao instalar duas estruturas metálicas de entrelaçamento fino sobre uma base de grafeno, e fazer com que todo o aparato receba luz, convertendo-o na prática em uma célula solar simples.

Os pesquisadores explicaram que, devido à mobilidade e velocidade especialmente elevada dos elétrons no grafeno, essas células produzidas com o material podem atingir velocidades incrivelmente rápidas, dezenas ou potencialmente centenas de vezes mais rápidas que as oferecidas pelos cabos de internet mais velozes hoje em uso.

O principal obstáculo a aplicações práticas até o momento vinha sendo a baixa eficiência das células, segundo os pesquisadores. O problema é que o grafeno absorve pouca luz – apenas cerca de 3%; o restante passa pelo material sem contribuir para a geração de energia.

Em uma colaboração entre as universidades de Manchester e Cambridge, a equipe de Novoselov constatou que o problema poderia ser resolvido por uma combinação entre grafeno e as minúsculas estruturas metálicas conhecidas como nanoestruturas plasmônicas, dispostas em padrão especial por sobre o grafeno.
Essa disposição permitiu que o desempenho de absorção de luz do grafeno melhorasse em 20 vezes, sem sacrifício de velocidade, a equipe afirmou no estudo. A eficiência pode ser ainda mais melhorada no futuro, afirmaram. (Fonte: G1)

Cachorro faz amizade com filhote de leão em reserva africana

Um cão de caça e um filhote de leão se tornaram amigos na reserva natural privada de Tshukudu Game, na África do Sul. Norman, o cachorro, foi comprado pela reserva para ajudar a afugentar ladrões, mas acabou adotando o leãozinho Bhubesi. O guarda-florestal Jaco Venter, que criou o filhote de leão, diz que quando se aproxima dos dois, Bhubesi chega a brigar pela atenção do cachorro. Bhubesi, de seis meses de idade, foi rejeitado pela mãe e está sendo criado na reserva por Jaco e sua namorada Wendy.

Passeio – A amizade foi registrada pelo fotógrafo de vida selvagem Stu Porter, de 36 anos, que estava em um safári na região. Segundo o fotógrafo, as imagens foram feitas durante a caminhada matinal onde o cachorro é treinado para se mover na reserva. ‘Eles são sempre muito amigáveis um com o outro, exceto na hora de comer, quando os instintos falam mais alto. Mas aí eles são alimentados separadamente’, disse o fotógrafo à agência de notícias britânica Caters. (Fonte: G1)

Morte de ambientalistas custaria até R$ 80 mil no Pará, diz MPF

O procurador Cláudio Terre do Amaral, do Ministério Público Federal (MPF) do Pará, encaminhou, nesta segunda-feira (29), ofícios para a Polícia Federal (PF) e às autoridades se segurança pública do estado cobrando rigor nas investigações sobre ameaças de morte e assassinatos cometidos contra ambientalistas, agricultores, extrativistas e sindicalistas que atuam em proteção ao meio ambiente. Segundo Amaral, madeireiros da região estariam oferecendo R$ 80 mil pela morte dessas pessoas.

O MPF pediu, também, medidas de proteção para familiares do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, que foram mortos em uma emboscada em maio deste ano, no assentamento Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna (PA).

Segundo a Comissão Pastoral da Terra, em Marabá (PA), após a morte do casal, outras quatro pessoas foram mortas nas cidades de Eldorado do Carajás (PA), Breu Branco (PA), Marabá (PA) e Nova Ipixuna (PA). “As investigações não estão surtindo efeito concreto. Foram seis mortes só aqui na região sudeste do estado e ninguém foi preso”, disse José Batista Afonso, advogado da pastoral. Nos ofícios, o procurador pediu ainda que sejam investigadas as ameaças de morte sofridas pelo ambientalista Raimundo Belmiro, da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, em Altamira (PA). Segundo Amaral, circula na região que a morte dele seria premiada por R$ 80 mil.

Ainda de acordo com o procurador, as pessoas ameaçadas contrariam interesses de madeireiros, grileiros e pistoleiros da região. “A preocupação é com a vida e a segurança de Raimundo Belmiro, em Altamira, e dos familiares de José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna”, disse Amaral.

Ele pediu que a PF instaure inquérito para apurar ameaças a Raimundo Belmiro. Ele vem denunciando ameaças de madeireiros que estão invadindo a Resex do Riozinho do Anfrísio para derrubadas ilegais. Ele recomendou que o Instituto Chico Mendes, responsável pela administração da reserva Riozinho do Anfrísio, envie todas as informações e documentos que têm sobre as invasões de madeireiros e a presença de pistoleiros na reserva.

Nos demais ofícios, enviados às Secretarias de Segurança Pública e de Justiça e Direitos Humanos do Pará, os procuradores Tiago Rabelo, de Marabá, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Júnior, de Belém, pediram a inclusão dos familiares de José Cláudio e Maria do Espírito Santo em programas de proteção. Eles foram ameaçados de morte e já sofreram atentados a tiros neste mês, no assentamento Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna. A Polícia Civil do Pará chegou a anunciar as identidades dos assassinos do casal de extrativistas, mas não prendeu ninguém. Os procuradores citaram que as famílias de Laisa Santos Sampaio (irmã de Maria do Espírito Santo) e Claudelice Silva dos Santos (irmã de José Cláudio) sofreram ameaças e tiveram os terrenos invadidos.

O procurador Tiago Rabelo, de Marabá, recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília, para que seja reconhecida a competência da Justiça Federal para atuar no caso. A federalização do processo que apura os crimes contra os ambientalistas do Pará é um pedido dos familiares e defensores do meio ambiente no estado. Segundo Rabelo, o motivo dos assassinatos foi a invasão de grileiros em lotes do assentamento e, como as terras são da União, o caso deve tramitar na esfera federal. Ainda de acordo com Rabelo, o recurso foi enviado para o TRF-1 no começo deste mês, mas até agora não houve designação de um desembargador para decidir sobre o pedido.

Crime mais recente – O sindicalista Valdemar Oliveira Barbosa, conhecido como Piauí, foi morto a tiros na quinta-feira (25), em Marabá (PA). Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ele estava andando de bicicleta quando foi cercado por dois homens encapuzados e que estavam em uma motocicleta preta. O crime aconteceu no Bairro São Félix. O crime aconteceu três meses após a morte do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, ocorrida em maio deste ano. Barbosa era casado e integrante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá. Ele foi responsável por coordenar por vários anos um grupo de famílias que ocupou a fazenda Estrela da Manhã, na cidade. Como a fazenda não foi desapropriada, ele voltou a morar em uma ocupação urbana que ajudou a organizar em Marabá.

Em nota, a CPT informou que o assassinato de Barbosa pode ter ligação com a tentativa de reocupação da fazenda. A Polícia Civil de Marabá está investigando o caso. Em um primeiro momento, a investigação informou que a vítima não tinha passagem policial, mas depois voltou atrás e informou que ele era investigado por homicídio. Com a morte dele é extinta a punibilidade.

A morte do sindicalista ocorreu, também, um dia após a Força Nacional anunciar que reforçou a segurança no assentamento Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna. Segundo a pastoral, apenas o assassinato do casal de extrativistas José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo, ocorrido em uma emboscada em Nova Ipixuna (PA) foi parcialmente investigado. De acordo com Batista, ninguém foi preso por envolvimento nos crimes. “O comportamento da Polícia Civil do Pará tem sido de investigar as vítimas e não os responsáveis pelas mortes, quando se trata de crimes no campo”, disse o advogado.

Emboscada – O casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi morto em uma “tocaia” em uma estrada na Zona Rural de Nova Ipixuna, em 24 de maio deste ano. A polícia indiciou três pessoas por envolvimento no crime, mas não prendeu ninguém após três meses do crime.

Outros atentados – Familiares do casal de extrativistas José Cláudio e Maria, mortos em emboscada em 24 de maio deste ano, relataram ter sofrido um novo atentado a tiros, na madrugada desta quinta-feira (18), em Nova Ipixuna. O ataque, desta vez, deixou ferido um dos cachorros da família, que vivia em uma fazenda vizinha da de onde morava o casal morto.

Em outro caso de violência na região, duas famílias de agricultores que estavam sobre proteção policial desde que escaparam de um tocaia em 18 de junho, em Nova Ipixuna, voltaram para seus estados de origem. Após o ataque, eles ficaram sob proteção da Força Nacional. Em julho, a Defensoria Pública do Pará informou que os trabalhadores rurais, que focam colocados em um programa de proteção à pessoa, optaram por sair do Pará porque achavam que estariam mais seguros em suas cidades natais.

Inércia investigativa e judicial – Um levantamento feito pela CPT sobre a violência no campo no Brasil apontou que cerca de 8% dos casos de assassinatos ocorridos desde 1985 devido a conflitos agrários foram julgados pelo menos em primeira instância até abril deste ano. Os 1.186 casos monitorados pela organização, com 1.580 vítimas, resultaram em 94 condenações pelo menos de primeira instância até abril, sendo 21 de réus acusados de serem os mandantes e 73 de serem os executores dos homicídios. Os foram contabilizados com base em informações de fontes diversas obtidas pela CPT, como relatos e notas da imprensa. Muitas das mortes sequer resultaram em inquéritos. (Fonte: Glauco Araújo/ G1)

Incêndio em parque florestal no Rio é controlado, dizem bombeiros

Bombeiros do quartel de Realengo informaram que está sob controle o incêndio que atingiu a mata no Parque da Pedra Branca, na Zona Oeste do Rio. Durante o dia, o combate às chamas foi feito com apoio de equipes dos quartéis de Guadalupe e Campinho. Também foi necessário o uso de um helicóptero para apagar o fogo nas áreas de difícil acesso.

Durante o dia, segundo a a assessoria da corporação, havia focos de incêndio entre os bairros de Bangu e Realengo. Ainda segundo bombeiros, os locais são de difícil acesso, o que dificulta o trabalho da equipe. Agentes do Grupamento de Socorro Florestal do Alto da Boa Vista também estiveram no local. (Fonte: G1)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social vai ouvir sociedade para elaborar propostas para a Rio+20

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) vai ouvir esta semana especialistas e representantes da sociedade civil para ajudar a construir a proposta brasileira para a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho de 2012.

Vinte anos depois da Rio 92, ambientalistas do mundo inteiro vão voltar ao Brasil para um novo encontro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre meio ambiente. Mais do que um balanço sobre a implementação de compromissos estabelecidos na conferência de 1992 – como a Agenda 21 e a criação das convenções-quadro da ONU sobre Mudança do Clima e Biodiversidade – a Rio+20 tentará avançar em uma proposta de economia verde que concilie crescimento econômico com baixas emissões de carbono.

Ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, o CDES, mais conhecido como Conselhão, está elaborando uma proposta para subsidiar o posicionamento do governo brasileiro na conferência e, para isso, vai reunir empresários, líderes sindicais, acadêmicos, pesquisadores e organizações não governamentais em um debate que leve a sugestões para uma economia sustentável. Entre os temas, estão energia, mudanças climáticas, inclusão social e combate à fome. A reunião vai ocorrer na próxima terça-feira (30), em São Paulo.

O coordenador de Processos Interacionais do Instituto Vitae Civilis, Aron Berlinki, que vai participar do encontro, diz que o Brasil pode mostrar que é possível conciliar políticas que compatibilizem a inclusão social e o desenvolvimento limpo, com menos emissões de gases de efeito estufa que os países ricos. “Esse potencial o Brasil tem. Mas ainda há uma série de dificuldades práticas para direcionar a atividade econômica numa direção mais sustentável. É preciso corrigir algumas distorções graves, como alguns pontos da política energética”, avaliou.

Segundo Berlinki, a possibilidade de flexibilização das leis ambientais – com as mudanças no Código Florestal – e a opção do governo em continuar investindo em grandes projetos hidrelétricos, em detrimento de outras opções de energias renováveis, pode comprometer a imagem do país como anfitrião da Rio+20. Além do Vitae Civilis, a oficina deve reunir representantes do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, da Confederação Nacional da Indústria, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, entre outros. O Conselhão é um órgão consultivo da Presidência da República. (Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil)

Países dividem tarefas para reduzir emissão de gases na atmosfera

Os quatro países que participaram da Reunião Ministerial de Coordenação entre Brasil, África do Sul, Índia e China (Basic) dividiram tarefas para atingir números desejados na redução de emissões de gases na atmosfera. A decisão foi tomada neste sábado (27), durante a reunião, que foi realizada em Inhotim, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O objetivo é chegar com resultados e propostas convincentes para a 17ª Conferência das Partes da UNFCCC (Cop-17), que acontece em Durban, na África do Sul, entre os dias 28 de novembro e 9 de dezembro. Na reunião, ficou definido que o Brasil vai cuidar do esforço internacional para a mudança do clima; a China vai desenvolver subsídios para a contabilização de esforços para a redução dos gases; a Índia vai ficar por conta das estratégias para aumentar a redução dos gases; e a África do Sul vai cuidar dos aportes financeiros dos países desenvolvidos.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, disse que o grupo de países do Basic adquiriu uma voz respeitosa frente às outras nações. “É importante a confiança mútua, a afinidade e a amizade deste grupo para tomar as decisões”, disse. Durante o encontro, os ministros ressaltaram a importância do Protocolo de Kyoto e defenderam a continuidade de seus objetivos. Eles afirmaram ainda que esperam que o Cop-17 possa atingir um resultado amplo, equilibrado e ambicioso em Durban.

A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, afirmou que a reunião no ponto de vista político foi bem sucedida. “Temos a construção de posições políticas em comum. Esses países vão ter grande responsabilidade nos próximos meses até Durban”, afirmou. O vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, Xie Zhenhua, disse que a crise financeira em alguns países vai interferir na reunião em Durban, mas isso não pode deixar de lado os objetivos da redução da emissão de gases . “Todos os países têm problemas e sempre tiveram. Mas a emissão de gases é um problema do planeta”, falou.

Na reunião também foi discutida a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o Rio+20. Sobre o encontro, os ministros afirmaram que os países do Basic vão ter um papel importante na busca do compromisso em avançar em soluções multilaterais para os problemas globais. O Rio+20 será em maio e junho de 2012, e tem o objetivo de discutir a inclusão social, a preservação do meio ambiente e o crescimento econômico. (Fonte: G1)

Veto a sacolinha eleva venda de saco de lixo

Cidades que proibiram ou firmaram acordos com o comércio para desestimular a distribuição de sacolas plásticas – comumente reutilizadas em lixeiras domésticas – registraram um aumento nas vendas de sacos de lixo. Em Belo Horizonte, que aboliu as sacolas plásticas do comércio em abril deste ano, a venda de sacos de lixo cresceu 15% em média, conforme estimativa da Associação Mineira de Supermercados.

As vendas também cresceram em Jundiaí (a 58 km de São Paulo), que retirou as sacolas plásticas convencionais de circulação após um acordo entre Apas (Associação Paulista de Supermercados), comerciantes e prefeitura, em agosto do ano passado. A associação estima que, por mês, 80 toneladas de sacolas plásticas convencionais deixaram de ser enviadas para aterros sanitários. Por outro lado, o consumo de sacos de lixo no município aumentou em 20 toneladas.

Os números causam impacto direto no bolso do consumidor. Nos supermercados, um pacote com 30 unidades de saco de lixo de 30 litros pode custar entre R$ 15 e R$ 25, a depender da marca.
Para carregar as compras, o consumidor deve usar sacolas biodegradáveis (R$ 0,19 a unidade) ou retornáveis (a partir de R$ 3).

Para o Movimento das Donas de Casa de Minas Gerais, o aumento dos custos alterou o hábito no descarte do lixo. “Estão comprando mais saco de lixo, mas as pessoas também estão se preocupando mais com a preservação ambiental. Alguns, por exemplo, passaram a usar na lixeira sacos de fruta e até papel de jornal”, diz Lúcia Pacífico, presidente da entidade.

Impacto menor – Conforme a Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), os sacos plásticos representam 1,3% de tudo o que é descartado pelos brasileiros. O impacto ambiental dos sacos de lixo é menor porque são produzidos principalmente com material reciclado, segundo especialistas. Já as sacolas plásticas são feitas com matéria primária porque vão armazenar alimentos. O veto às sacolas plásticas, no entanto, desagrada ao setor da indústria da embalagem flexível, que gera 30 mil empregos diretos no país e fatura entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.

A Abief (associação do setor) defende a implementação de campanhas de conscientização sobre o uso sustentável de sacolas plásticas em vez da proibição. Entre 2007 e 2010, o consumo de sacolas no país caiu 22% – de 17,9 bilhões para 14 bilhões – após campanhas promovidas por supermercados, segundo a Abief. (Fonte: Matheus Magenta/ Folha.com)

Bebês podem ajudar a definir melhor idade para aplicação de vacina contra a dengue

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco querem saber como é o comportamento da dengue em bebês. Eles vão acompanhar 400 bebês na capital, Recife, para investigar se algum tipo de vírus da doença incide mais entre os pequenos e por quanto tempo os anticorpos passados pela mãe protegem o bebê.

Os pesquisadores esperam também conseguir informações sobre a faixa etária em que a vacina contra a dengue deve ser aplicada, quando o imunizante estiver disponível no mercado. “Poderemos saber qual a melhor idade para vacinar, porque isso muda de um país para o outro”, disse a epidemiologista Cynthia Braga, coordenadora do trabalho.

Em abril, gestantes passaram a ser recrutadas na maternidade do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, entidade filantrópica que atende à população de baixa renda, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Até agora, 200 mulheres já foram escolhidas. A seleção deve terminar em fevereiro do ano que vem. No dia do parto, os pesquisadores vão colher sangue das mães e do cordão umbilical. Em metade dos bebês, serão coletadas amostras no segundo, sexto e décimo mês de vida. Nas outras 200 crianças, as coletas serão feitas no quarto, oitavo e décimo segundo mês.

Toda vez que os bebês ficarem doentes ou apresentarem febre, o sangue será coletado novamente pelo grupo de pesquisa para checar se estão com dengue. “[A dengue] Pode ser confundida com outras doenças, como uma gripe”, explicou a coordenadora. O acompanhamento vai durar até as crianças completarem 1 ano de vida.

O tema da pesquisa surgiu a partir de estudos feitos em países da Ásia, que apontaram os bebês como as principais vítimas de casos graves de dengue. Nessa região do mundo, acredita-se que o anticorpo da mãe pode sofrer transformação no organismo dos bebês e aumentar o risco de os menores desenvolverem as formas mais agudas da doença, segundo Cynthia Braga. Com o estudo, será possível comparar a reação dos bebês brasileiros com as dos asiáticos.

A coordenadora destaca que os registros no Brasil mostram que os casos graves são frequentes em crianças maiores e adultos. Há, conforme ela, pouca informação sobre a incidência da doença nos bebês daqui.
O último levantamento do Ministério da Saúde, divulgado em julho, constatou que das 310 mortes registradas no primeiro semestre deste ano, 73 foram em menores de 15 anos de idade (23,5%). Dos 8.102 casos graves no mesmo período, foram identificados 2.794 casos em crianças e adolescentes (34%). E, desde 2008, pelo menos 25% dos pacientes internados em decorrência da dengue têm menos de 15 anos de idade. (Fonte: Carolina Pimentel/ Agência Brasil)

Pecuária ainda impulsiona desmate da Amazônia, diz ambientalista

Apesar de todos os acordos entre ambientalistas e ruralistas, e iniciativas do judiciário que ocorreram nos últimos dois anos, o consumidor de carne bovina ainda está longe de evitar que o bife em seu prato seja associado ao desmatamento e outros problemas da Amazônia. Uma reunião nesta quarta-feira (24), em Brasília, revelou que ainda há um longo caminho até o setor conseguir algum tipo de controle efetivo. Os problemas envolvem desde evitar que os rebanhos invadam áreas de floresta, e sejam um vetor do desmatamento, até questões sanitárias, como a qualidade da carne consumida.

O principal indicador de que há algo de errado entre as 220 milhões de cabeças de gado do país são os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esses números apontam que existem oito milhões de couros a mais do que as carcaças registradas como abatidas. Uma quantidade 100% superior ao que era registrada em 2008. “A grande dúvida é para onde foi essa carne. O que revela que foi vendida sem nenhum registro de procedência, e pior, ainda com fortes indícios de evasão fiscal”, diz Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra.

Outro problema foi o fracasso do sistema de rastreio dos bois, do governo federal. O sistema que deveria ser usado, o Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), é pouco acessado pelos produtores. Apenas algumas empresas que exportam o utilizam. “Como não há exigência legal, poucos produtores têm a preocupação em participar. Para ter um controle real da cadeia produtiva seria necessária uma ação envolvendo vários ministérios, principalmente a Fazenda e Meio Ambiente, que é onde há mais fraudes”, diz Leonardo Sakamoto, diretor da organização Repórter Brasil.
“Em 2010 vários representantes dos movimentos sociais entregaram uma carta à Presidência da República para que esse sistema fosse criado, mas nunca houve uma resposta”, complementa Sakamoto.

Regularização – A pressão externa pode ser uma esperança. “A carne é um dos elementos mais importantes para a economia nacional, além de ser a nossa principal commodities de exportação. E a pressão do mercado por maior transparência no setor é cada vez maior, por isso decidimos nos envolver na questão”, afirma o deputado Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara dos Deputados. “A grande questão é compreender quais são as ações do governo necessárias para resolver a questão”.

Apesar do cenário desfavorável, ainda há bons exemplos. No Pará, o movimento Carne Legal – voltado para a conscientização do consumidor – aliado às ações coordenadas pelo Ministério Público Federal e o programa Municípios Verdes, conseguiu mudar o cenário no estado. Foram cadastrados dois milhões de hectares nos principais municípios responsáveis por desmatamento, como Paragominas e São Félix do Xingu.
Programas de ajuste de conduta em frigoríficos e ações judiciais contra bancos que financiavam fazendas com desmatamento ilegal na Amazônia mudaram a realidade local. Apesar de o Estado ainda ser líder ranking do desmatamento segundo medições do Governo Federal e dados do Instituto Homem do Meio Ambiente (Imazon), divulgados no último dia 24, também mostram que o Pará foi o estado que mais apresentou decréscimo nas derrubadas no último mês, com uma queda de 51% na devastação.

“Acreditamos esse conjunto de medidas que apli camos há dois anos possa estar impulsionando essa mudança”, diz Daniel César Azeredo Avelino, procurador da república (MPF/PA). Porém a lentidão das mudanças ainda vai fazer o consumidor final ter que esperar um pouco mais para ter o seu churrasco livre da sombra do desmatamento. “Acredito que em 15 anos a realidade vai ser muito diferente, e podemos ter até 100% da produção controlada e até certificada, como foi com o café“, diz Smeraldi, da Amigos da Terra. “A questão é que para controlar o desmatamento, e outros problemas, seria necessário que isso acontecesse em cinco anos”, complementa.

Mercado – Os representantes dos varejistas que lidam com o consumidor final também afirmam que o processo de mudança do perfil da pecuária no Brasil ainda está em seus estágios iniciais. “A cadeia toda – desde as fazendas até o supermercado – ainda está buscando caminhos. Por isso é impossível falar em prazos”, diz Paulo Pompilio, diretor de relações institucionais do Grupo Pão de Açúcar.

“O que podemos falar são de nossas práticas, onde não compramos de nenhuma fazenda ou frigorífico que tenha alguma ilegalidade”. O grupo também tem um programa que busca rastrear 100% da carne, onde é possível identificar por um código número de qual fazenda veio o bife que vai para o nosso prato, a partir de 27 fazendas certificadas. Porém, a expansão do programa em relação ao montante da carne que é vendida no mercado ainda pequeno. “Não dá para falar em número ainda, mas mesmo assim, vemos que há uma grande receptiv idade do consumidor, o que é um indicador de que esse é um caminho positivo a se seguir e que existe a possibilidade de termos produtos sérios”.

Governo – O Globo Natureza procurou o Ministério da Agricultura para comentar as falhas apresentadas por ambientalistas e entidades do Sisbov, mas não houve retorno. (Fonte: Juliana Arini/ Globo Natureza)

Rio recém-descoberto é ‘reserva’ caso bacia amazônica se esgote, diz pesquisadora

O recém-descoberto rio subterrâneo Hamza, localizado a 4 mil metros de profundidade debaixo do rio Amazonas e medindo 6 mil metros de extensão, tem água potável e pode ser consumida caso, um dia, a água doce da bacia amazônica seque. “Eu acho que o rio Amazonas nunca vai secar, mas se isso acontecer algum dia, as populações da Amazônia podem contar com essa reserva”, relata a pesquisadora amazonense Elizabeth Tavares Pimentel, referindo-se ao rio subterrâneo descoberto durante pesquisas desenvolvidas durante seu doutorado, no Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Com formação em Geofísica, a professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Elizabeth Tavares Pimentel foi responsável por uma das descobertas para relevantes para a ciência nos últimos tempos. A repercussão da divulgação do trabalho, após ser apresentado durante o 12º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio de Janeiro, e divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Observatório Nacional, surpreendeu a pesquisadora.

“Vários jornais do Brasil e do exterior estão me ligando. Ainda não tive tempo para fazer muita coisa hoje (ontem)”, disse Elizabeth ao portal acrítica.com, em entrevista por telefone, do Rio de Janeiro.

Contribuição – Conforme Elizabeth, a curto e médio prazo, a contribuição científica da descoberta é que os estudos sobre o ciclo hídrico poderão levar em consideração o fluxo do rio Hamza – o nome é uma homenagem ao orientador de Elizabeth, Valyia Hamza. “Quando se fala nos ciclos se recorre à chuva, aos lençóis freáticos, aos aquíferos. Todos eles deságuam no oceano Atlântico. Os estudos deste ciclo não inclue, até então, o rio subterrâneo”, explicou a pesquisadora. Uma hipótese sugerida tanto por Elizabeth quanto por Valyia Hamza é que o rio subterrâneo também seja responsável pela baixa salinidade encontrada no Oceano Atlântico.

Vazão – De acordo com as pesquisas desenvolvidas pelos dois cientistas, o modelo adotado para a análises identificou que o rio Hazam tem 3, 09 mil metros cúbicos por segundo. Essa vazão é superior ao rio São Francisco, que possui 2, 8 mil metros cúbicos. O Amazonas possui 133 mil metros cúbicos por segundo.
“Esse valor é pequena em relação à vazão do Rio Amazonas, mas é indicativo de um sistema hidráulico subterrâneo, gigantesco. Basta notar que a vazão subterrânea na região Amazônica é superior à vazão média do Rio São Francisco”, disse Elizabeth.

A profundidade de 4 mil metros do rio Hamza também impressiona. Para se ter uma ideia, o rio Amazonas tem uma profundidade que varia de um metro (nas áreas mais rasas) a 50 e 100 metros. Outra característica do rio Hamza é a sua largura. Enquanto o rio Amazonas tem de 1 a 100 quilômetros de largura, o Hamza possui de 200 a 400 metros de quilômetros.

Campo – Bolsista da Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), Elizabeth Pimentel Tavares, que á natural do município de Parintins, tem previsão de concluir sua pesquisa em fevereiro de 2012. Os estudos desenvolvidos por Elizabeth Tavares Pimentel foram baseados em dados nos resultados das perfurações realizadas pela Petrobrás nos anos 70 e 80 quando a empresa realizava pesquisas para localizar petróleo. “A investigação começou com bases em temperaturas realizadas em águas de poços profundos. Estes dados da Petrobrás estavam arquivados. A gente observou que havia muita movimentação de fluidos e resolveu aplicar um modelo analisar”, explica.

Conforme a pesquisadora, a análise da vazão do fluxo mostrou que seria de bacias sedimentares na mesma extensão do rio Amazonas. “A gente nem imaginava que iria resultar nisso. Fomos analisando os dados e resultados foram estes”, disse.

Por enquanto, as informações obtidas a partir das perfurações equivalem a uma extensão iniciada na bacia do Estado do Acre, passando pelo rio Solimões e Amazonas, no Estado do Amazonas, rio Marajó, passando pelas chamadas barreirinhas e vai até a foz do rio que deságua no Oceano Atlântico. Pesquisas posteriores podem identificar se este rio subterrâneo também nasce na Cordilheira dos Andes, como é o caso do rio Amazonas. O trabalho de campo de Elizabeth começa no próximo mês, quando ela fará pesquisa nas temperaturas em poços em todos os Estados da bacia Amazônica. Os dois primeiros serão Roraima em Amazonas. Elizabeth disse que pesquisa para alcançar o rio subterrâneo exige demanda muito elevada de recursos financeiros e, no momento, não será possível de ser realizada. (Fonte: Fonte: A Crítica/AM)

Golfinhos que ‘pescam’ com conchas surpreendem cientistas

Pesquisadores acreditam que um método de pesca com conchas pode estar se espalhando entre a população de golfinhos de Shark Bay, no Oeste da Austrália. Os cientistas fotografaram golfinhos-nariz-de-garrafa do Indo-Pacífico (Tursiops aduncus) pegando conchas com o bico e as sacudindo no ar fazendo com que a água saísse de dentro delas, assim como os peixes que estavam escondidos ali.

O pesquisador Simon Allen, da Universidade de Murdoch, diz que o comportamento – raramente visto anteriormente – parece estar se tornando mais frequente na região. E enquanto outras técnicas de pesca usadas por golfinhos são geralmente ensinadas verticalmente, de mãe para filhos, o uso de conchas pode estar sendo passado entre golfinhos do mesmo grupo.

“Se realmente estamos testemunhando a difusão horizontal deste comportamento, eu assumiria que isso acontece quando um golfinho observa atentamente um companheiro golfinho pescando com conchas e aí imita o comportamento”, diz Allen. “Há uma fascinante possibilidade de que esse comportamento possa se espalhar diante de nossos olhos, ao longo de algumas pesquisas de campo, e de que possamos registrar essa difusão.”

Comportamento raro – Os golfinhos de Shark Bay só haviam sido vistos levando conchas nos bicos cerca de cinco vezes durante 25 anos de pesquisas na região, mas ninguém havia conseguido explicar o comportamento.

Entre 2007 e 2009, pesquisadores da Universidade de Murdoch e da Universidade de Zurique observaram que os golfinhos estavam tentando pegar peixes escondidos dentro das conchas. Durante os quatro meses de pesquisa de campo, em 2011, em Shark Bay, os cientistas conseguiram registrar o comportamento em pelo menos seis diferentes oportunidades. Agora, eles querem descobrir exatamente como os golfinhos usam as conchas.

“Ainda não sabemos se os golfinhos simplesmente seguem os peixes até que eles procurem refúgio em uma grande concha ou se os golfinhos chegam a mexer nas conchas anteriormente, talvez as virando com a abertura para cima com o objetivo de torná-las mais ‘atraentes’ para os peixes como um lugar de esconderijo”, diz Allen. (Fonte: G1)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ex-ministros pedem ao Senado mudanças no novo Código Florestal clipping

Os quatro últimos ministros do Meio Ambiente foram ao Senado na manhã desta quarta-feira (24) defender mudanças no novo Código Florestal. O texto, de autoria do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi aprovado em maio pela Câmara dos Deputados, na primeira derrota do governo Dilma no Congresso.

Deputados da base aliada, principalmente do PMDB, foram contrários ao texto defendido pelo governo. A senadora Kátia Abreu (TO), líder da bancada ruralista, afirmou no início do mês que o Senado deve aprovar o texto até outubro, e que a tendência é não haver mudança quanto ao mérito – apesar das emendas apresentadas. A senadora, que também preside a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), saiu do DEM para se filiar ao PSD.

Compareceram à audiência pública José Sarney Filho (o Zequinha Sarney, ministro entre 1999 e 2002), José Carlos Carvalho (ministro entre março e dezembro de 2002), Marina Silva (entre 2002 e 2008) e Carlos Minc (entre 2008 e 2010). Encontro similar havia sido feito na Câmara antes da votação no plenário.
Os ex-ministros repetiram as críticas à anistia aos desmatamentos feitos até 22 de julho de 2008 e à possibilidade de a recomposição da reserva legal poder ser feita em Estado diferente daquele onde houve o desmatamento.

Também foram alvo de reclamações a diminuição da proteção aos mangues e as chamadas incongruências no texto do novo código, que levariam à “insegurança jurídica”. “Estamos perdendo a chance de fazer uma revolução no uso da terra”, afirmou Carvalho. Para o ex-ministro, o texto em tramitação no Senado repete “os mesmos erros das legislações anteriores” ao focar nos mecanismos de comando e controle pelo governo e deixar para os incentivos aos produtores “um caráter declaratório”. Sarney Filho, que também é deputado federal pelo PV, criticou duramente a aprovação do texto na Câmara. “A maioria dos que votaram não sabia o que estava votando. As audiências públicas eram todas dirigidas, controladas por aqueles que queriam flexibilizar a lei.”

A ex-senadora Marina Silva citou uma pesquisa do Datafolha para dizer que 80% dos brasileiros não concordam com o texto atual novo Código Florestal. Ela também disse “confiar que a presidente Dilma irá vetar qualquer dispositivo que implique anistia aos desmatadores ou diminuição da reserva legal”. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) presidiu a sessão, de relatoria de Acir Gurgacz (PDT-RO). Gurgacz mencionou os trabalhadores que receberam incentivos do governo para morar e cultivar na Amazônia e, portanto, desmatar.

“O que fazer com as famílias que estão em Rondônia? Nós temos que nos preocupar com o ser humano, com as pessoas que foram incentivadas pelo governo a deixarem seu estado de origem, já estão produzindo há tempos e eventualmente podem ser prejudicados”, afirmou. Apesar de os parlamentares presentes à audiência pública dizerem mais de uma vez não se tratar de um embate entre ruralistas e ambientalistas, era possível notar a polarização entre proteção ao ambiente e produção agrícola nas falas. Todos consideraram consenso, entretanto, a necessidade de o novo Código Florestal aumentar a proteção e os incentivos aos pequenos produtores. (Fonte: Nádia Guerlenda/ Folha.com)

Políticas da bioeconomia

A importância das políticas públicas para a chamada bioeconomia, baseada no desenvolvimento e crescimento econômico, ambiental e socialmente sustentável, foi um dos temas debatidos em mesa-redonda na Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference – BBEST), realizada de 14 a 18 de agosto em Campos do Jordão (SP).

A mesa foi mediada por Carlos Américo Pacheco, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Participaram das discussões Luuk Van Der Wielen, professor do Departamento de Biotecnologia da Faculdade de Ciências Aplicadas da Delft University, da Holanda, Luiz Augusto Horta, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Marcelo Poppe, assessor técnico do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), e Sharlene Weatherwax, diretora associada de ciências biológicas e pesquisa em meio ambiente do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE).

Wielen falou sobre o contexto europeu, em que a indústria e os transportes são fontes importantes de emissões de gases de efeito estufa (GEEs) e onde não há as “tremendas possibilidades” existentes no Brasil em termos de recursos naturais a serem explorados para desenvolver a bioeconomia. Ele citou a importância das colaborações internacionais em pesquisa e desenvolvimento, como a cooperação entre o programa BE-Basic, do qual ele é um dos líderes, e a FAPESP, que acabam de lançar uma chamada conjunta no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

O BE-Basic é um consórcio público-privado holandês formado por universidades holandesas, instituições científicas e empresas e que recebem apoio dos ministérios holandeses para projetos de pesquisa dentro das linhas estabelecidas pelo Programa BE-Basic, cujo foco é o investimento em pesquisas que desenvolvam soluções de base biológica para uma sociedade sustentável. Os investimentos do BE-Basic entre 2010 e 2015 devem ser de € 200 milhões. Na fase anterior do programa (2004-2010), as atividades estavam centradas nas pesquisas em laboratório e em escalas de planta-piloto. Agora, as pesquisas avançaram para as escalas de planta demonstração e plantas em escala comercial. 

Horta, da Unifei, defendeu a participação do Estado em pesquisa e também na comercialização dos combustíveis feitos de fontes renováveis. Uma das ações que caberia aos governos é criar especificações para os biocombustíveis. “É um grande desafio harmonizar as diferentes perspectivas de produtores, consumidores e defensores do meio ambiente”, afirmou.

Ele também lembrou que o sistema de impostos e taxas sobre os combustíveis faz grande diferença. Citou que recentemente alguns países reduziram as taxas que recaem sobre o petróleo, citando o México como exemplo, o que dificulta a realização de programa de biocombustíveis. Marcelo Poppe apresentou vantagens sociais, ambientais e econômicas da produção do etanol brasileiro e deu destaque para as transformações do setor sucroalcooleiro, que deixa de ser produtor agrícola de cana-de-açúcar para se transformar em empresa de energia, com geração de produtos de maior valor agregado, como o etileno e os hidrocarbonetos.

O assessor do CGEE citou a diversificação do uso do etanol no Brasil, que tem motos, ônibus e aviões de pequeno porte movidos pelo biocombustível.

Poppe falou também sobre as redes de inovação existentes no Brasil apoiadas pelo governo federal, envolvendo universidades, institutos de pesquisa públicos e centros privados de pesquisa e desenvolvimento, como as redes de bioetanol e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (INCT), formado atualmente por 29 laboratórios de cinco centros de pesquisa, e a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa), que reúne cientistas de nove universidades federais dedicados ao estudo e desenvolvimento de novas variedades de cana para a indústria sucroalcooleira. A 1st BBEST teve apoio da FAPESP, BIOEN-FAPESP, CNPq, Capes, CTBE, Unica, Braskem, Embraer, BP Biofuels Brazil, Monsanto e Oxiteno. (Fonte: Janaína Simões/ Agência Fapesp)

Forte terremoto atinge o Peru próximo à fronteira com o Brasil

Um forte terremoto de magnitude 7 atingiu o Peru nesta quarta-feira (24), segundo o Serviço Geológico dos EUA. O tremor ocorreu próximo à fronteira com o Brasil, segundo a agência americana que monitora tremores de terra. O tremor ocorreu às 12h46 locais (14h46 de Brasília), a uma profundidade de 145,1 quilômetros, em uma região pouco povoada do país.

O epicentro foi a 82 quilômetros da cidade peruana de Pucallpa, de 200 mil habitantes, e a 210 quilômetros da cidade brasileira de Cruzeiro do Sul, no Acre. Ambas as cidades ficam na região da floresta amazônica.
Prédios tremeram na capital, Lima, a 567 quilômetros do epicentro, segundo testemunhas.

O tremor também foi sentido em outras localidades peruanas, segundo a imprensa local. Algumas comunicações telefônicas foram interrompidas, mas não há informações sobre vítimas ou danos. “Não houve relatos de casas caindo, mas houve problemas com comunicações telefônicas”, disse Guillermo Alvizuri, da Defesa Civil do Peru, em entrevista a uma rádio local.

Hernando Tavera, chefe do Instituto Geofísico do Peru, disse que, por conta da profundidade, o tremor não deve ter causado danos fortes. Segundo ele, foi o terremoto mais forte a atingir o país neste ano, e deveu-se a um descolamento da placa tectônica de Nasca. O terremoto também foi sentido no Acre, segundo laboratório de sismologia da UFRN. Mas também não havia relato de danos.

Inicialmente, o Serviço Geológico dos EUA calculou o tremor na magnitude 6,7, depois aumentou para 6,9, 6,8 e depois finalmente 7. O abalo foi seguido por um tremor secundário de magnitude 5,3, ocorrido às 13h16 locais (15h16) de Brasília. (Fonte: G1)

Sistema de meio ambiente exige fiscalização integrada, diz ministra

A ministra Izabella Teixeira afirmou nesta quarta-feira (24) que o sistema de meio ambiente exige ação fiscalizadora integrada, não se limitando aos órgãos ambientais. Ela esteve em audiência pública conjunta da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e da Comissão de Agricultura, na Câmara dos Deputados. A reunião tratou de denúncias de ocupação ilegal de áreas de proteção ambiental divulgadas em 31 de julho pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Também participou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence.

Izabella Teixeira respondeu sobre a estrutura de fiscalização do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) – que articula a União, estados e municípios para a proteção ao meio ambiente no País.
A ministra esclareceu sobre a estrutura de fiscalização ambiental, que em muitos casos atua “em caráter supletivo”, referindo-se ao fato de não caber somente à União as ações para a proteção ao meio ambiente.
Ela enfatizou o papel do Ibama e da Comissão de Combate aos Crimes Ambientais na coordenação de ações de fiscalização, mas reiterou a necessidade de parcerias. “Trabalhar na vigilância permanente e preventiva envolve Batalhões Florestais, Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência, Polícia Rodoviária Federal, Exército e, como no Gabinete de Crise, polícias dos estados, Militares, Civis e também aos municípios, se tiverem força de fiscalização”.

Reportagem - “A responsabilidade direta e imediata pelo acompanhamento dos eventos citados na reportagem é, em sua maioria, dos órgãos estaduais e municipais, mesmo que sob normas gerais estabelecidas pela legislação federal”, enfatizou Izabella, e comentou uma a uma as ocupações ilegais divulgadas no programa.

APA Tamoyos – A primeira das denúncias a ser respondida foi sobre a construção de uma mansão de 1.750 m², por Antônio Cláudio Brandão, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoyos, unidade de conservação ambiental criada na faixa de marinha do município de Angra dos Reis (RJ).
A ministra enfatizou que a mansão foi construída em contradição à determinação do Plano de Manejo da APA, que limitava em 255m² as ampliações do imóvel. A decisão estadual provocara embargo da obra por parte do Ibama e aplicação de multa no valor de R$ 1 milhão. Além disso, o Ministério Público Federal pediu a sua demolição. O processo tramita na Justiça.

Aldeia da Baleia – O condomínio, localizado no município de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, tem processo aberto na Secretaria de Meio Ambiente do estado, em razão do Auto de Infração Ambiental n° 17544/2000 por desmatamento e aterros considerados irregulares. Em consequência disso, no ano seguinte, foi assinado Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental.

Descumpridos os compromissos, em 2005, o Ministério Público abriu processo, que está em tramitação. Em maio deste ano, foi aberta Ação Civil Pública contra a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, governo do estado e o empreendedor (KPB Empreendimento Imobiliário SPE Ltda e Sundays Participações) devido a novas irregularidades na região.
Izabella esclareceu ao presidente da Comissão de Fiscalização Financeira, Sérgio Brito, e aos deputados, que as informações foram obtidas por meio de órgãos estaduais não vinculados ao Ministério do Meio Ambiente. A Cetesb informou que nenhuma autorização de supressão de vegetação será concedida até a conclusão do processo Judiciário.

“As áreas que se referem ao condomínio Aldeia da Baleia não são unidades de conservação, mas Áreas de Preservação Permanente (APPs), previstas pelo Código Florestal”, enfatizou a ministra aos deputados ue participaram da audiência pública. A legislação determina que se constituem como APPs, por exemplo, as margens de rios e encostas de montanhas.

Rio Preguiças – Localizadas na margem direita do Rio Preguiças – “lembrando que a zona de amortecimento do Parque Nacional Lençóis Maranhenses limita-se à margem esquerda do rio”, esclareceu Izabella Teixeira – as construções irregulares, em área de preservação permanente, vêm sendo autuadas pelo Ibama desde 2004, com embargos e ordens de demolição. O MMA chama a atenção para o fato de que o Fantástico não divulgou as obras paralisadas por embargos e a fiscalização feita pelo Instituto Chico Mendes, que foi acompanhada por repórteres da Globo.

Saco de Mamanguá – Localizada em Paraty, no Rio de Janeiro, a casa de Alexandre Negrão está na Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, unidade de conservação de uso sustentável federal que se sobrepõe à Reserva Ecológica Estadual de Joatinga, cujo decreto de criação, de outubro de 1992, interdita novas edificações em seu interior. Portanto, a moradia não é passível de regularização ambiental. Por esse motivo, o pretenso proprietário foi multado pelo Ibama e também pelo órgão estadual em cerca de R$ 1 milhão, e é alvo de ações na Polícia Federal e no Judiciário, para a demolição do imóvel.

Servidores - Ainda respondendo questões das comissões da Câmara dos Deputados, a ministra citou números dos 4 mil funcionários do ICMBio – sendo 2 mil brigadistas contratados para combater incêndios e queimadas, que ajudam na vigilância permanente das áreas protegidas do País. Além de 1,3 mil fiscais do Ibama, com 900 analistas ambientais qualificados para serem fiscais. (Fonte: MMA)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Degradação da camada de ozônio é detectada sobre a Antártica


Alguns sinais de degradação na camada de ozônio que cobre a região da Antártica começaram a ser detectados, mas o grau de perda para 2011 tende a ser igual ao da média da década passada, segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês). A entidade alertou, porém, que ainda é cedo para fazer previsões exatas sobre o nível de degradação para o fim do ano, informou a Agência Ansa.

A Organização Meteorológica Mundial divulgará um relatório nos próximos meses com as medições feitas desde janeiro. Ela explicou que, na região da Antártica, o buraco na camada de ozônio é recorrente nas estações de verão e inverno devido às temperaturas extremamente baixas registradas na estratosfera acima do continente polar e por causa da presença de substâncias que catalisam o processo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), apesar da redução global da emissão de substâncias químicas que degradam a camada de ozônio, elas perduram na atmosfera por muito tempo e demora décadas para que as concentrações voltem ao nível ideal. (Fonte: Portal Terra)

Desmatamento da Amazônia Legal cai 40% em julho, segundo Imazon

O desmatamento na Amazônia Legal em julho de 2011 caiu 40% em comparação ao mesmo mês de 2010, mas nos últimos 12 meses a devastação do bioma cresceu 9%, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que faz um monitoramento paralelo ao oficial da cobertura florestal da região.
Segundo os dados divulgados nesta terça-feira (23), no mês passado a floresta perdeu uma área de 93 km², cinco vezes o tamanho da Ilha de Fernando de Noronha. Deste total, 41% ocorreu no Pará, seguido de Mato Grosso (23%), Rondônia (18%) e Amazonas (14%).
A queda no desmatamento também foi percebida pelo sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em julho passado, 224,9 km² de floresta foram derrubados na região no período, número 54% menor que o índice do mesmo mês de 2010.
De acordo com a pesquisadora Sanae Hayashi, do Imazon, o Pará foi o estado que mais apresentou decréscimo no último mês (queda de 51% na devastação), seguido de Mato Grosso (redução de 40%).
“Desde que foi detectado o avanço na destruição da floresta (em meados de março e abril), sentimos uma desaceleração no ritmo do desmatamento. Operações federais e programas que combatem a pecuária em áreas ilegais e a venda de madeira extraída de forma clandestina parecem ter dado algum resultado”, disse.
Balanço anual – No acumulado do ano (medição feita entre agosto/2010 a julho/2011), a floresta amazônica perdeu um total de 1.627 km², área maior que o tamanho da cidade de São Paulo. O montante é 9% superior ao número detectado pelo Imazon entre agosto/2009 e julho/2010.
Entretanto, a pesquisadora da organização ambiental alerta que os números de devastação poderão ser maiores. A confirmação ocorrerá apenas em meados de outubro, com os dados do Prodes, divulgados pelo Inpe e utilizados pelo Ministério do Meio Ambiente como dados oficiais.
No período de agosto/2009 a julho/2010, o Prodes identificou a perda de 6.451 km² de cobertura vegetal da Amazônia. “A nossa expectativa é que ocorra aumento. O governo tem que abrir os olhos e continuar com a fiscalização pesada, principalmente nestes meses de seca na Amazônia e com grande ocorrência de queimadas”, disse Sanae. (Fonte: Globo Natureza)

Gelo e metano são encontrados em planeta anão


Astrônomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, na sigla em inglês) descobriram que o planeta anão 2007 OR10 – o Branca de Neve – é um mundo gelado, com cerca de metade de sua superfície coberta de gelo, que pode ter sido derivada de erupções vulcânicas. Também observaram que o planeta anão tingido de vermelho pode ser coberto por uma fina camada de metano.
“Você começa a ver esta bela imagem do que já foi um mundo pequeno ativo com vulcões e uma atmosfera, e é agora apenas algo congelado, morto, com uma atmosfera que está lentamente desaparecendo”, diz Mike Brown, professor de astronomia planetária e autor principal de um artigo a ser publicado no Astrophysical Journal Letters.
O planeta anão – Branca de Neve, que foi descoberto em 2007 por Meg Schwam, orbita o Sol na borda do Sistema Solar e é aproximadamente metade do tamanho de Plutão, o que o torna o quinto maior planeta anão conhecido. Na época, Brown tinha suposto que o planeta anão era um corpo gelado que tinha quebrado ao colidir com outro planeta anão chamado Haumea, sendo então apelidado de Branca de Neve em função de sua cor presumida.
Observações posteriores revelaram que Branca de Neve não é branco e sim um dos mais vermelhos objetos do Sistema Solar. Além disso, foi verificado que sua superfície estava coberta de gelo de água. “Isso foi um grande choque”, diz Brown. “Gelo de água não é vermelho”. Ainda que seja comum gelo no Sistema Solar, ele é quase sempre branco.
Quaoar, descoberto em 2002 também com a ajuda de Brown, é outro planeta anão que é vermelho e coberto de gelo de água. Ligeiramente menor do que o Branca de Neve, ele ainda é grande o suficiente para ter tido uma atmosfera e uma superfície coberta de vulcões. Contudo, não poderia manter compostos voláteis – como metano, monóxido de carbono ou nitrogênio – por tanto tempo.
“Essa combinação vermelho-e-água é que me disse: metano”, explica o pesquisador.
O último suspiro de Branca de Neve – “Estamos basicamente olhando para o último suspiro de Branca de Neve. Por 4,5 bilhões de anos, Branca de Neve tem estado sentado lá fora, perdendo lentamente a sua atmosfera e agora existe apenas um pouco dela à esquerda”, afirma Brown.
Embora Branca de Neve mostre claramente a presença de gelo de água, a evidência da existência do metano ainda não é definitiva. Para descobrir, os astrônomos terão de usar um telescópio maior. Outra tarefa, diz Brown, é dar ao planeta anão um nome oficial, uma vez que Branca de Neve foi apenas um apelido, que agora não faz mais sentido para descrever esse objeto muito vermelho. (Fonte: Portal Terra)