quinta-feira, 6 de outubro de 2011

De empresários a catadores todos querem uma solução para os resíduos sólidos

Em dois dias de intensos debates na 2ª Audiência Pública realizada na região Sul sobre o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, representantes da sociedade civil, dos catadores e dos empresários do setor discutem cada proposta do documento-base, elaborado pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA e fundamentado no diagnóstico da atual situação dos resíduos sólidos no Brasil, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em Curitiba (PR), o grupo que trata sobre resíduos sólidos urbanos e inclusão dos Catadores de Materiais Recicláveis reflete o grande interesse dos participantes pelos temas apresentados.

Todos querem aprofundar informações sobre temas como logística reversa, responsabilidade compartilhada, sobre o fim dos lixões previsto para 2014, sobre os aterros sanitários, reciclagem, novas tecnologias, educação ambiental e resíduos perigosos. Os debates ampliam divergências, mas também aproximam visões de mundo antes antagônicas. Os catadores, por exemplo, reivindicam ações governamentais para que o processo de inclusão seja mais rápido. Os empresários esperam a entrada no mercado de novas tecnologias que possam garantir uma maior eficiência aos negócios.

O catador gaúcho, de Novo Hamburgo, Podalírio de Souza, na atividade há 18 anos, quer que o Governo olhe mais pelo setor. Segundo ele, no momento, as ações pró-catador estão meio lentas. “Há dois anos, a gente teve um grande salto. O pessoal da minha cooperativa, por exemplo, passou de uma renda de cerca de R$ 200 por mês para R$ 1.600″.

Podalírio afirma que a vida dos catadores melhorou depois da veiculação da campanha “Separe o lixo e acerte na lata”. Para ele, também é muito importante o Governo Federal propiciar o debate sobre o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. “Acredito muito nessa iniciativa. Estou aqui representando meus companheiros da cooperativa. Tudo que eu aprender aqui vou repassar a todos”, disse.

O gestor Cláudio Caneshi, representante da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável de Santa Catarina, acredita que a audiência é muito válida porque é uma oportunidade de uma intensa troca de ideias. De acordo com ele, o tema resíduos sólidos vem mexendo muito com a população brasileira, despertando um interesse incomum entre as pessoas. “Por isso, o Governo tem que tomar providências para propor ações para o setor”.

O secretário de Meio Ambiente de Candiota, município localizado na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, Haroldo Quintana, diz que está participando do processo das audiências públicas porque busca informações com relação aos aterros sanitários, principalmente no que diz respeito ao financiamento para a construção de centros de triagem. Ele também acredita que o momento é essencial para a troca de informações entre Governo e sociedade. “Agora, as pessoas estão começando a ter conhecimento sobre as questões do meio ambiente. As informações estão se expandindo "Hoje, todo mundo discute sobre resíduos”.

Quintana quer que o Governo Federal explique porque os aterros privados dão certo e os aterros públicos acabam se transformando em lixões. Ele sabe que a resposta está na forma de gestão do empreendimento, mas espera uma posição dos governantes. Ele também sugere a criação da figura dos agentes ambientais nos municípios com menos de 20 mil habitantes, onde não existe a figura do catador.

O empresário Rubens Maluf Dabul, do Instituto Sociambiental Brasil, de Curitiba, acha a iniciativa das audiências excelente. Ele, no entanto, acredita que os principais atores do setor (empresariado) não sabem o que estão sendo debatidos no evento. “A preocupação maior é relativa às novas tecnologias que estão entrando no mercado”, disse. Ele, no entanto, diz que a solução para os problemas dos resíduos está neste tipo de iniciativa.

Calendário - A consulta pública na região Sul termina nesta quarta-feira (5/10). As próximas serão realizadas em São Paulo (Sudeste), nos dias 10 e 11/10; em Recife (Nordeste), 13 e 14/10; e em Belém (Norte), 18 e 19/10. (Fonte: Suelene Gusmão/ MMA)

Animais estão encolhendo devido à mudança climática

Os efeitos da ação humana sobre o ambiente, que provoca a mudança climática, são conhecidas. Entre elas, pode-se citar o degelo acelerado no Ártico e a intensificação das chuvas e dos incêndios. Agora, cientistas analisam como os animais estão sendo afetados.

Um estudo recente, publicado na edição online “The American Naturalist”, indica que as altas temperaturas podem fazer com que determinadas espécies “encolham”. A consequência imediata é que a reprodução é comprometida, com menos crias nascendo, e uma provável alteração de toda a cadeia alimentar.

Essa relação entre o tamanho e as alterações na temperatura, já comprovada anteriormente, mas nunca explicada totalmente, afeta somente os animais de sangue frio – como insetos, crustáceos, peixes, anfíbios e répteis -, que dependem de fontes externas de aquecimento como a luz do sol para se manterem aquecidos.

A pesquisa foi feita com 34 tipos de crustáceos copépodes, pelo doutorando Jack Forster, da Universidade de Londres. Segundo ele, as criaturas diminuíram uma média de 2,5% para cada um grau Celsius elevado.

Forster diz que esse fenômeno mudaria a cadeia alimentar em duas frentes. Menores, os animais de sangue frio passariam a comer outras espécies. Por sua vez, quem está acima deles na cadeia alimentar teria que gastar mais tempo procurando comida para obter a quantidade suficiente. Ou seja, a codependência entre as espécies seria mudada e levaria um tempo para se adaptarem. (Fonte: Folha.com)

Cometas podem ter trazido água para a Terra

A origem da água na Terra sempre gerou debate entre os pesquisadores. Nos anos 1960, imaginava-se que os cometas poderiam ser a origem da água no planeta, mas dados obtidos pela sonda espacial Giotto ao passar pelo cometa Halley em 1986 alteraram essa percepção. No entanto, uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (5) no periódico científico Nature retoma a visão da década de 1960, considerada ultrapassada.

Liderado por Paul Hartogh do Instituto Max Planck na Alemanha, o trabalho analisou pela primeira vez a relação entre a quantidade de deutério (também chamado hidrogênio pesado) e hidrogênio em um cometa da chamada família de Júpiter, um grupo dos corpos celestes que teve sua órbita modificada pelo planeta gigante.

“Observamos pela primeira vez um cometa desta família que, acredita-se, tenha se originado no cinturão de Kuiper [que começa depois de Netuno]. Descobrimos que a relação entre deutério e hidrogênio no cometa que observamos (o 103P/Hartley 2) é exatamente a mesma que existe nos oceanos da Terra. Logo, sim, os cometas podem ser mesmo a fonte de água na Terra ou ao menos podem ser responsáveis por boa parte dela”, explicou Hartogh ao iG.

Pode parecer estranho, mas, no início, a Terra era um local seco devido às altas temperaturas que faziam com que substâncias voláteis evaporassem. Até agora, acreditava-se que asteroides haviam cumprido a missão de trazer água a maior parte da água para a Terra ao colidir com ela há cerca de 3,9 bilhões de anos – a relação deutério/hidrogênio dos asteroides se encaixa perfeitamente na que é encontrada na Terra.

Os cometas haviam sido deixados de lado pois esta mesma relação não batia para eles. A questão toda é que os seis cometas analisados até este estudo vinham de uma outra região do sistema solar, da chamada nuvem de Oort (uma região que está mais distante ainda do que o cinturão de Kuiper). “Nossa descoberta vai ajudar, por exemplo, a aperfeiçoar nosso modelo de evolução do sistema solar”, afirmou Hartogh. E completou: “O próximo passo da pesquisa será tentar detectar essa relação deutério/hidrogênio em um número maior de cometas, especialmente os da família de Júpiter”.

Os dados analisados no estudo foram obtidos pelo observatório espacial Herschel há cerca de um ano quando o Hartley 2 passou “perto” da Terra e permitiu que os instrumentos dele captassem as informações. (Fonte: Alessandro Greco/ Portal iG)

Conama receberá parecer pela regulamentação de retardantes para combate a incêndios florestais

A diretora de Qualidade Ambiental na Indústria do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Sergia Oliveira, apresentará nesta quinta-feira (6) um parecer que, caso seja acatado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), possibilitará o uso de retardantes de chamas no combate a incêndios florestais a partir de 2012. No documento, a diretora vai pedir a regulamentação dos retardantes e sugerir que estudos sobre o impacto desse produto no meio ambiente sejam desenvolvidos.

A falta de uma lei específica sobre retardantes de chamas deixou algumas entidades que atuam no combate ao fogo, como o Corpo de Bombeiros e a própria Força Aérea Brasileira (FAB), receosas quanto ao seu uso, conforme apurou a Agência Brasil. E isso acabou prejudicando o combate aos incêndios florestais que assolaram o país em 2011.

Constituídos basicamente de água, argila e alguns aditivos químicos que mantêm a umidade da água por mais tempo, os retardantes podem ser uma ferramenta de grande utilidade para o combate de incêndios florestais. Sua aplicação não é feita diretamente nas áreas onde o incêndio já esteja ocorrendo, mas nos arredores, a fim de evitar que o fogo se alastre. “O problema é que não há nenhum tipo de regulamentação desse produto no Brasil e nem legislação que aponte qual seria o órgão responsável por autorizar ou não o uso em situações como as de combate a incêndios florestais”, explicou Sergia Oliveira à ABr.

No documento a ser apresentado pela diretora, constará que a regulamentação é importante inclusive para possibilitar a identificação de problemas que esse tipo de produto pode causar ao meio ambiente. “A regulamentação é importante até mesmo para, posteriormente, solicitarmos estudos sobre o impacto que as diversas variações de retardantes têm sobre os ambientes e para identificarmos ponderações individuais de cada produto”, argumentou a diretora. “Como ainda não existe nenhum tipo de classificação [para os retardantes], seu uso é ainda proibido no Brasil”, acrescentou.

Para o coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Márcio Freitas, a falta de lei, ao contrário do que disse Sergia, “acaba possibilitando o uso do produto”, o que, segundo ele, é ainda mais preocupante. “Os retardantes podem, sim, ser usados. Não há nada que impeça isso, já que não temos nenhuma lei proibitiva. Isso representa um grande risco porque sabemos que há, entre eles, diversos produtos com as mais variáveis composições químicas e potenciais de dano. Por isso, a regulamentação é extremamente necessária até para catalogar esses produtos”, disse Freitas.

“Foi por esses motivos que preparamos e enviamos ao Conama uma minuta de resolução, visando a preencher essa lacuna da legislação”, acrescentou. A minuta, que sugere o Ibama como órgão responsável pela análise e autorização de uso dos retardantes, foi enviada em novembro de 2010. Desde então, foi discutida por diferentes autoridades do MMA, até chegar à mesa da diretora Sergia Oliveira.

Segundo ela, o parecer será finalizado amanhã e a questão retornará ao Conama, que poderá optar por mandá-lo para avaliação jurídica ou acionar o Ibama, na busca de uma formatação final antes de ir à plenária. “Há também a possibilidade de ele [o parecer] retornar à diretoria, pedindo a imediata execução.” (Fonte: Pedro Peduzzi/ Agência Brasil)

BNDES libera R$ 297 mi para parques eólicos na Bahia

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou ontem financiamento de R$ 297,4 milhões para instalação de cinco parques eólicos no interior da Bahia.

Ao todo, o banco já aprovou projetos para 70 parques eólicos no país, no valor de R$ 4,5 bilhões e capacidade instalada de 1.500 MW. As novas unidades fazem parte do complexo de 14 centrais eólicas vencedoras do 2º Leilão de Energia de Reserva, realizado em 2009, e são controladas pela Renova Energia S/A. Nove já haviam obtido financiamento do BNDES no ano passado.

“A energia eólica, as energias alternativas no geral, estão entre as prioridades do BNDES. Tirando a linha de inovação e a linha social, elas contam com as melhores condições de financiamento”, disse Luiz André Sá D’Oliveira, gerente do departamento de energias alternativas do banco. As novas usinas, instaladas nos municípios de Igaporã e Guanambi, terão potência total de 98,8 MW. O aporte do BNDES responderá por 70% do valor total do projeto, de R$ 423,3 milhões.

O financiamento será concedido a cinco SPEs (Sociedades de Propósito Específico), responsáveis pela operação de cada um dos parques. (Fonte: Paula Bianchi/ Folha.com)

Nobel de Química vai para cientista que descobriu ‘quasicristais’

O Nobel de Química 2011 foi para o cientista israelense Daniel Shechtman, 70 anos, conhecido pela descoberta dos “quasicristais”. Ele recebe sozinho o prêmio de 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a R$ 2,7 milhões.

O comitê do Nobel lembrou que os quasicristais foram estudados por muitos cientistas, mas que a descoberta se deve exclusivamente a Shechtman, que precisou de muita “habilidade e tenacidade” para convencer uma “muito cética” comunidade científica. Segundo o comitê do Nobel, os cientistas acreditavam que a matéria sólida era feita sempre de átomos arrumados em uma ordem definida e que podia ser repetida diversas vezes para formar uma estrutura de cristal.

Mas os átomos que Shechtman descobriu não tinham um arranjo que podia ser repetido. Ele estudava um material formado por alumínio e manganês com um microscópio eletrônico. Ao analisar as imagens que o equipamento consegue produzir para mostrar a organização dos átomos, o cientista se deparou com um formato que seria impossível de existir.

“Os quasicristais redefiniram o primeiro capítulo do estudo da matéria organizada”, afirmou o representante do comitê responsável por explicar a pesquisa de Schechtman. Quase todos os materiais sólidos apresentam cristais ordenados, como no caso do gelo e do ouro. Cristais comuns possuem átomos arrumados em uma sequência que é possível de ser repetida várias vezes. Já os quasicristais apresentam grupos de átomos reunidos sempre de forma diferente. Apesar de seguirem uma organização definida por fórmulas matemáticas, os átomos de quasicristais nunca repetem a mesma “coreografia”.

Depois do trabalho pioneiro de Shechtman, outros cientistas conseguiram reproduzir, em laboratório, os quasicristais e, mais tarde, esses materiais foram encontrados naturalmente em um rio na Rússia. Uma empresa sueca chegou a achar os quasicristais em um tipo de aço reforçado. Pesquisas atualmente tentam empregar os quasicristais na construção de motores a diesel e frigideiras.

Bola de futebol estranha – Para o comitê do Nobel, a descoberta de Shechtman seria tão estranha quanto tentar formar uma bola de futebol somente com gomos de seis lados. Quem já pegou em uma bola de futebol nota que existem também gomos de cinco lados, para que a forma esférica seja possível. O trabalho foi tão controvertido que o cientista foi retirado do seu grupo de pesquisa, em 1982. Mas o escolhido pelo Nobel conseguiu convencer os químicos a tentarem definir outra vez a concepção que tinham de matéria. “As reações que Daniel recebeu ao apresentar sua pesquisa iam de ‘vá embora, Daniel’ a ‘isso não é muito interessante”, lembrou o comitê do Nobel.

Nascido em 1941, Shechtman é, na verdade, um físico e trabalha no Instituto de Tecnologia de Israel, o Technion. No dia 8 de abril de 1982, quando aconteceu a descoberta, o israelense estava tirando um ano sabático nos Estados Unidos. “É uma das raras descobertas que podemos dizer o dia exato em que aconteceram”, disse o comitê do Nobel. “Conversamos com ele por telefone e ele está muito feliz. Ele disse que sonhou com isso, mas tinha desistido da esperança de consegui-lo.” O anúncio foi feito nesta terça-feira (4) no Instituto Karolinska em Estocolmo, na Suécia. Este é o último prêmio para ciência de 2011. Nesta quinta-feira será entregue o Nobel de literatura. Na sexta, a vez é do da paz e na segunda, o de economia.

Ondas de elétrons – Para imaginar o experimento que Shechtman fez, é possível pensar em uma placa de metal que recebe um feixe de luz. Assim como no som, as ondas de luz vão atravessar a grade da mesma maneira que as ondas do mar passam por um dique. Ao sofrerem refração na grade, as ondas continuam seu caminho formando círculos cortados pela metade. Cada onda interage com a outra, sendo ora reforçada, ora diminuída. No final, o cientista consegue uma imagem que mostra áreas escuras e claras.

Shechtman obteve a mesma imagem, mas usou elétrons no lugar da luz e como grade foram usados átomos de metais rapidamente resfriados. Mas não estava preparado para entender o que viu, mesmo após anos de experiência com microscópios eletrônicos: a foto mostrava dez “pontos” brilhantes dentro de um círculo.
A comunidade científica na época dizia ser impossível que tantos “pontos” aparecessem em um único círculo. No máximo, o resultado esperado eram 6 pontos. O número depende do material que é usado no experimento. (Fonte: G1)