quarta-feira, 20 de abril de 2011

Energia solar pode refrigerar ambientes e manter alimentos frescos


“Resfriado com luz solar” – esse selo ecológico poderá vir estampado nas futuras embalagens de alimentos. Pesquisadores querem tornar frutas e legumes mais duráveis através dos raios de sol, principalmente em países em desenvolvimento, onde os refrigeradores são artigo de luxo e a energia elétrica só existe em regiões de grande concentração populacional.
Redução do custo energético Freezer abastecido com energia solar serve para armazenar medicamentos Freezer abastecido com energia solar serve para armazenar medicamentos
Pesquisadores do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (ISE) demonstraram que a refrigeração solar funciona: no projeto Medisco, da União Europeia, eles instalaram sistemas solares para resfriar vinho em uma vinícola na Tunísia e leite em uma fábrica de laticínios no Marrocos.
“A técnica é aplicável em regiões ricas em insolação, principalmente em áreas remotas, onde devido à escassez de água e falta de fontes de energia regulares não há possibilidade de refrigeração convencional”, diz Tomas Núñez, pesquisador do ISE. “É um método benéfico para o ambiente. Além disso, o custo da energia para equipamentos de refrigeração convencionais é reduzido ao mínimo.”
Os pesquisadores desenvolveram os painéis solares de forma que a luz do sol seja direcionada por meio de espelhos para um absorvedor. Os raios de sol concentrados aquecem a água dentro de um reservatório a 200ºC.
Essa temperatura extrema da água é necessária para acionar a chamada máquina de resfriamento por absorção com alta temperatura exterior. “Diferente do refrigerador comum, nós não utilizamos energia, mas calor para gerar frio”, explica Núñez. O resultado em ambos os casos é o mesmo. “Frio em forma de água fria ou, no nosso caso, uma mistura de água e glicol.”
Tecnologia ainda inadequada para o mercado – As máquinas de resfriamento solar podem refrigerar salas e até edifícios inteiros. Muitos projetos de pesquisa foram bem-sucedidos e demonstraram que sistemas de energia solar economizam 50% a 80% em comparação às tecnologias convencionais de refrigeração.
Apesar de todas as vantagens, os especialistas destacam que a tecnologia ainda não está pronta para o mercado. “Os custos de instalação ainda são altos demais”, diz Ursula Eicker, da Universidade de Ciências Aplicadas de Stuttgart. Se uma família na Alemanha quiser refrigerar sua casa com refrigeração através do sol, terá que pagar cerca de 40 mil euros, quase o dobro de um sistema convencional.
Uma empresa de médio porte na África não tem esse dinheiro – e a tecnologia não parece economicamente vantajosa para as grandes indústrias.
A tecnologia funciona e existe demanda, o que em médio prazo representa boas chances para a refrigeração solar, diz Núñez. Particularmente na climatização de edifícios – e especialmente na ensolarada África.
“O importante é expandir lentamente, passo a passo. Uma parte da produção precisa ser feita no local, e são necessários engenheiros treinados para a instalação”, destaca o especialista. O primeiro passo foi apresentar a tecnologia por meio de projetos subsidiados para aumentar a consciência sobre a tecnologia.
Sem programas financiados pelo Estado, como os que existem na Alemanha, na Áustria e na Espanha, os sistemas de refrigeração solar nunca seriam competitivos, diz a professora Eicker. “Estamos em um absoluto nicho.” Em 2007 foram instalados de uma só vez 81 sistemas de refrigeração solar no mundo, quase todos na Europa, em edifícios comerciais. Para criar um mercado para a tecnologia, os governos precisam demonstrar interesse e disponibilidade financeira.
Extremamente nocivos – Sistemas convencionais de refrigeração precisam ser substituídos por outra razão: as substâncias refrigerantes e os compressores de espuma isolante contêm hidrocarbonetos halogenados, que são 12 mil vezes mais nocivos para o meio ambiente do que CO2, além de destruírem a camada de ozônio.
Os governos europeus estão ajudando os países em desenvolvimento a substituírem essas substâncias por sistemas de refrigeração não nocivos. A base de cooperação é o Protocolo de Montreal, assinado em 1987, em que 180 países se comprometeram a substituir substâncias que destroem a camada de ozônio.
O governo alemão estabeleceu o programa Proklima, em cooperação com 40 países, entre os quais pequenos países africanos como a Suazilândia, onde empresas locais produzem novos congeladores e refrigeradores ecológicos. Com a iniciativa, já foram poupados em todo o mundo cerca de 42 milhões de toneladas de CO2.
A substituição das antigas substâncias refrigeradoras deve estar completa em 2011, explica Eicker. “Graças a uma lei, o que traz esperança. E isso mostra que a cooperação internacional para a proteção do meio ambiente pode fazer diferença.” (Fonte: Folha.com)

Cientistas descobrem que clima tem influência sobre atividade sísmica


Uma equipe de cientistas australianos, da qual também fazem parte um francês e um alemão, anunciou nesta quarta-feira ter descoberto que a intensificação das monções – um fenômeno meteorológico – na Índia acelerou em 20% o movimento da placa tectônica indiana ao longo dos últimos 10 milhões de anos.
Giampiero Iaffaldano, que coordenou o trabalho, explica que já se sabia há muito tempo que os movimentos tectônicos influenciam o clima ao formar novas montanhas e fossas marinhas, mas esta pesquisa demonstra pela primeira vez que a influência existe também no sentido inverso.
“O fechamento e a abertura dos vales oceânicos, assim como a formação das grandes cadeias de montanhas, como os Andes e o Tibete, constituem processos geológicos que afetam os padrões do clima”, disse o especialista à AFP.
“Do nosso lado, nós demonstramos pela primeira vez que esta influência existe também no sentido inverso, ou seja, que a evolução do clima pode afetar, por sua vez, o movimento das placas tectônicas”, acrescentou.
Entretanto, a conclusão óbvia não é a de que o aquecimento global necessariamente acarretará em uma maior frequência de terremotos potentes, como o que devastou a costa nordeste do Japão em março, já que estas evoluções são medidas em “milhões de anos”.
Com a equipe de Iaffaldano, colaboraram Laurent Husson, da Universidade de Geociências de Rennes (França), e com Hans-Peter Bunge, da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique (Alemanha). A pesquisa foi publicada recentemente pela revista científica “Earth and Planetary Science Letters”.
Os pesquisadores agora pretendem investigar se o clima teve efeitos nas placas tectônicas de outras regiões, além da Índia.
“Por exemplo, podemos imaginar que tenha havido uma influência do clima na formação dos Andes ou das montanhas Rochosas”, estimou Iaffaldano. (Fonte: G1)

Cientistas criam rim humano a partir de células-tronco


Cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, anunciaram a criação de rins humanos a partir de células-tronco. Segundo o site do jornal britâncio Daily Mail, a descoberta pode resultar no transplante de órgãos desenvolvidos pelo próprio paciente, evitando os riscos de rejeição.
Os órgãos foram criados em laboratório utilizando o líquido amniótico humano e animal. Os cientistas afirmaram que os rins apresentam meio centímetro de comprimento, o mesmo tamanho do órgão encontrado em um feto.
O fisiologista Jamie Davies, professor de anatomia experimental na Universidade de Edimburgo, disse que a ideia é começar com células estaminais humanas até produzir um órgão em funcionamento. “Parece um pouco de ficção, mas é ciência”, disse.
A esperança do especialista é que, com nova técnica, os médicos possam recolher o líquido amniótico, que envolve o embrião no útero, quando o bebê nasce. O líquido deve, então, ser armazenado para que possa ser utilizado para criar um órgão compatível caso a pessoa desenvolva uma doença renal na vida adulta. “O custo do congelamento das células é bem menor do que manter a pessoa em diálise”, disse o professor.
Segundo os estudiosos, a criação de um órgão com células-tronco do próprio paciente resolve o problema de ter que usar drogas poderosas para tentar evitar que o organismo rejeite o rim de outra pessoa. Para o professor Davies, a nova tecnologia pode estar pronta para uso nos seres humanos em torno de 10 anos.
A descoberta será apresentada oficialmente no Festival de Ciência de Edimburgo neste mês. (Fonte: Portal Terra)

Pássaros herdaram olfato de dinossauros, diz estudo


Uma espécie conhecida como Bambiraptor ajudou os cientistas a determinar que os pássaros herdaram um bom olfato dos dinossauros. Há muito tempo, existe a ideia de que os pássaros evoluíram a partir de pequenos dinossauros bípedes, ganharam penas, passaram a viver em árvores e depois começaram a voar.
Uma suposição comum é a de que estas pequenas aves tinham um olfato ruim, já que a pressão evolutiva teria moldado os recursos do cérebro a favor da visão, equilíbrio e coordenação, deixando de lado o olfato. Mas não é bem assim, de acordo com uma nova pesquisa publicada nesta quarta-feira (12) no jornal da Britain’s Royal Society.
Pesquisadores do Canadá utilizaram tomografia computadorizada – o famoso TC utilizado para diagnósticos médicos – para ter acesso a uma imagem em 3D dos crânios de dinossauros, de pássaros extintos e de aves ainda vivas.
Eles mediram o tamanho médio do bulbo olfativo, a parte do cérebro utilizada para o cheiro. Entre pássaros modernos e mamíferos, um grande bulbo olfativo significa que o olfato é melhor. As 157 amostras traçaram a linhagem olfativa de pássaros modernos com um grupo de pequenos carnívoros chamados de terópodes, cuja grande família é integrada ainda pelo Tiranossauro Rex.
Os primeiros pássaros, segundo o estudo, tinham aproximadamente a mesma capacidade olfativa de um pombo moderno – muito boa e certamente melhor que a esperada. Então, cerca de 95 milhões de anos atrás, pássaros que eram os ancestrais de aves modernas desenvolveram um olfato ainda melhor.
Bambiraptor – Incluído nos fósseis desta época encontra-se o Bambiraptor, uma das principais evidências da evolução dos pássaros. Um animal muito rápido com o tamanho de um cachorro, o Bambiraptor não podia voar, mas seu corpo provavelmente era coberto de penas e seu esqueleto era surpreendentemente similar a pássaros como o papa-léguas.
Ele tinha aproximadamente a capacidade olfativa dos abutres da Turquia e dos albatrozes atuais, que dependem do olfato para se alimentar ou viajar por longas distâncias, segundo os especialistas. “Nossa descoberta de que os pequenos dinossauros velociraptor, como o Bambiraptor, tinham um olfato tão desenvolvido quanto estes pássaros sugere que o cheiro pode ter desempenhado um papel importante enquanto estes dinossauros caçavam para se alimentar”, afirmou Darla Zelenitsky, uma paleontóloga da Universidade de Calgary.
Entre pássaros modernos, o senso olfativo é muito variável, de acordo com a pesquisa. Aves relativamente primitivas, como patos e flamingos, tem um bulbo olfativo relativamente grande, enquanto pássaros considerados mais inteligentes, como as gralhas, tentilhões e papagaios, têm bulbos menores, provavelmente para compensar sua maior capacidade cerebral. (Fonte: Portal Terra)

Genética forense da conservação


Uma nova metodologia da genética forense poderá ajudar, por meio da identificação de variações no genoma que caracteriza cada uma das espécies, a inibir a caça do peixe-boi.
Os peixes-bois chegam a pesar até 800 quilos, são considerados inofensivos e se alimentam de algas, aguapés e capim-aquático. Existem quatro espécies do animal no mundo, duas das quais estão presentes no Brasil.
O peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), comum no Norte e Nordeste, é considerado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, sigla em inglês) e pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, do Ministério do Meio Ambiente, como criticamente ameaçado de extinção no país.
O peixe-boi-amazônico (Trichechus inunguis) é o menor de todos e a única espécie da ordem Sirenia que habita águas doces. Atualmente, sua classificação na IUCN e no Livro Vermelho é “vulnerável”.
O novo estudo utilizou a técnica de identificação de poliformismos do DNA mitocondrial, considerada uma das mais eficientes para a identificação de exemplares de espécies diferentes.
Como o polimorfismo genético, isto é, a variação das mutações do DNA, é muito grande, pode-se identificar um animal com base no seu padrão de polimorfismo. Com a identificação, órgãos fiscalizadores poderiam saber se uma determinada carne ou pele à venda em um mercado é de um peixe-boi ou de uma espécie doméstica cuja comercialização é legal.
Para saber onde essas mutações ocorrem, os cientistas utilizam uma técnica chamada de polimorfismo de comprimento de fragmento de restrição (RFLP, na sigla em inglês), que “marca” o DNA apenas onde existem determinadas sequências de nucleotídeos.
“A marcação molecular por RFLP e PCR [reação em cadeia da polimerase] é um método confiável e de baixo custo para a identificação de mutações específicas em espécies”, disse o coordenador da pesquisa, Rodrigo Augusto Torres, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), à Agência FAPESP.
O estudo foi publicado na revista Zoologia, da Sociedade Brasileira de Zoologia, em artigo assinado por Torres e os colegas Paula Braga Ferreira e José Eduardo Garcia, também da UFPE.
Segundo Torres, a ideia é que o protocolo desenvolvido possa ser utilizado no desenvolvimento de ferramentas forenses capazes de identificar, por meio da análise de fragmentos de tecido, a identificação de uma carne, pele ou gordura comercializados em um mercado, por exemplo. Com essa identificação genética, um órgão fiscalizador poderia saber se o produto deriva de gado bovino ou suíno ou de um peixe-boi.
“Como esses animais são caçados e depois vendidos aos pedaços, nossa proposta é tornar possível a identificação das espécies por meio das variações genéticas e evitar que esse comércio continue ocorrendo”, completou Torres.
“O estudo reforça a importância dos polimorfismos como um marcador poderoso para a identificação de espécies, que poderão ser particularmente úteis para os esforços de preservação de animais ameaçados”, disseram os autores. (Fonte: Mônica Pileggi/ Agência Fapesp)

Vacina aplicada pelo nariz é mais eficiente contra a gripe


Vacinas aplicadas pelo nariz podem ser mais eficientes no combate por doenças que são contraídas também por via nasal, como a gripe, a pneumonia e até mesmo eventuais ameaças de bioterrorismo. E elas podem se tornar realidade em breve, segundo uma pesquisa apresentada na Conferência de Primavera da Sociedade Geral de Microbiologia dos EUA por Dennis Metzger, professor da Faculdade de Medicina de Albany.
Em experiências com camundongos, os cientistas introduziram por via nasal uma mistura entre a vacina normal e uma substância chamada interleucina-12, um agente imunizador natural. Eles obtiveram alto nível de proteção nos animais contra o vírus da gripe, a bactéria da pneumonia e a Yersinia pestis, uma potencial ameaça biológica. Obter essa proteção era um desafio, já que as superfícies com mucosa normalmente apresentam baixa resposta imunológica.
Metzger afirma que as vacinas normais não são tão eficazes, uma vez que não conseguem proteger o ponto por onde os agentes da doença entram no corpo. “A vacinação intranasal contorna esse problema, criando imunidade no pulmão. Isso previne contra a infecção inicial, assim como contra outras complicações sistêmicas”, defende.
Segundo o pesquisador, a capacidade de prevenir contra infecções pode ser especialmente útil no caso de uma ameaça bioterrorista ou de uma pandemia de alguma variação do vírus da gripe.
Depois dos bons resultados em camundongos, o próximo passo dos testes com a vacina intranasal deve ser em seres humanos. (Fonte: G1)

Novas estratégias para enfrentar o HIV


Fracassaram, até agora, todas as tentativas de desenvolver uma vacina eficaz contra o HIV que possa ser aplicada em larga escala. Mas, de acordo com David Watkins, professor do Departamento de Patologia e Medicina Laboratorial da Universidade de Wisconsin-Madison, todos os esforços foram válidos e acumularam conhecimento precioso a respeito do HIV.
A maior parte das vacinas testadas utiliza modelos com base em anticorpos. No entanto, a mais promissora linha de pesquisas atual, segundo Watkins, são os modelos de vacinas com base em resposta imune induzida por células T – os glóbulos brancos especializados em coordenar a resposta imune contra agentes infecciosos e tumores.
Watkins dirige, na universidade norte-americana, o Laboratório de Pesquisa em Vacina para Aids, que possui uma das principais infraestruturas do mundo voltadas para testes de vacinas em primatas não humanos. Segundo ele, testes com macacos são fundamentais para o desenvolvimento de uma vacina eficaz, especialmente no caso das que se baseiam em imunidade celular.
Uma vacina eficaz é, segundo Watkins, uma das principais prioridades de pesquisa na área de saúde, uma vez que cerca de 7 mil pessoas contraem o HIV-Aids diariamente em todo o mundo.
Segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV-Aids, 7,5 milhões de pessoas viviam com Aids em todo o mundo em 1990. Em 2007, já eram 33 milhões de pessoas. Cerca de 270 mil crianças morrem anualmente por causa da doença.
Watkins participou em março do 6º Curso Avançado de Patogênese do HIV, realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O curso, que trouxe ao Brasil 30 dos principais especialistas em HIV de todo o mundo, integrou as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia (INCT-iii), financiado pela FAPESP e pelo CNPq. (Fonte: Fábio de Castro/ Agência Fapesp)

Grã-Bretanha cria ‘corredor’ de flores para preservar abelhas


As populações de abelhas e outros insetos polinizadores vem diminuindo muito na Grã-Bretanha, mas uma iniciativa para reverter a situação foi lançada nesta reserva em North Yorkshire.
Foram liberados mais de R$ 150 mil para as primeiras plantações em total de cinco hectares de corredores de plantas polinizadoras, de norte a sul e de leste a oeste na reserva.
O objetivo é que estas plantações impeçam a queda no número de borboletas e outros insetos. (Fonte: G1)