segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Marina Silva diz que redução de parques nacionais é ‘retrocesso’

“Retrocesso” é como a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva vê a medida provisória publicada nesta semana que reduziu a área de três parques nacionais na Amazônia – dois deles para dar lugar a hidrelétricas.
A MP não foi bem recebida pelo PV, que na quarta-feira (17) ameaçou recorrer ao Supremo. “Minha percepção é que é inconstitucional”, disse Marina à Folha. Para ela, a Constituição de 1988 diz que unidades de conservação só podem ser alteradas por lei.

A MP publicada no “Diário Oficial” na segunda-feira (15) altera o limite dos parques da Amazônia, dos Campos Amazônicos e do Mapinguari. O primeiro foi “desafetado” (reduzido) para resolver um conflito fundiário com 12 comunidades locais. O parque dos Campos Amazônicos teve seus limites redefinidos. Perderá 34 mil hectares para permitir a construção do lago da hidrelétrica de Tabajara, obra do PAC, e para liberar área para agricultores. Ganhará, por outro lado, 110 mil hectares.

O Mapinguari foi reduzido em 8.000 hectares para ceder espaço aos canteiros de obras das usinas de Santo Antônio e Jirau. Para o presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes), Rômulo Mello, a alteração foi uma “correção” de um erro de desenho cometido na criação do parque, em 2008. Mello diz não ver problemas de constitucionalidade no ato. “A MP se transforma em lei, a presidente entende que para o país é uma coisa urgente”, afirmou.

Segundo Marina, a redução por Medida Provisória “abre uma porteira” para que Dilma reduza unidades de conservação numa canetada. E os próximos alvos serão as unidades de conservação da região dos rios Tapajós e Jamanxim (PA), onde o governo quer implementar quatro hidrelétricas –uma delas, a quarta maior do país. Como a Folha revelou no mês passado, o governo já decidiu que reduzirá de novo o parque nacional da Amazônia, além das florestas nacionais de Itaituba 1 e 2. As áreas protegidas fazem parte do mosaico criado em 2005 para conter o desmate. (Fonte: Claudio Angelo/ Folha.com)

Manifestação contra Belo Monte reúne mil pessoas em São Paulo

Debaixo de chuva, cerca de mil pessoas participaram no sábado (20), na Avenida Paulista, de manifestação contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu. O cálculo é da Polícia Militar. Os organizadores do protesto, porém, estimam em mais de 2 mil o número de pessoas presentes ao protesto.
Com cartazes, faixas e gritos, os manifestantes reivindicaram a paralisação imediata da obra. Ambientalistas e índios do região do Xingu defenderam, inclusive, a ocupação do canteiro de obras da usina, no Pará. “Belo Monte é injusta, suja e burra”, disse Clarissa Beretz, do Movimento Brasil pela Vida nas Florestas, integrante da organização do ato. “O governo quer enfiar a usina goela abaixo”, acrescentou.

O cacique Megaron Txucarranãe, da etnia Kayapó, reclamou que o governo não tem ouvido os pedidos da comunidade indígena. “A barragem vai prejudicar os índios. O governo não escuta, nem respeita os índios.”
A manifestação começou por volta das 14h30, ao lado do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Escoltados pela polícia, os manifestantes seguiram pela Avenida Paulista até a Rua Bela Cintra, onde ocuparam todas as pistas por cerca de meia hora, impedindo a circulação dos carros.

Os manifestantes queimaram um boneco de palha e disseram: “Para Belo Monte ou paramos o Brasil”. Depois, foram para a sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde protestaram contra as concessões dadas pelo órgão para o início das obras da usina. Por volta das 17h30, colaram cartazes na porta do instituto e encerraram o ato.

Além de São Paulo, os ativistas programaram manifestações em Belém, Brasília, no Rio de Janeiro e em mais 11 cidades. Segundo os movimentos sociais, haverá manifestações também na próxima segunda-feira (22) em cerca de 20 cidades em 16 países – entre eles, os Estados Unidos, a Alemanha, a Inglaterra, a Noruega, o Irã, a Turquia e a Austrália. Os protestos serão em frente às embaixadas e consulados brasileiros. (Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil)

Ibama concede licença ambiental para hidrelétrica entre MT e PA

O Ibama concedeu, nesta sexta-feira (19), a licença de instalação para a construção da Usina Hidrelétrica Teles Pires. O projeto será executado no rio de mesmo nome, na divisa dos estados de Mato Grosso e do Pará, entre os municípios de Paranaíta (MT) e Jacareacanga (PA).

O investimento previsto na hidrelétrica é de R$ 3,6 bilhões e sua potência prevista é de 1.820 megawatts (MW). A área inundada, por sua vez, deverá ser de 95 km², segundo o empreendedor. A usina faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Ela terá cinco turbinas, cada uma com 364 MW – suficiente para abastecer 5 milhões de habitantes, de acordo com a Companhia Hidrelétrica Teles Pires, responsável pela obra.

De acordo com a empresa, os trabalhos devem começar imediatamente. “Equipamentos e pessoal necessários já estão disponíveis no local”, anunciou em nota. A concessionária tem como acionistas a Neoenergia (50,1%), holding do Grupo Neoenergia; a Eletrobras Eletrosul (24,5%), a Eletrobras Furnas (24,5%) e a Odebrecht Participações e Investimentos (0,9%).

A companhia destaca que criou um projeto que contempla 44 programas em diversas áreas – ambiental, social, apoio à infraestrutura local, saúde pública, educação – para reduzir o impacto na nova hidrelétrica sobre a região.

A energia gerada pela Usina Teles Pires irá por uma linha de transmissão com extensão de 7,5 quilômetros até uma subestação coletora, de onde será distribuída ao Sistema Interligado Nacional. (Fonte: Globo Natureza)

Memória de vidro guarda dados em 5 dimensões

Pesquisadores criaram um vidro nanoestruturado que pode funcionar como uma memória óptica e ainda reduzir o custo da microscopia de alta resolução e das imagens médicas. Martynas Beresna e seus colegas da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, usaram um laser pulsado ultra-rápido para construir saliências em nanoescala no vidro.

Essas estruturas funcionam como conversores de polarização, que alteram a forma como a luz viaja no interior do vidro. A nanoestrutura óptica cria “redemoinhos” de luz que podem ser lidos de forma muito parecida com a leitura de um dado que viaja por uma fibra óptica.

Voxels – Os cientistas chamam esses redemoinhos de “voxels”, em comparação com os pixels de uma imagem. A grande diferença, contudo, é que os voxels podem ser posicionados no interior do vidro, o que os torna uma espécie de “pixels 3D” – na verdade, os cientistas conseguiram gravar dados em até 5 dimensões.
Como o laser efetivamente altera os átomos no vidro, um dado gravado nesta memória de vidro poderia ter uma vida útil indeterminada, “para sempre”, como dizem os pesquisadores.

Vidro nanoestruturado guarda informações em 5 dimensões. Ainda assim, a informação pode ser escrita, apagada e reescrita na estrutura molecular do vidro, usando o mesmo laser. Gravando em 5 dimensões, os cientistas conseguiram colocar a mesma quantidade de dados contida em um disco Blu-Ray – 50 GB – em um pedaço de vidro do tamanho de uma moeda.

Contudo, o laser usado – um laser capaz de produzir pulsos com duração na faixa dos femtossegundos – é bem mais complexo do que o laser de um leitor/gravador de CD ou DVD. Por isso, a descoberta deverá ter um impacto maior e mais imediato no campo da microscopia e da geração de imagens médicas, ao permitir resoluções acima do limite de difração da luz.

Polarização da luz – Um laser pulsado com polarização fixa consegue produzir arranjos periódicos de voxels em planos muito precisos e finos, com alturas na faixa das dezenas de nanômetros. Quando a luz atravessa um desses voxels gravados no vidro, ela é conduzida de forma diferente, dependendo da orientação da sua polarização.

Este fenômeno – chamado birrefringência de forma – é a base do funcionamento da nanoestrutura como um conversor de polarização, um mecanismo com largas aplicações em microscopia. “Antes disso nós tínhamos que usar um modulador de luz espacial baseado em cristais líquidos que custam mais de US$30 mil,” explica Peter Kazansky, coautor da pesquisa. “Agora nós simplesmente colocamos esse nanodispositivo no caminho do feixe óptico e temos o mesmo resultado.”

A técnica também poderá ser útil nas pinças ópticas, para manipulação de objetos em escala molecular e, segundo os pesquisadores, em aceleradores de partículas miniaturizados. (Fonte: Site Inovação Tecnológica)

Cientistas encontram micróbios fossilizados mais antigos da Terra

Uma equipe científica encontrou nas rochas do oeste da Austrália micróbios fossilizados que viveram há 3,4 bilhões de anos em um mundo sem oxigênio e que proliferavam graças a compostos à base de enxofre, segundo um estudo publicado neste domingo na revista científica “Nature Geoscience”.

“Temos por fim uma boa prova de vida com mais de 3,4 bilhões de anos. Isso confirma que na época havia bactérias que viviam sem oxigênio”, declarou o professor Martin Brasier, da Universidade de Oxford, que participou destas pesquisas dirigidas por David Wacey, da Universidade da Austrália Ocidental. “São os fósseis mais antigos achados na Terra”, afirmou a Universidade de Oxford em um comunicado.

A Terra tem 4,5 bilhões de anos. A vida surgiu entre 3,5 e 3,8 bilhões de anos, segundo os pesquisadores anteriores. Os fósseis descobertos por David Wacey e sua equipe em uma das praias mais antigas da Terra, em um lugar chamado “Strandley Pool”, estão incrustados em microscópicos cristais de pirita, de minerais à base de sulfeto de ferro, segundo o estudo.

Feito inédito – Estes cristais seriam o efeito da atividade biológica (metabolismo) dos microorganismos fósseis. Os cientistas acreditam estar certos sobre a idade dos fósseis, já que as rochas sedimentares onde os encontraram foram formadas entre dois episódios vulcânicos. “Isso limita a algumas dezenas de milhões de anos o intervalo de tempo no qual os fósseis puderam se formar”, afirma o professor Brasier.

Ele enfatiza que os microfósseis foram submetidos a provas que demonstram que as formas detectadas na rocha são de natureza biológica e que não são o resultado de um processo de mineralização. Foram observadas estruturas similares a células. “Pela primeira vez achamos em rochas arqueanas uma associação direta entre uma morfologia celular e subprodutos do metabolismo”, concluem os pesquisadores.

Há 3,4 bilhões de anos, a Terra era um lugar quente, com uma forte atividade vulcânica, e a temperatura dos oceanos alcançava os 40 a 50°C. Atualmente, afirma o professor Brasier, continua havendo bactérias que utilizam mais enxofre do que oxigênio para carregar de energia e proliferar. São encontrados principalmente em lugares quentes como chaminés hidrotermais, no fundo dos oceanos. (Fonte: G1)

Queimadas no estado do Amazonas aumentam 91% em 2011

A baixa umidade do ar do Amazonas e o aumento na quantidade de queimadas na floresta no estado preocupa o governo. A falta de brigadistas dificulta os trabalhos de contenção dos incêndios.
Dados do sistema de monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, mostram que entre 1º de janeiro até 19 de agosto houve crescimento de 91% nas ocorrências de queimada no estado.

Em 2010 foram registrados 136 focos de calor, enquanto neste ano já são 261. O índice vai na contramão dos demais estados, que apresentam queda na quantidade de queimadas no comparativo com o ano passado. Entre as regiões mais afetadas no Amazonas estão o Parque Nacional Campos Amazônicos, que teve queimada entre o fim de julho e início de agosto uma área de 330 km² (equivalente a 206 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo).

Alerta – Segundo informações do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o risco de novos focos de incêndio na floresta é alto devido à forte estiagem na região.

“Estamos enfrentando este calor inédito. A umidade do ar não deveria ficar tão baixa. Estamos pedindo para a população evitar a queima em propriedades, principalmente no sul do Amazonas”, disse Agenor Vicente da Silva, coordenador estadual do Prevfogo. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que a umidade relativa do ar na região está em 34%, mesmo índice registrado durante o auge da seca na Amazônia em 2010, considerada a segunda pior da história.

“O normal é a umidade do ar no estado ficar em cerca de 80%. A redução é consequência de um fenômeno climático que deixou a atmosfera seca em várias partes do país. Esta situação deverá continuar até meados de setembro”, comenta o meteorologista Francisco de Assis Diniz.

Para Bernardo Flores, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, quanto mais frequente for o fogo em trechos da floresta, mais suscetível o bioma ficará às queimadas. “Teria que ocorrer uma conscientização da população, para evitar o uso do fogo na limpeza de terrenos, por exemplo. Mas é complicado, porque a população mais pobre não tem como utilizar formas mais caras para isto”, disse.

Estrutura – Segundo Silva, em todo o estado existem 60 brigadistas do Ibama, número insuficiente para controlar as ocorrências do estado. “O Corpo de Bombeiros está somente nas cidades mais distantes”, afirma. De acordo com Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao menos cem unidades de conservação concentradas nas regiões Centro-Oeste, sul do Amazonas e parte do Pará têm risco alto de incêndio.

“Nós já temos aviões preparados para utilizar no combate às queimadas, além dos funcionários do instituto. Não queremos que este ano alcance o total de 1,5 milhão de hectares queimados (15.000 km²) em 2010. Em 2011 já houve registro de 200 mil hectares (2.000 km²) devastados pelo fogo”, desse.

Unidades de Conservação – O Parque Nacional dos Campos Amazônicos foi uma das unidades de conservação da Amazônia que tiveram seus limites modificados por Medida Provisória publicada no Diário Oficial da União desta semana.

A UC perdeu 340 km² para viabilizar a construção da usina hidrelétrica de Tabajara e o aproveitamento energético do Rio Roosevelt, que corta a unidade. Além disso, a área amortizada poderá ser utilizada em atividades mineradoras. Outros dois parques nacionais (Amazônia e Mapinguari) também foram afetados pela MP.

“Estamos fazendo uma correção nas zonas dos parques para evitar conflitos fundiários e proporcionar ganhos no setor energético e na preservação. Essas unidades de conservação receberam áreas anteriormente, portanto, não houve perdas. Até se chegar a esta conclusão foram feitos estudos técnicos, nada foi decidido num estalar de dedos. As medidas são positivas”, afirmou o presidente do ICMBio, Romulo Mello. (Fonte: Eduardo Carvalho/ Globo Natureza)

Embrapa cria feijão transgênico resistente a doenças

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Arroz e Feijão cultiva em seu campo de pesquisas feijões transgênicos. O objetivo do experimento é verificar se o feijão modificado geneticamente resiste à doença conhecida como mosaico dourado, um dos maiores problemas enfrentados pela cultura do feijão atualmente.

A doença é causada por um vírus transmitido através de um pequeno inseto chamado mosca branca, encontrado em todas as regiões do país. As características do mosaico dourado são folhas bem amareladas, ausência de flores e de vargem, o que impede o crescimento do feijão.

De acordo com o agrônomo e pesquisador, Josias Corrêa de Faria foram plantadas 26 variedades geneticamente modificadas. “Pegamos um fragmento do vírus do mosaico dourado e introduzimos esses genes no próprio feijoeiro. Funciona com uma vacina e a planta se torna resistente a doença”, explica. Até o final da pesquisa duas ou três variedades de feijão devem ser selecionadas para comercialização. Além da resistência à doença será levada em conta a produtividade e a periodicidade do feijoeiro. O agrônomo, que também coordena a pesquisa afirma que o feijão geneticamente modificado pode trazer economia para o produtor. “Enquanto uma cultura precisa de agrotóxicos para controlar a mosca branca, a que foi geneticamente modificada não precisa”, diz.

O pesquisador, Francisco de Lima Aragão afirma que não há nenhuma diferença entre o feijão geneticamente modificado em relação aos feijões convencionais que estão no mercado. “Este feijão transgênico é seguro para o consumo humano e para o plantio no Brasil. Ele é tão nutritivo quanto o feijão convencional”, garante. Os resultados desta pesquisa estão sendo analisados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A expectativa da Embrapa é que o feijão transgênico chegue às mãos do agricultor em 2014. (Fonte: G1)

Biocombustíveis podem ser solução para poluição dos aviões

A aviação é responsável pela emissão de 2% de gás carbônico e de 3% de todos os tipos de gases de efeito estufa (GEEs) e poderá triplicar esses números até 2050 se nenhuma ação for tomada. O alerta foi dado por Guilherme Freire, diretor de estratégias em meio ambiente e tecnologias da Embraer, em apresentação na primeira BBEST – Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference), que ocorre até o dia 18 de agosto em Campos do Jordão, interior de São Paulo.

Segundo o executivo, a aviação emitiu 628 milhões de toneladas de gás carbônico em 2010, e as projeções indicam que as emissões chegarão à casa do 1,2 bilhão ou 1,4 bilhão de tonelada em 2030, dependendo do cenário de crise ou crescimento econômico.

A expansão está relacionada especialmente ao desenvolvimento do setor nos países em desenvolvimento.
“Apesar da elevação das emissões, a aviação evoluiu tecnologicamente para reduzi-las, especialmente no que se refere ao aumento da eficiência dos combustíveis. Se o desenvolvimento tecnológico tivesse estacionado ao obtido nos anos 1990, o setor estaria emitindo 1 bilhão de toneladas de gás carbônico hoje. A meta global do setor é reduzir em 50% as emissões em 2050, comparado com os números de 2005″, disse.

Biocombustíveis para aviões – Freire explicou que o uso de biocombustível não pode requerer mudanças drásticas nos aviões ou nos motores existentes, por questão de custo. “Qualquer alteração substancial na configuração de um avião ou em seu motor gera impactos, principalmente na questão da segurança, o que eleva o preço do avião e pode tornar inviável o uso de biocombustível”, destacou.

Também para não ampliar os custos, é preciso obter biocombustíveis que possam ser misturados ao já utilizado e que não precisem de infraestrutura específica e diferenciada para serem utilizados. Do ponto de vista técnico, um dos maiores desafios é manter a estabilidade térmica e a boa fluidez nas altas altitudes. Do contrário, pode haver congelamento do combustível nos tanques. “Ou seja, bioetanol e biodiesel para automóveis não são compatíveis com as demandas requeridas pelo biocombustível para aviação. É preciso harmonizar, em nível global, os critérios de sustentabilidade”, disse Freire.

Competição pela biomassa – Ele também afirmou que a diversificação de matérias-primas para biocombustíveis é uma preocupação. “Não só a aviação precisa ser sustentável, mas outros segmentos da indústria também. A competição pela biomassa entre indústrias é uma questão-chave”, apontou. Entre as aplicações industriais que levam à competição pelo uso da biomassa, Freire identificou o combustível para automóveis, para aviação, para veículos pesados, como caminhões, e para produção de lubrificantes, produtos da química fina e polímeros.

Freire também falou sobre alguns testes já feitos por companhias aéreas com o uso de biocombustíveis, como o da Continental Airlines, em 2009, que usou alga e jatropha (planta da família Euphorbiaceae) como matéria-prima e uma mistura de 50% desse biocombustível em um dos motores.

Outro exemplo é o da TAM, que em novembro de 2010 usou jatropha e também 50% de mistura em um motor. Um dos últimos testes em voo foi feito em 1º de abril deste ano, pela Interjet, com uma mistura de 27% de biocombustível produzido a partir da jatropha em um motor.

O executivo da Embraer citou a ASTM 4054 (Standard Practice for Qualification and Approval of New Aviation Turbine Fuels and Fuel Additives), iniciativa internacional para certificação do primeiro biocombustível para aviação comercial e que envolve empresas como Boeing, Airbus, Honeywell, Rolls Royce, GE e outras.

Em julho de 2011, a ASTM certificou o primeiro processo para produção de biocombustível, chamado de HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) – ésteres hidroprocessados e ácidos graxos).
No Brasil, Embraer, Amyris, GE e a empresa aérea Azul participam de um consórcio que está desenvolvendo o processo DSHC (Direct Sugar to Hidrocarbon Process), um dos que devem ser certificados pela ASTM até 2015.

Junto com as empresas Amyris e Virent, o processo usa reações catalíticas e fermentação bioquímica feita por organismos geneticamente modificados para produzir as moléculas de hidrocarbonetos para o biocombustível. O produto será testado pela Azul no ano que vem. (Fonte: Agência Fapesp)

Coaxar de rãs atrai fêmeas e predadores

Os machos da rã-túngara se reúnem em poças rasas à noite e entoam longos chamados de acasalamento. As fêmeas visitam as poças, escutam alguns chamados e, rapidamente, escolhem os parceiros. Lembra até os encontros-relâmpago.

O chamado do macho consiste num lamento seguido por uma série de grunhidos ou ‘cacarejos’. Uma nova pesquisa sugere que as fêmeas julgam os machos segundo tais cacarejos – não pelo número absoluto, mas pela proporção do cacarejo entre os concorrentes.

Durante o estudo no Panamá, muitas fêmeas pareciam preferir dois cacarejos em relação a um só, mas a maioria não mostrou preferência entre três e dois cacarejos. É um conceito com o qual os humanos conseguem se identificar, disse Karin Akre, bióloga evolucionária da Universidade do Texas, campus de Austin, que conduziu a pesquisa.

“Numa pilha de três e quatro laranjas, é muito fácil ver que uma tem mais, mas fica complicado notar a diferença entre 50 e 60 laranjas, embora a diferença absoluta seja maior.” As rãs não estão sozinhas à noite; quem também ronda ao redor são morcegos predadores das rãs. Surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que os morcegos usam a mesma estratégia das fêmeas na hora de selecionar uma presa.
A exemplo das fêmeas, eles são atraídos pelos machos que emitem mais cacarejos e fazem a escolha segundo a proporção, não pela diferença absoluta.

“Eles demonstram ter exatamente a mesma preferência”, disse Akre. Dada a diferença nos sistemas auditivos das duas espécies (uma é mamífera e a outra, anfíbia), “é surpreendente e interessante que ambas compartilhem essa habilidade cognitiva”. O estudo foi publicado na edição atual da ‘Science’. (Fonte: Portal iG)

Cientistas desvendam sequência completa do genoma do canguru

Um grupo multinacional de cientistas conseguiu desvendar a sequência completa do genoma do canguru. A espécie utilizada para o trabalho foi o wallaby-de-Tammar (Macropus eugenii). Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Genome Biology.

Com a pesquisa, os cientistas identificaram 1,5 mil genes que fazem o canguru poder detectar cheiros e compreenderam como o leite da fêmea protege o filhote contra bactérias nocivas como a Escherichia coli. O grupo também diz ter desvendado os genes responsáveis pelo pulo característico do animal.

Para Marilyn Renfree, professor na Universidade de Melbourne, na Austrália, e um dos autores do estudo, conhecer os genes dos cangurus pode ser útil para desenvolver novos tratamentos para doenças em humanos.

Os cientistas acreditam que a sequência do DNA do canguru possa ser um “fóssil” das espécies mamíferas antigas. Os ancestrais dos marsupiais teriam se separado na cadeia evolutiva de outros mamíferos há 130 milhões de anos.

O sequenciamento do genoma do canguru também foi acompanhado por um registro sobre quais genes são ativados ou não em diferentes fases da vida do wallaby-de-Tammar. Esse estudo complementar irá permitir saber as semelhanças e diferenças entre os DNAs de humanos e cangurus.

É a terceira vez que um marsupial tem o genoma desvendado em todo o mundo. Antes do wallaby-de-Tammar, o diabo-da-Tasmânia, outra espécie típica da Austrália, também foi estudado.
As fêmeas da espécie wallaby-de-Tammar ficam grávidas durante 12 meses. Ao nascer, o animal pesa apenas meia grama e fica mais nove meses na bolsa da mãe para se proteger. (Fonte: G1)

Peru recebe elogios por conservar florestas de mogno

A Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES, na sigla em inglês) elogiou os esforços do Peru para evitar o desaparecimento de suas florestas de mogno por causa da extração indiscriminada da madeira. Nesta sexta-feira (19), o comitê da convenção concluiu em Genebra suas reuniões anuais que se estenderam por uma semana com a participação de 300 representantes de 172 países-membros da convenção, de ONGs, órgãos intergovernamentais e empresas.

Em 2010, o comitê expressou nas reuniões em Doha sua preocupação com a situação das florestas de mogno no Peru, cuja sobrevivência estava em perigo pelo grande volume de comércio – grande parte ilegal – desta madeira, quando o Peru era o primeiro exportador mundial de mogno. A convenção advertiu o Peru sobre a possibilidade de punição se não adotasse três ações para preservar a população de mogno: criar um sistema de informação confiável sobre a situação da espécie e os volumes de comércio, implementar uma regulamentação do comércio e reduzir as cotas de exportação para permitir a regeneração da mata.
A presidente do Comitê Permanente Regional da América do Sul nestas reuniões da CITES, a colombiana Xiomara Sanclemente, contou que o Peru colocou em prática todas as exigências “em prazo recorde”.
“Isto proporcionou o reconhecimento de todos os países da convenção, como os Estados Unidos e o Reino Unido”, informou Xiomara. Os testes de extração prejudicial foram considerados importantes. Esses exames permitem saber a quantidade de madeira a ser extraída das florestas sem colocar em risco a sobrevivência e regeneração das espécies. Pelos resultados dos exames, o Peru estabeleceu cotas à exportação de apenas 1% de sua população de mogno, o que fez com que caísse de 1º para 4º posto de exportadores mundiais desta madeira, atrás do México, Guatemala e Bolívia.

Além disso, Xiomara explicou que o Peru aprovou um decreto presidencial que regula o comércio de mogno, para por fim ao tráfico ilegal, além de criar um departamento governamental específico sobre assuntos florestais. Para a especialista, o país foi um exemplo de como um estado com poucos recursos pode por em prática medidas tão ambiciosas como estas, em busca da conservação, trabalho para a que contou com a assessoria da Organização Internacional de Madeiras Tropicais e da secretaria da CITES. (Fonte: Portal Terra)