segunda-feira, 18 de julho de 2011

Japão e aliados boicotam proposta de santuário de baleias no Atlântico Sul


Os países caçadores de baleias, com o Japão à frente, se recusaram a submeter a votação, nesta quinta-feira (14), a criação de um santuário para estes cetáceos no Atlântico Sul, o que provocou novos temores de tensões no último dia da sessão anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI).
Os delegados japoneses, seguidos pelos islandeses e por vários países africanos e caribenhos, abandonaram a sala de negociação quando o presidente propôs a votação da iniciativa de Argentina e Brasil.
Mas as negociações prosseguiam a portas fechadas.
Há vários anos, a CBI, que tem 89 membros, única instituição de gestão dos grandes cetáceos, prefere adotar as medidas por consenso para tentar superar as enormes divergências entre os países protetores de baleias e os caçadores (Japão, Noruega, Islândia e seus aliados).
Mas Brasil e Argentina pediram nesta quinta-feira, ante a falta de consenso, a votação da proposta de instaurar um santuário para impedir a caça comercial no Atlântico sul, uma medida mais simbólica que efetiva devido à moratória internacional em vigor sobre a caça.
“Pensamos que uma votação teria um efeito bastante negativo no bom ambiente que conseguimos criar nesta organização”, declarou durante as discussões Joji Morishita, comissário adjunto da delegação japonesa, ao mesmo tempo que disse “compreender a importância da proposta”.
Ele afirmou que as delegações dos países caçadores abandonariam a sala para impedir o quórum necessário – 45 países – para proceder a votação.
“Não acredito que se acontecesse uma votação isto seria o fim da Comissão Baleeira”, disse o representante do Brasil, Marcus Paranaguá, que recordou que a proposta do santuário está sobre a mesa desde 2001. (Fonte: G1)

Recomendação de beber 2 litros de água por dia é falha, diz estudo


Deixe de lado a obrigação de beber oito copos de água por dia e a culpa que aparecer quando essa “missão” não for cumprida.
Segundo texto publicado na terça-feira (12) no “British Medical Journal”, escrito pela médica Margaret McCartney, de Glasgow, na Escócia, o conselho de beber cerca de 2 litros de água por dia é “nonsense”.
“Não há evidências científicas dos benefícios de beber quantidades grandes de água, mas o mito de que não bebemos água o suficiente tem vários defensores”, diz.
Ela cita o site do National Health Institute (organização de saúde do Reino Unido), que recomenda ingerir de seis a oito copos de água por dia para evitar a desidratação, e organizações como a Hydration for Health, criada pela empresa Danone, fabricante de garrafas de água, que dão conselhos semelhantes.
Os únicos benefícios já provados da alta ingestão de água são dirigidos para pacientes que têm histórico de pedras nos rins, mas não há evidências suficientes de que o líquido possa impedir que elas apareçam em quem nunca teve o problema.
Fora isso, essa imposição corre o risco de ser até prejudicial porque pode causar deficiência de sódio no sangue e fazer as pessoas se sentirem culpadas por não beberem água o suficiente.
Daniel Rinaldi, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, afirma que a ingestão de água deve estar relacionada à sede, como um mecanismo de reposição de líquidos do corpo.
“Nosso organismo se autorregula. Não há mesmo evidências de que as pessoas precisam beber 2 litros de água diariamente.”
As exceções valem para crianças e idosos, que podem não sentir sede.
Regiões muito secas ou épocas com calor excessivo também pedem mais líquidos. Mas o nefrologista afirma que a água não é a única fonte de hidratação do corpo.
“Muitos alimentos têm água e podem suprir essa necessidade”, afirma. (Fonte: Mariana Versolato/ Folha.com)

Código Florestal deveria ir a votação popular, defende professor da USP


A discussão sobre o novo Código Florestal deveria ir a consulta pública, na opinião do biólogo e professor Sergius Gandolfi, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) , da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba.
Segundo o especialista em florestas e áreas degradadas, que esteve presente em debate que aconteceu nesta quinta-feira (14), na 63ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Goiânia, a votação deveria ser feita nos moldes do referendo sobre as armas, realizado no país em 2005.
“A população tem o direito de dizer o que quer, responder se essa proposta deve entrar em vigor ou que itens devem ser mantidos ou não”, disse Gandolfi. Segundo ele, não deveria ser permitido mudar uma lei que vai atingir todos os rios, cachoeiras, lagos, açudes e florestas com base na decisão de “meia dúzia de gatos pingados no Congresso”.
Segundo o professor da Esalq, a questão florestal não é pensada em relação ao estudo e aproveitamento da biodiversidade brasileira, que é a maior do mundo. Com o novo código, também acabarão as áreas de preservação permanente (APP) nas terras indígenas, com possibilidade de compensar a devastação em outro bioma. “Vai ser permitido ter uma fazenda em Santa Catarina e a reserva na Paraíba”, citou.
População urbana – O especialista destacou que 85% da população brasileira é urbana e essas pessoas não entendem que as mudanças propostas vão afetar diretamente a vida delas. “Para tratar um rio limpo, em APP, são necessários cerca de R$ 2 por mil metros cúbicos de água. Se esse rio for poluído, degradado, com erosão, acúmulo de sedimentos e agrotóxicos, além de não ter mata ciliar, o custo subirá para R$ 400”, comparou Gandolfi.
Ele comentou também sobre sedimentação, erosão, assoreamento de rios e inundações. “O novo código propõe medir o rio no leito médio, não no mais alto. Ou seja, aquele trecho de várzea que antes estava protegido não estará mais, o que facilitará o assoreamento. Para rios de até 10 metros de largura, a faixa ciliar será de 30 metros, mas deveria ser no mínimo de 57 metros”, afirmou.
Intervenção de estados e municípios – Segundo Gandolfi, de todas as mudanças que podem ocorrer com a modificação da legislação ambiental, a pior delas é deixar poder de decisão para os níveis municipal e estadual. “Não conheço nenhum estado em que o poder político não vá fazer com que acabe a lei ambiental. É muito fácil pressionar um prefeito, um estado, e fazer com que a lei não seja cumprida. Sem contar as mudanças entre um governo e outro”, disse.
Gandolfi acredita que uma lei federal, que valha para todos, garantirá isonomia entre os estados e o cumprimento a longo prazo. Caso contrário, “seria um caos”.
Para o engenheiro florestal Sebastião Renato Valverde, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, que apoiou o novo código durante o debate na SBPC, a lei atual é generalista demais, conflita com a Constituição (que diz que a União deve definir normas gerais, e os estados e municípios podem legislar sobre meio ambiente, água e florestas) e não vale para os diferentes biomas, como Amazônia, pampas, cerrado e caatinga. “Não defendo a redução das áreas protegidas, mas a lei que está aí hoje é muito diferente de quando foi criada”, apontou.
Valverde é favorável a uma lei que sirva a estados e municípios conforme a realidade de cada um e que não haja submissão a uma lei federal sem ter sido discutida pela sociedade. “A reserva legal da Amazônia era de 50%. Atualmente, por um descuido de uma medida provisória que não foi debatida, nem aprovada, subiu para 80%. Se eu quiser plantar milho na região, tenho que comprar cinco hectares para cultivar um”, afirmou.
De acordo com o engenheiro florestal, todos os problemas acontecem à luz da lei que existe hoje. “Essa lei não resolveu o problema, pelo contrário: foi omissa. Você acha que a situação vai piorar?”, questionou. (Fonte: Luna D’Alama/ G1)

Energia no Brasil é limpa, cara e desperdiçada, diz físico da UFRJ


Apesar de mais limpa, a energia no Brasil é muito mais cara e desperdiçada que em outros países, disse nesta sexta-feira (15) o físico Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante a 63ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Goiânia (GO).
As energias renováveis e os biocombustíveis respondem por 45% do total usado no território nacional, contra 10% no restante do mundo e 5% nas nações ricas, que apostam principalmente no carvão, óleo e gás natural. Porém, no Brasil, há muita fuga de energia durante a distribuição e mau aproveitamento final.
“A usina de Itaipu [no Paraná] fica a 1.000 km de Minas Gerais, São Paulo e Rio, e há perdas nesse caminho”, afirmou Pinguelli Rosa. Sobre o uso indevido da eletricidade, ele citou grandes empreendimentos, como shopping centers da capital paulista, que consomem a quantidade de energia de uma cidade de 100 mil habitantes.
Além disso, o diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ mencionou o alto custo da eletricidade no país.
“O consumidor final paga cerca de R$ 400 por megawatt/hora. A energia é cara demais, seja para as famílias ou empresas menores. Só é barata para o grande consumidor, que faz contratos diretos com os fornecedores e não paga tarifas”, afirmou. Segundo Pinguelli Rosa, a tarifa energética brasileira é comparada a países ricos e também aos essencialmente termelétricos, como o Japão.
Mesmo assim, ele fez uma comparação das diferentes matrizes energéticas e apontou a hidrelétrica como a forma mais barata de geração de energia.
O físico afirmou que, enquanto uma termelétrica custa, em média, R$ 140 por megawatt/hora, valor equivalente ao das usinas eólicas, o megawatt/hora gerado por uma hidrelétrica é de R$ 68 por megawatt/hora.
Caso à parte é o projeto da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, cujo preço será de US$ 1.000 por kilowatt instalado. Mas, para Pinguelli Rosa, a hidrelétrica tem a vantagem de durar muitos anos e produzir uma quantidade de energia até 200 vezes maior que a empregada na construção da obra.
Belo Monte – Sobre o projeto de construção da usina hidrelétrica no Xingu, o professor da UFRJ disse que falta o governo chegar a um acordo com a sociedade sobre os termos do que fazer ou não. “É um problema mal resolvido”, destacou.
Pinguelli ressaltou que o Brasil não coloca mais em execução grandes reservatórios. Hoje, são feitas hidrelétricas “a fio d’água”, ou seja, o reservatório é mínimo. Por isso, na opinião dele, o país vem complementando essa geração com termelétricas, que são caras e poluentes.
“A inundação de Belo Monte será de 500 km², menor que em Itaipu, e haverá uma geração de 20 watts por m². Na região da Volta Grande do Xingu, será mantido o nível mínimo para atender à população indígena”, disse.
A capacidade máxima de Belo Monte será de 11 gigawatts de potência, mas ela vai operar com 42% do total, o equivalente a 4,6 gigawatts. Essa média, no Brasil, é um pouco acima de 50%, enquanto os EUA trabalham com 46%, Japão e França com 35% e Espanha com 21%.
A previsão de gastos do governo é de R$ 20 bilhões, segundo Pinguelli, e o custo por kWh será em torno de US$ 1. “Ainda usamos muito pouco os recursos do país. Os EUA e a China têm muito menos e estão em uma posição acima nessa área”, comparou.
Outra necessidade, na opinião do professor da UFRJ, é modernizar o grupo Eletrobras, como foi feito com a Petrobras. “A política atual é que a Eletrobras seja sempre minoritária, e acho isso um erro. É a maior empresa elétrica do Brasil e deveria ser a controladora desses grandes empreendimentos”, afirmou.
Prós e contras – Em outro debate na SBPC sobre a execução de Belo Monte, o diretor de engenharia e construção da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), José Ailton de Lima, disse que o grande desafio do país é garantir energia elétrica em todos os locais, com o melhor preço.
De acordo com o diretor da Chesf, o Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, na Bahia, era um “campo de batalha” há 50 anos. “A região se transformou com os projetos de hidrelétricas. Não quer dizer que não houve dor nem sofrimento, nem que não vai ter. Não vamos tirar ninguém à força, mas dentro da legalidade”, disse Lima.
Já o professor Alfredo Wagner de Almeida, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), ressaltou que os problemas sociais estão no centro dessas obras. “Não concordo que o Vale do São Francisco seja uma maravilha. O que temos lá são terras tradicionalmente ocupadas, povos que têm esse direito. Não são unidades de conservação”, apontou.
Ele comentou que o desejo desses povos é se recolocar na sociedade. “Há muito tempo, eles são levados a sair de onde estão. O que se precisa é dar condições a esses índios para que eles façam a própria defesa”, propôs. Almeida concluiu que o modelo energético brasileiro é que precisa ser revisto. (Fonte: Luna D’Alama/ G1)

‘Não existem fontes renováveis de energia’, diz professor da Unicamp


O professor de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Arsênio Oswaldo Sevá Filho, especialista em energias e combustíveis, disse nesta quarta-feira (13), em palestra na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Goiânia, que não existe fonte de energia renovável.
“A ideia de que a hidroeletricidade se renova, sem dissipação ou desperdício, é uma aberração. Mesmo que uma forma se converta em outra, sempre há perda. Nenhum processo garante eficiência de 100%”, afirmou. Segundo o especialista, deveria haver um esforço geral da população para economizar energia, obras de menor porte e uma mistura maior de tecnologias.
Na visão de Sevá Filho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) “não representa a interface entre o governo e a sociedade, apenas os negócios das empresas”. Mais que um projeto ambiental e de engenharia, as usinas são vistas como unidades de negócios, que precisam ser gerenciadas para ser cada vez mais lucrativas, argumentou o professor.
De acordo com o pesquisador da Unicamp, um rio barrado não é mais um rio. “O Tietê, por exemplo, é hoje um conjunto de ecossistemas parcialmente gerenciado”, definiu.
O engenheiro mecânico ressaltou que não é contra a energia elétrica, mas a abordagem das empresas. “Se não trabalharmos com os problemas, não haverá solução. Esse tipo de energia é barato porque expulsa os moradores e não paga essas pessoas”, criticou. “E os absurdos não acontecem porque a administradora é a Eletrobras ou a Tractebel. É porque as usinas são construídas da forma que são”, acrescentou Sevá Filho.
Entre os prejuízos causados por hidrelétricas e barragens, o professor da Unicamp citou o desalojamento da população, a mudança da alimentação pelo desaparecimento de peixes e outros animais, a alteração da agricultura e pecuária em decorrência de nascentes que secam ou brotam. Gases como metano e ácidos orgânicos também poderiam apodrecer a vegetação. “A mecanização, o desmatamento, os esgotos, agroquímicos, infiltrações e o desgaste da estrutura repercutem nos reservatórios e na população”, disse.
O especialista destacou, ainda, que a erosão sobre as barrancas tende a entupir progressivamente as represas, e o volume de água armazenada decresce, até estacionar. “A longo prazo, o custo da energia depende da velocidade desse assoreamento”, explicou.
‘Cirurgia na natureza – Savá Filho também disse que, estatisticamente, várias construções se rompem ou colapsam por ano, além de causarem tremores de terra, como em Paraibuna, interior de São Paulo. “Cada vez mais, rios maiores e mais caudalosos são barrados. “Essa ‘cirurgia’ na natureza pode muitas vezes até ser vista do espaço”, disse.
Além do dogma de que as energias podem ser renováveis, outra crença é de que sempre serão feitas mais e maiores barragens, pois em algum momento as possibilidades vão se esgotar. “Um dia, todos os rios barráveis estarão barrados. E aí vão querer colocar Itaipu e as Cataratas do Iguaçu por água abaixo para construir algo maior? Só se a humanidade entrar em um processo de enlouquecimento progressivo”, afirmou.
Atualmente, a Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (fronteira do Brasil com o Paraguai), tem capacidade de geração de 14 gigawatts. Quando foi inaugurada, em 1982, quase 30 mil brasileiros foram expulsos de suas casas, sem contar o lado paraguaio, segundo o professor. “Em breve, a China vai inaugurar a usina das Três Gargantas, com capacidade para mais de 20 gigawatts. Dois milhões de chineses já foram desalojados”, afirmou.
Belo Monte – Sobre o projeto de construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, o pesquisador disse ao G1 que acredita que serão construídas pelo menos quatro barragens só no trecho principal. “Sempre são mais barragens do que alardeiam”, disse.
“O que se tem feito é alardear que o Brasil tem energia barata, aí os investidores vêm aqui gastar, e quem paga é o povo brasileiro”, concluiu Sevá Filho. (Fonte: Luna D’Alama/ G1)

Estudo simulará aquecimento amazônico e suas consequências

 Para descobrir como animais e plantas vão se virar diante do desafio do aquecimento global, cientistas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) vão recriar artificialmente o ambiente aquático amazônico num clima mais quente. A ideia é ter cenários baseados em três projeções do IPCC (painel do clima da ONU) para 2100, da mais branda à mais catastrófica. O projeto, diz seu coordenador, Adalberto Val, diretor do Inpa, é inédito no mundo. “Muitos pesquisadores olham para os animais terrestres quando fazem projeções, mas se esquecem da vida aquática”, afirma o biólogo.

No caso da Amazônia, há mais de 3.000 espécies de peixes conhecidas – boa parte delas endêmica (ou seja, só existem naquela região). 
Val falou sobre o tema durante a 63ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que acontece em Goiânia.
Fora d’água – O impacto do aquecimento sobre a vida aquática começa fora d’água. Com a redução das árvores em volta dos rios (elas podem morrer com o clima mais quente), a radiação solar que atinge o ambiente aquático aumenta.
Além disso, os bichos tendem a nadar mais superficialmente para respirar diante da redução de oxigênio nas águas, que têm aumento de carbono e ficam mais ácidas com o aquecimento global. 
Mais expostos à luz solar, os peixes correm mais risco de sofrer mutações por causa da radiação, e isso pode prejudicar sua saúde.
A ideia do Inpa é avaliar todas essas variáveis nos ambientes artificiais.
“Os cenários não corresponderão exatamente à realidade, mas queremos investigar se esses animais conseguirão se adaptar às [novas]condições”, afirma ele.
A hipótese dos cientistas é que os truques para sobreviver ao aquecimento estão no DNA dos animais desde o período Jurássico, há cerca de 200 milhões de anos, quando o clima era mais quente. 
Val também lembrou que, diante de condições climáticas adversas, os peixes tendem a migrar para outros ambientes. Em geral, os que ficam nas condições mais quentes tendem a ser os peixes ósseos. Os cartilaginosos (como as arraias) procuram outras águas, menos tépidas.
Isso traz desequilíbrios ambientais, como disputa acirrada por alimentos. Hoje, de acordo com Val, há 20 modelos sobre mudanças climáticas que não consideram a adaptabilidade dos organismos. “Precisamos considerar as características de cada lugar e olhar especificamente para os peixes.”(Fonte: Sabine Righetti/ Folha.com)

Lei que desestimula uso de sacolas plásticas faz um ano e tem bom resultado no Rio


Em um ano de vigência da Lei 5.502/09, que desestimula o uso de sacolas plásticas no estado, a população fluminense deixou de consumir 600 milhões de sacolas. O número representa redução de cerca de 25% das 2,4 bilhões de sacolas que eram distribuídas anualmente no estado.
Os dados foram levantados pela Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) e divulgados nesta sexta-feira (15) pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que ficou satisfeito com o resultado. No entanto, Minc disse que é preciso intensificar a campanha e criar novas ações para estimular o consumo consciente da população fluminense.
“É um resultado expressivo. São menos 600 milhões de sacolas nos rios, lagoas e canais. É menos gasto para o Poder Público em dragagem e menos gente que perde tudo e morre por causa das inundações. Mas nosso objetivo é dobrar essa meta no ano que vem e passar para 50% de redução em relação ao número inicial de 2,4 bilhões de sacolas”, acrescentou.
Entre as propostas para incentivar o consumidor a aderir à campanha para reduzir o consumo de sacolas plásticas, Minc citou a redução do preço das embalagens reutilizáveis, o aumento do desconto dado ao cliente que não usa sacolas plásticas e a veiculação de peças publicitárias sobre o assunto.
Na manhã desta sexta-feira, o secretário visitou alguns supermercados na capital, para ver se os estabelecimentos estão cumprindo a lei e dando o desconto de 3 centavos por sacola não utilizada, viabilizando alternativas e informando com cartazes sobre o desconto e os males ao meio ambiente que esse tipo de embalagem traz. Durante a operação foram entregues também folhetos para incentivar a sociedade a mudar de comportamento.
Para o presidente da Asserj, Aylton M. Fornari, a lei vingou. “A população aceitou bem a iniciativa, e nós, da associação, vemos os resultados com bons olhos. Não vai resolver o problema, mas, enquanto não houver ações mais severas ou um produto menos danoso para substituir de vez as sacolas plásticas, a lei pelo menos minimiza o problema”, disse Fornari.
Adepta das sacolas retornáveis antes de a lei entrar em vigor, a publicitária Sibele Aquino reclama da falta de informação sobre os descontos nos supermercados e da pouca consciência das classes média e alta que, segundo ela, ainda usam as sacolas plásticas por preguiça. “Estive em Portugal recentemente e lá os mercados cobram cerca de 10 centavos de euro por cada sacola plástica. Acho que deveria ser assim aqui também”, sugeriu. (Fonte: Flávia Villela/ Agência Brasil)

Brasil e Nicarágua firmam parcerias nas áreas de desenvolvimento sustentável e bioenergia


Os governos do Brasil e da Nicarágua desenvolverão projetos conjuntos nas áreas de bioenergia, carbonização vegetal e melhorias para a reposição de florestas em território nicaraguenses. Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, e da Nicarágua, Samuel Santos López, assinaram nesta quinta-feira (14) os acordos de parceria.
Desde de 2006, o Brasil coopera na área técnica no setor de energia com o país centro-americano, mas hoje foram firmados acordos complementares. Um deles se refere à assessoria técnica na promoção de bioenergia para o desenvolvimento sustentável e o estímulo desta alternativa no país. A parceria conta com o apoio da Universidade Federal de Viçosa e Rede Nacional de Biomassa para a Energia (Renabio).
O segundo projeto se destina ao suporte técnico para melhoria de carbonização vegetal na Nicarágua. O objetivo é estimular o conhecimento e o acesso de novas metodologias e técnicas de produção, de criação de capacidades locais, de utilização de árvores não madeiráveis e de utilização de carvão vegetal na Nicarágua, que reduzam o risco de contaminação e levem à eficiência energética – no que referem à produtividade e ao rendimento.
O terceiro acordo se refere ao suporte técnico para produção e incentivos de habilidades para a modernização das medidas sobre sustentabilidade ecológica e eficiência energética. Participam como colaboradores a Universidade Federal de Viçosa e a Federação das Associações de Recuperação Florestal do Estado de São Paulo.
Com 5,6 milhões de habitantes, a economia da Nicarágua se baseia na agricultura e pecuária. O material vulcânico enriqueceu o solo do país tornando-o mais fértil. Os principais produtos comerciais agrícolas são: café, algodão e banana. Outros cultivos destacados são: cana de açúcar, milho, frutas, arroz, mandioca, sorgo e feijão. Há, ainda, depósitos de ouro, prata, sal e cobre. (Fonte: Renata Giraldi/ Agência Brasil)

Crocodilo “monstro” de 5,5 m assusta turistas australianos


No ermo Território do Norte da Austrália, os turistas são advertidos a manterem distância dos perigosos crocodilos – mas esqueceram de avisar Brutus, um crocodilo ‘monstro’, de ficar longe dos turistas.  O crocodilo de 5,5 metros de comprimento frequentemente salta da água ao lado do barquinho dos turistas, em busca de um pedaço de carne de búfalo pendurado em um graveto.
Quando as fotos de Brutus apareceram nos jornais australianos recentemente, porém, elas imediatamente lançaram dúvida sobre a existência do crocodilo. “Esse crocodilo é 100 por cento real. Fizemos a polícia forense analisar a imagem”, disse Maxine Bowman, membro da equipe do Adelaide River Cruises, que diariamente leva turistas para alimentar Brutus e outros crocodilos da região.
Sem uma pata dianteira, supostamente perdida num ataque de tubarão, Brutus salta no ar em busca de comida.(Fonte: Portal iG)

Amazônia pode perder cinco cidades de SP em um ano, prevê Imazon


Se o atual ritmo de desmatamento na Amazônia Legal não for freado com ações de fiscalização e combate, o bioma pode perder 7.134 km² em vegetação no período entre agosto de 2011 e julho de 2012, segundo previsão da organização ambiental brasileira Imazon.
Caso isto se concretize, a floresta perderia uma área equivalente a quase cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo ou seis vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.
Além disso, a destruição anual da floresta terá sido 10,5% maior se comparada à última medição feita pelo sistema Prodes, método empregado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para avaliar a derrubada da floresta em 12 meses, que registrou entre agosto de 2009 e julho de 2010 desmatamento de 6.451 km². Os dados são utilizados pelo governo federal como índice oficial de degradação da Amazônia Legal.
O levantamento do Imazon foi feito com base em dados registrados pela instituição, captados via satélite, e que são divulgados mensalmente. Estes números foram adicionados a um modelo estatístico criado em computador, que determinou a previsão. Ainda de acordo com o Imazon, o estado do Pará é o que mais poderá concentrar locais com alto risco de desmatamento (72%), seguido do Mato Grosso (11%).
Localização – Segundo Márcio Sales, estatístico e pesquisador da organização ambiental, o foco deste modelo não era somente prever o aumento no corte de árvores (já registrado pelo governo federal no bimestre março-abril de 2011 e que resultou em providências urgentes para reduzir os índices de desmatamento).
“O modelo foi criado para analisar onde essa devastação vai acontecer, com um raio de alcance de 5 km. As chances de acerto são de 80%. Nossa intenção é criar um sistema de combate que faça o alerta antes do desmatamento acontecer”, afirmou Sales.
Entre as localidades que poderão concentrar as ocorrências mais graves de crime ambiental estão as estradas federais que cortam o bioma, como o rodovia BR-230 (Transamazônica), na região da Terra do Meio (PA) e ao longo da BR-163 (rodovia Cuiabá-Santarém). Outras regiões de concentração estão no nordeste do Pará, nos municípios próximos a Paragominas, sudeste e sudoeste do Acre, norte de Rondônia e no noroeste e centro do Mato Grosso.
“Não sabemos o real motivo do desmatamento, mas localidades do Pará como Pacajá, Altamira, São Félix do Xingu e Novo Repartimento poderão ser as grandes responsáveis pelo desmatamento”, afirmou Sales. Dados do levantamento do Imazon mostram que as quatro cidades juntas podem desmatar ao menos 684 km².
Oficial – Em maio, o Inpe, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, identificou na Amazônia Legal 267,9 km² de desmatamento em diversos estágios – número 44% menor que em abril de 2001 e 144 % maior que em maio de 2010.
A área equivale a 166 vezes a extensão do Parque Ibirapuera, em São Paulo, ou mais de quatro vezes o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. Mato Grosso lidera o desmatamento em maio, seguido de Rondônia (com 67,9 km²), Pará (65,5 km²) e Amazonas (29,7 km²). (Fonte: Eduardo Carvalho/ Globo Natureza)