sexta-feira, 8 de julho de 2011

‘Não é hora de ser pragmático’, diz Marina Silva ao anunciar saída do PV

A ex-senadora Marina Silva anunciou, nesta quinta-feira (7), a desfiliação do Partido Verde no evento “Encontro por uma nova política”, realizado na Zona Oeste de São Paulo, e a criação de um movimento, ainda sem nome, para discutir política. O evento reuniu aliados da ex-ministra do Meio Ambiente.

Segundo o deputado federal Alfredo Sirkis, o movimento terá como lema o tema “verde e cidadania”. “Não é hora de ser pragmático, é hora de ser sonhático e de agir pelos nossos sonhos”, disse, em discurso. A íntegra do discurso foi publicada no blog da ex-senadora, assim como a carta de desfiliação, assinada por outras 15 pessoas. O ex-deputado Fernando Gabeira participou do evento por meio de uma videoconferência. Em reportagem publicada às 15h57 desta quinta, o G1 errou ao informar que o ex-deputado anunciou desfiliação do PV. Ele apenas expressou apoio ao movimento de Marina Silva, mas não declarou ter deixado o partido e afirmou que não cogita sair do PV.

Eleições – Marina ressaltou que a saída do partido não tem motivação eleitoral. “Manter a coerência e seguir em frente, é o sentido de nosso gesto, repito. Não se trata de uma saída pragmática, com olhos postos em calendários eleitorais. Ao contrário, é a negação do pragmatismo a qualquer preço.” “Não sou candidata a priori, não vou ficar na cadeira cativa e não sei se vou me candidatar à presidência (em 2014). Não vou engessar a minha vida a priori numa expectativa induzida para ser candidata. Me exponho a um processo e quero ver, como pessoa, onde é melhor a minha contribuição”, afirmou.

Marina deixou o PT em agosto de 2009 e se filiou ao PV para concorrer às eleições de 2010. Disputou a Presidência da República e ficou em terceiro lugar, com quase 20 milhões de votos. Sobre o movimento que deverá mobilizar a partir de agora, ela afirmou: “Estamos procurando metabolizar uma nova forma de fazer política, não há ainda uma fórmula. As pessoas estão na expectativa, mas também estou. Não deve ser criada a ilusão da velha liderança.”

‘Coerência’ – Marina começou seu discurso relembrando o texto para um convite para a candidatura de 2010, em que falava na criação de “um grande movimento para que o Brasil vá além e coloque em prática tudo aquilo que a sociedade aprendeu nas últimas décadas”. O documento também dizia, segundo Marina, que era preciso “reinventar o futuro” e que “a distância entre o que somos e o que podemos ser não é tão longa se nos dispusermos a começar a caminhada.”

“Estamos aqui hoje para reafirmar que esta continua sendo a nossa palavra, que vale o que está escrito. Está nesta palavra dada a principal razão pela qual eu mesma e tantos companheiros estamos nos afastando do Partido Verde. Para manter nossa coerência e seguir em frente, em união com aqueles que, embora não se desligando do partido por diversas razões, permanecerão críticos e em consonância com o mesmo pensamento.”

Ela acrescentou que a experiência no PV “serviu para sentir até que ponto o sistema político brasileiro está empedernido e sem capacidade de abrir-se para sua própria renovação.” Marina fez outras críticas ao partido, mas de forma indireta. “O resultado mais grave da perversão do sistema político é o afastamento das pessoas da Política com P maiúsculo, pela qual cada um pode ser parte das decisões públicas por meio de suas opiniões, sua palavra, suas propostas, seu voto bem informado e consciente.”

Leia a íntegra do discurso:
“Chegou a hora de acreditar que vale a pena, juntos, criarmos um grande movimento para que o Brasil vá além e coloque em prática tudo aquilo que a sociedade aprendeu nas últimas décadas”. Assim começava o convite para a grande aliança que, em 2010, propusemos à sociedade brasileira. E continuava dizendo que chegou a hora dos que querem viver num país melhor, reinventar o seu futuro no século 21. Que podemos alcançar a democracia que queremos. Que a distância entre o que somos e o que podemos ser não é tão longa se nos dispusermos a começar a caminhada. Estamos aqui hoje para reafirmar que esta continua sendo a nossa palavra, que vale o que está escrito. Está nesta palavra dada a principal razão pela qual eu mesma e tantos companheiros estamos nos afastando do Partido Verde. Para manter nossa coerência e seguir em frente, em união com aqueles que, embora não se desligando do partido por diversas razões, permanecerão críticos e em consonância com o mesmo pensamento. A experiência no PV serviu para sentir até que ponto o sistema político brasileiro está empedernido e sem capacidade de abrir-se para sua própria renovação. Se antes dissemos “chegou a hora de acreditar”, afirmo hoje: chegou a hora de ser e fazer, de nos movimentarmos em conexão com as redes e pessoas que expressam a chegada do futuro e o constroem na prática, no dia-a-dia. A proposta de desenvolvimento sustentável é inseparável de uma política sustentável. Não podemos falar das conquistas de nosso país separando–as da baixa credibilidade do sistema político, dos desvios éticos tornados corriqueiros, da perplexidade da população diante da transformação dos partidos em máquinas obcecadas pelo poder em si e cada vez mais distantes do mandato de serviço que estão obrigados a prestar à população. A ideia de desenvolvimento não pode estar desvinculada da existência de um sistema político democrático consolidado, tanto na sua face representativa quanto na sua imprescindível dimensão participativa direta. O resultado mais grave da perversão do sistema político é o afastamento das pessoas da Política com P maiúsculo, pela qual cada um pode ser parte das decisões públicas por meio de suas opiniões, sua palavra, suas propostas, seu voto bem informado e consciente. Quando a representação gerada por esse voto não expressa integralmente o compromisso de se dedicar ao bem comum, a democracia sai trincada, e essa ameaça afeta a todos nós e nosso direito a viver melhor, com mais justiça, mais qualidade de vida, com horizontes mais prazerosos. Então, é preciso reagir e chamar mais e mais pessoas para um grande debate nacional sobre o nosso futuro. É essa a causa que nos move e nos faz reconhecer, em primeiro lugar, que o propósito de levá-la adiante por meio do PV, na forma como ele hoje se estrutura, não foi possível. E, em segundo lugar, que não podemos relativizá-la para compor com uma cultura política que combatemos e que se mostra impermeável ao novo e ao sentido profundo da democracia. Manter a coerência e seguir em frente, é o sentido de nosso gesto, repito. Não se trata de uma saída pragmática, com olhos postos em calendários eleitorais. Ao contrário, é a negação do pragmatismo a qualquer preço. É uma reafirmação de compromissos e princípios. É uma caminhada verdadeira e esperançosa em direção ao nosso foco principal: sensibilizar as brasileiras e os brasileiros que se dispõem a sair do papel de meros espectadores a que vêm sendo condenados pelo atual sistema político para ser uma força transformadora. Força capaz de fazer sua vontade junto a um sistema político superado na sua essência, mas ainda no comando das instituições, tornando-as reféns de privilégios, de interesses setoriais, de alianças e posturas atrasadas, incompatíveis com os desafios que temos para este século.
Hoje, as pessoas se mobilizam por causas muito diferenciadas, se manifestam pela internet, mas tem dificuldades de se integrar, de amalgamar suas diferentes preocupações num grande projeto de país, impulsionado pelo desejo de um salto civilizatório que só acontecerá se interrompermos a trajetória de degradação social e ambiental que é, infelizmente, uma das principais marcas de nossos tempos.
Junto-me a todos que se identificam com esse pensamento, para fazer chegar o momento da integração. De inventar outra cultura política para nosso futuro. Vamos discutir democracia, educação, desenvolvimento, sem as amarras das ambições de poder como um fim em si mesmo, que diminuem e pervertem os sonhos e as intenções. Não se trata de negar as instituições de Estado e o sistema representativo. Sabemos de sua importância e de seu papel, mas não podemos fechar os olhos para seus desvios. Devemos exigir que saiam de suas velhas práticas e acordem para o presente. Para isso, a sociedade brasileira precisa recuperar a sua iniciativa no campo político, construir coletivamente sua vontade e fazê-la valer. Nosso debate, hoje, não pode ser o das eleições de 2014. As eleições de 2010 tiveram o papel de fazer a luta socioambiental abrir suas janelas e portas para a sociedade. Fizeram com que milhões de pessoas escolhessem uma proposta diferente. Agora é hora de ir mais fundo. A hora da verdade. Para nós e para a sociedade. Vamos nos reencantar com o nosso potencial para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que precisa ser preservado. Na campanha de 2010 dissemos que deveríamos “ir além dos limites impostos pela falta de grandeza dos interesses e costumes de alguns políticos que se acomodaram à lógica do poder pelo poder, que se tornaram incapazes de assumir plenamente os desafios do presente”. Essa também continua sendo a nossa palavra. Não era vento, não era circunstância, era de fato nossa proposta de Política e de Vida e por ela continuaremos a nos guiar, não importam quais sejam as dificuldades, as maledicências, as armadilhas, as ofertas para deixar por menos. Como alguém já disse, o ideal que move as pessoas para melhorar o mundo em que vivem, e onde no futuro outros irão viver, deve estar na popa e não na proa, a nos impulsionar para o futuro. Não é hora de ser pragmático, é hora de ser sonhático e de agir pelos nossos sonhos.”
(Fonte: G1)

Pesquisa descobre que tipo de células cicatriza medula espinhal

Um estudo publicado nesta quinta-feira descobriu que tipo de células é responsável pela cicatrização da medula espinhal após uma cirurgia. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia, e dirigida pelo cientista Jonas Frisén. A equipe de Frisén demonstrou que a maioria das células das cicatrizes na medula espinhal lesionada provém dos pericitos, pequenas células situadas nos vasos sanguíneos. Até então, acreditava-se que as células que formavam as cicatrizes após as lesões da medula espinhal eram as células da glia, que fazem parte do sistema nervoso.

O estudo do Instituto Karolinska permitirá que os cientistas concentrem nos pericitos suas tentativas de aumentar a cicatrização na medula espinhal, o que pode levar a novos tratamentos e favorecer a recuperação funcional dos pacientes com danos no sistema nervoso.

“Os pericitos começam a se dividir justo após o ferimento e dão lugar a um conjunto de células de tecido conjuntivo que migram em direção à lesão para formar uma grande porção de cicatriz”, diz o artigo publicado pela revista “Science”. Na ausência dessas células, ocorrem buracos no tecido, em vez de cicatrizes. (Fonte: G1)

Brasileiro consome 30 quilos de plástico reciclável por ano, mostra pesquisa

Cada brasileiro consome, em média, aproximadamente 30 quilos de plástico reciclável por ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Em 2010, de acordo com anuário do setor químico da entidade, foram consumidas no país cerca de 5,9 mil toneladas de plástico, o que representa 50% a mais do que há dez anos.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (7) pela pesquisadora Lucilene Betega de Paiva em um seminário na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Lucilene trabalha no Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo (IPT) e é especialista em plásticos.

Em sua participação no seminário, ela falou sobre a importância da reciclagem desse material. Segundo ela, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) pode ajudar a “transformar um passivo ambiental em uma fonte de recursos financeiros”. A PNRS foi o tema central do seminário na Alesp. O evento faz parte de uma série de debates preparatórios para a 12ª Conferência das Cidades, promovida pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados. A Conferência das Cidades ocorre todo ano, no segundo semestre. Em 2011, ela está programada para outubro e deve tratar também da PNRS.

A PNRS foi instituída por lei aprovada, sancionada e regulamentada no ano passado. Ela estabelece regras para a destinação do lixo produzido no país. De acordo com a PNRS, a reciclagem deve ser priorizada. Já o lixo não reciclável deve ser levado a aterros sanitários. Os lixões precisam fechados até 2015.

Dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), também apresentados no seminário na Alesp, mostram que o Brasil ainda precisa avançar para cumprir o estabelecido pela PNRS. Segundo levantamento feito pela entidade em 350 cidades que concentram quase metade da população urbana brasileira, 42% do lixo do país não receberam uma destinação adequada no ano passado.
Ao todo, foram 23 milhões de toneladas de lixo levadas para lixões ou aterros controlados, que não são ambientalmente apropriados. Para aterro sanitários, em que existem sistemas para evitar contaminação de água e solo, foram levadas 31 milhões de toneladas de lixo.

O deputado federal Manoel Junior (PMDB-PB), presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano, disse que a implantação da PNRS é um desafio para o país. As discussões durante seminários e na Conferência das Cidades, acrescentou, podem ajudar a adequar a destinação do lixo no país. (Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil)

Comitê da educação ambiental discute ações para 2011

O Comitê Assessor do Órgão Gestor da Política Nacional da Educação Ambiental (PNEA) se reúne até sexta-feira (8), em Brasília, para discutir as principais ações da política para 2011. Serão discutidos temas como a IV Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, a Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental, o III Circuito Tela Verde e a RIO+20.

O comitê assessor se reúne duas vezes no ano para discutir a implementação da PNEA. Os órgãos gestores da política são os ministérios do Meio Ambiente, que atua na educação ambiental não formal, e da Educação, na educação formal.

Na abertura dos trabalhos, nesta quinta-feira (7), a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Samyra Crespo, disse que o momento é de criar uma agenda positiva para os próximos anos, como o fortalecimento da produção sustentável.

Ela contou que o MMA está trabalhando como prioridade a educação ambiental na agricultura familiar. O objetivo é disseminar práticas de produção sustentáveis e melhorar a qualidade de vida da população do campo. De acordo com Samyra, essas ações farão parte do Programa Nacional de Educação Ambiental e Agricultura Familiar, elaborado em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA) e organizações da agricultura familiar. (Fonte: Carlos Américo/ MMA)

Atuns correm sério risco de extinção

Três das oito espécies de atum que existe no mundo estão seriamente ameaçadas de extinção. Esta é a conclusão de um novo estudo internacional que analisou o risco de extinção de população de peixes economicamente importantes . Foi a primeira vez, todas as espécies atuns, bonitos, cavalas, peixe-espada e marlins foram avaliados para a lista de espécies ameaçadas da da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN da sigla em inglês) .

“Todos os que trabalham com pesca e conservação marinha sabem que o número de barcos e a quantidade de redes e anzóis no mar, são muito maiores do que os recursos pesqueiros suportam. As ferramentas de ordenamento e controle da pesca são pouco efetivas no Brasil e no mundo”, afirmou ao iG Monica Peres, pesquisadora do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e uma das autoras do artigo publicado no periódico científico Science.

Não é só o atum que corre risco de ameaça. Entre as 61 espécies conhecidas, sete correm sério risco de extinção, estão na categoria ameaçada. Três delas são os atuns Thunnus maccoyi (criticamente ameaçado), T. thynnus (ameaçado) e T. obesus (vulnerável). Outras duas espécies de marlin, o Makaira nigricans e Kajikia albida (vulneráveis). Os outros dois são as cavalas Scomberomorus munroi (vulnerável) e Scomberomorus concolor (ameaçada).

Tanto atuns como marlins são peixes de vida longa e que precisam de pelo menos 4,7 anos para começarem a se reproduzir. Como tem um alto valor de mercado, a sobrepesca acaba matando o peixe antes que ele atinja a idade de se reproduzir, criando um cenário ideal para a extinção da espécie. “O estado de conservação dos recursos pesqueiros e da biodiversidade marinha é preocupante. A situação é bastante ruim e sem muita perspectiva de melhoria no curto e médio prazo.”, disse Mônica.

Outro problema é que como são peixes que estão no topo da cadeia alimentar, a redução da população destes grandes predadores pode causar efeitos negativos sobre outras espécies que são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema marinho e que são economicamente importantes como fonte de alimento.

Para os autores um dos mecanismos para conter a extinção é criar impedimentos maiores contra a pesca ilegal, além de tornar público dados como os pesquisados por eles. “O fato de ter sido publicado na Science, uma revista de grande impacto, traz uma grande publicidade/divulgação dos resultados. Com isto, eles chegam ao grande público, trazendo a possibilidade de que a sociedade possa manifestar-se, e fazer uma pressão social/politica para que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro.”, afirmou Monica. (Fonte: Alessandro Greco/ Portal iG)

Estudo afirma que inteligência de répteis pode não ser tão limitada

Pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, descobriram que os lagartos podem aprender e se lembrar de resolver problemas nunca enfrentados antes tão bem como aves e mamíferos. Os resultados foram obtidos após testes com lagartos tropicais, da espécie Anolis evermanni, tipicamente encontrados em Porto Rico.

Os resultados desafiam o estereótipo científico de que os répteis têm capacidade limitada em métodos para encontrar comida. Entretanto, o desempenho não significa que eles são mais inteligentes que as aves.

De acordo com os cientistas, durante os testes os lagartos tinham que procurar comida entre dois recipientes, um deles vazio e o outro com um verme dentro, mas coberto por uma tampa. Quatro exemplares, dois machos e duas fêmeas, tinham que remover a tampa e conseguiram fazer isto em menor número de tentativas que as aves.

“Pássaros têm até seis chances por dia de obter comida, mas os lagartos comem apenas uma vez. Em outras palavras, se um lagarto comete um erro, ele tem que se lembrar de como corrigi-lo até o dia seguinte”, disse Manuel Leal, biólogo da universidade. A conclusão do estudo deve levar os pesquisadores a reavaliar o que pensam sobre a evolução da cognição animal. (Fonte: Globo Natureza)

Fêmea ancestral de todos os ursos polares viveu na Irlanda, diz estudo

Cientistas descobriram que a fêmea ancestral de todos os ursos polares era marrom e viveu no que hoje é a Grã-Bretanha e a Irlanda durante a última era do gelo, entre 20 mil e 50 mil anos atrás. As mudanças climáticas afetaram o manto de gelo do Atlântico Norte e provavelmente deram origem a sobreposições temporárias nos habitats dos ursos. Essas sobreposições levaram ao cruzamento entre as espécies diferentes, introduzindo o DNA materno dos ursos pardos nos ursos polares, de acordo com um estudo desenvolvido por pesquisadores britânicos e norte-americanos.

Os achados, publicados online na revista “Current Biology”, devem ajudar a direcionar os esforços para a conservação dos ursos polares, que estão na lista das espécies ameaçadas de extinção. Os ursos polares e os pardos são espécies muito diferentes entre si no que diz respeito ao tamanho do corpo, pele e coloração, tipo de pelo, estrutura dentária e várias outras características físicas, explicaram os pesquisadores.

Em termos de comportamento, eles também são bem distintos. Os ursos polares nadam muito bem e estão adaptados ao estilo de vida do Ártico. Os ursos pardos, por sua vez, são escaladores e preferem as florestas montanhosas e os vales dos rios da Europa, da Ásia e da América do Norte.

Fixação – “Apesar dessas diferenças, sabemos que as duas espécies se cruzaram e provavelmente em muitas ocasiões durante os últimos 100 mil anos”, disse Beth Shapiro, da Penn State University, que liderou o estudo. “Uma pesquisa anterior havia indicado que o urso pardo contribuiu com material genético à linhagem mitocondrial do urso polar – a parte materna do genoma, ou o DNA que é transmitido exclusivamente pelas mães aos filhotes”. 

“Mas, até agora, não estava claro quando os ursos polares modernos adquiriram o genoma mitocondrial em sua forma presente”. A equipe de Shapiro fez a análise genética de 242 ursos pardos e das linhagens mitocondriais dos ursos polares, estendendo-se pelos últimos 120 mil anos e por várias faixas geográficas. Segundo suas descobertas, o DNA da mitocôndria do urso polar moderno provavelmente passou por uma fixação – uma redução drástica na variação genética e uma transição para o estado no qual uma piscina genética inteira inclui apenas a forma de um gene em particular.

Essa fixação provavelmente ocorreu durante ou pouco antes do pico da última era do gelo, afirmaram eles, possivelmente há até 50 mil anos, perto do que hoje é a Irlanda. “A coisa estranha é que, embora os ursos polares e os ursos pardos estejam por aí há muito tempo e sejam marcadamente diferentes, esses genes do urso pardo irlandês passaram para os ursos polares muito rapidamente”, disse Mark Thomas, do departamento de Genética, Evolução e Ambiente da University College de Londres. “Isso mostra que a ancestralidade e as origens não são tão simples como poderíamos pensar”. (Fonte: G1)