segunda-feira, 9 de maio de 2011

Apenas 8% dos municípios fazem a coleta seletiva de lixo

Diariamente o Brasil produz 150 mil toneladas de lixo, das quais 40% são despejadas em aterros a céu aberto. O destino adequado do lixo é um problema que afeta a maioria das cidades – apenas 8% dos 5.565 dos municípios adotam programas de coleta seletiva.

Os dados são de um estudo realizado pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem e mantida por empresas privadas.

O Brasil tem hoje uma Política Nacional de Resíduos Sólidos instituída pela Lei Federal 12.305, de 2 de agosto de 2010, e regulamentada pelo Decreto Federal 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Considerada uma vitória do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, o projeto tramitou por 20 anos no Congresso Nacional.

“Nós entramos no circuito porque a primeira lei sequer citava os catadores”, explica Severino Lima Junior, da coordenação nacional do movimento. Segundo ele, a lei é uma das melhores da América Latina .”Hoje a gente tem dados mostrando que 90% do material reciclado passou pela mão de um catador, seja ele de cooperativa ou de rua e lixões.”

A coordenadora de Consumo Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernanda Daltro, diz que a aprovação da lei foi o resultado de uma grande mobilização de todos os setores envolvidos: a sociedade, o setor produtivo, o governo e os catadores. “A demora da tramitação foi necessária para a adequação de todos os interesses destes setores, do próprio mercado, para atender as exigências, e dos governos, para entender a importância de uma política para os resíduos sólidos.”

A partir do segundo semestre de 2012 os brasileiros poderão ter regras fixas e determinadas pelo governo federal para o descarte adequado de produtos como eletroeletrônicos, remédios, embalagens, resíduos e embalagens de óleos lubrificantes e lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista .

Pela lei, os governos municipais e estaduais têm dois anos de prazo para a elaboração de um plano de resíduos sólidos. (Fonte: Ana Lúcia Caldas/ Radiobrás)

Brasil inicia processo para instalação da logística reversa

A partir do segundo semestre de 2012, o Brasil vai poder experimentar uma nova forma de lidar com o descarte de cinco grupos de resíduos. Os brasileiros poderão ter regras fixas, determinadas pelo Governo Federal, para dispor de produtos como eletroeletrônicos; remédios; embalagens; resíduos e embalagens de óleos lubrificantes; e lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista.

É o início do processo para a instalação da logística reversa, o principal instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Sua implementação vai garantir o aumento do percentual de reciclagem no Brasil. Atualmente, o País recicla muito pouco. Um percentual de resíduos secos que podia atingir a casa dos 30%, não passa hoje de cerca de 13%.

A lei definiu que na logística reversa, todos os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e o cidadãos têm responsabilidade compartilhada na correta destinação do produto adquirido. A ideia central é que a vida útil do produto não termina após ser consumido, mas volta a seu ciclo de vida, para reaproveitamento, ou para uma destinação ambientalmente adequada. 

Outro caminho que vai garantir ao Brasil o aumento da reciclagem é o da coleta seletiva. Além de significar uma economia anual aos cofres da União da ordem de R$ 8 bilhões, o aumento da reciclagem terá também o condão de evitar que esses resíduos cheguem aos aterros sanitários.

Lançamento - Nesta quinta-feira, 5 de maio, foram instalados cinco grupos de trabalho para implementar este tipo de logística. As cadeias que farão parte deste primeiro grupo são: eletroeletrônicos; lâmpadas de vapores mercuriais, sódio e mista; embalagens em geral; embalagens e resíduos de óleos lubrificantes; e o descarte de medicamento.
Na abertura dos trabalhos, o secretário-executivo do MMA, Francisco Gaetani, que representou a ministra Izabella Teixeira, disse que a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) não seria possível sem o engajamento de todos os setores envolvidos. “O Governo Federal tem o propósito de dialogar com todos esses setores. A PNRS é exemplar neste sentido, pois apostou no processo de discussão para que as políticas públicas fossem apropriadas”.
Segundo Gaetani, a aprovação da PNRS representa um debate nacional, que envolve qualidade de vida, novas práticas comerciais, novos padrões de comportamento.
A secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental (Saic), Samyra Crespo, disse que a responsabilidade compartilhada é um exercício entre vários setores e o Governo que se encontraram para pactuar o consenso.
Esses grupos de trabalho vão debater e definir quais os tipos de produtos de cada cadeia e os tipos de resíduos que serão submetidos à logística reversa. Estão convidados a participar destes grupos todos os atores envolvidos dentro da cadeia de responsabilidade compartilhada, como importadores, fabricantes, distribuidores, comerciantes, o Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável, representantes dos estados e dos municípios.
Segundo Silvano Silvério, secretário de Ambiente Urbano e Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, o que se quer com a logística reversa é definir uma fórmula, uma modelagem para ser apresentada à sociedade, orientando o cidadão sobre como ele fará a disposição de seu resíduo para que ele possa ser devolvido ao seu ciclo de vida.
“Hoje, o produto é fabricado, distribuído, comercializado e depois utilizado e o cidadão não sabe como dispor dele. Nossa pretensão é que exista uma regra em que esse cidadão, depois de utilizar determinado produto, saiba que pode levá-lo a um determinado lugar, onde haverá uma unidade para recepcionar o descarte. E que aquele produto devolvido seguirá para uma reciclagem, onde algumas peças serão reutilizadas na fabricação de um novo produto semelhante numa mesma cadeia ou em outros ciclos”, explica o secretário.
Num primeiro momento, a finalidade dos grupos de trabalho será a de definir essa modelagem, determinando, por exemplo, como será custeado todo o processo e quem vai arcar com ele. A segunda etapa será a elaboração de um estudo de viabilidade técnica-econômica para as cadeias e depois a definição de subsídios para elaboração de um edital onde o Governo Federal convoca um acordo setorial para cada uma das cadeias.
No edital estarão definidas quais as cadeias e quais os produtos da logística. “Estamos escutando todos os que participam de cada uma das cadeias, de tal forma que quando o edital for elaborado não ocorram surpresas quanto à apresentação dos acordos setoriais que vão colocar a logística de pé”, informa Silvério.
O processo começa com lançamento do edital e depois com realização dos acordos setoriais. Em seguida, o Governo Federal coloca as propostas definidas em consulta pública, quando e onde o cidadão terá oportunidade de opinar, de argumentar e dizer se concorda com os termos. O Governo então analisa a proposta e, estando de acordo com o edital, convoca as partes para ratificarem um acordo setorial. Um contrato é assinado, publicado e passa a valer para o País todo.
“Tudo isso será discutido nos grupos de trabalho. A ideia é definir a regra, a modelagem, a forma de a sociedade participar. E também como se dará a participação dos estados e dos municípios, de forma complementar com a coleta seletiva. O que queremos com esses grupos de trabalho é uma harmonização para a proposta de modelagem, para os subsídios para a confecção dos editais de lançamento dos acordos setoriais”.
Em seu artigo 33, a lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, diz que são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de agrotóxicos, seus resíduos e embalagens; pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; e produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
Dos que são obrigatórios pela PNRS a fazer logística reversa, quatro já o fazem. São eles: agrotóxicos; pilhas e baterias; pneus e óleos lubrificantes.
Exemplo - A logística de óleo lubrificante é uma logística que funciona bem no País, por determinação de resoluções já vigentes. Mas é preciso evoluir o processo de reciclagem das embalagens e dos resíduos dos óleos lubrificantes. 
Outro bom exemplo de responsabilidade pós-consumo em nosso País ocorre com relação às embalagens vazias de agrotóxicos. De acordo com Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), nos primeiros três meses do ano foram encaminhadas para o descarte ambientalmente correto mais de 8 mil de toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas.
Segundo dados do InpEV, o volume representa crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2010, quando foram processadas 6 mil e novecentas toneladas. Somente em março, as unidades de recebimento do País retiraram perto de 3 mil toneladas de embalagens do campo e cerca de 90% desse material seguiram para reciclagem. 
Grupo de Trabalho Temático – O GTT de Medicamentos conclui os trabalhos em outubro de 2011, após sete meses de discussões dentro do Grupo criado em 16 de março pelo Comitê Orientador para Implantação da Logística Reversa. O Grupo é coordenado pelo Ministério da Saúde.
Durante esse período, o comitê debate, entre outras questões, quais medicamentos serão objeto do Acordo Setorial; a metodologia para avaliação dos impactos sociais e econômicos da logística reversa; a modelagem do sistema proposto; a implementação da governança para implementação do acordo setorial; e o estudo de viabilidade técnica.
O correto descarte de medicamentos já vinha sendo debatido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), coordenadora do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). A Anvisa tratou o tema de forma conjunta com os vários segmentos da cadeia produtiva, envolvendo o Governo Federal, o setor empresarial, as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais e a população.
GTT – Embalagens – Um quinto dos resíduos produzidos no Brasil é composto por embalagens. São 25 mil toneladas diárias descartadas. No restante do mundo, as embalagens são responsáveis por um terço dos resíduos domésticos, sendo 80% delas descartadas imediatamente após seu uso original. Os materiais utilizados na sua confecção são os mais variados, como vidro, plástico, aço, alumínio, papel-cartão e outros.
Essa gama de embalagens acaba dificultando a identificação pelo consumidor de como encaminhá-las para a reciclagem. Por tudo isso é que a logística reversa de embalagens tem por objetivo o desenvolvimento de embalagens com menor consumo de recursos naturais em sua fabricação, maior separação dos materiais e um maior índice de reciclagem destes materiais, reduzindo o volume de resíduos descartados e da pressão pelo meio ambiente.
O Grupo de Trabalho Temático de Embalagens (GTT Embalagens), criado após a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, tem entre seus objetivos elaborar proposta de modelagem da logística reversa para embalagens em geral, excluídas as embalagens de agrotóxicos e óleos lubrificantes.
GTT – Eletroeletrônico – O termo resíduos eletroeletrônicos abriga inúmeros tipos de resíduos, incluindo, por exemplo, televisores, geladeiras, celulares, telefones, computadores (a CPU propriamente dita e todos seus periféricos como impressoras, monitores, teclados, mouses, etc), fogões, aspiradores-de-pó, ventiladores, congeladores, aparelhos-de-som, condicionadores-de-ar, batedeiras, liquidificadores.
Do ponto de vista ambiental, é grande a importância que se tem atribuído aos computadores pela velocidade de disseminação de seu uso e pela rapidez com que se torna obsoleto. Exemplifica isso o fato de que no período de 2006/2005, os notebooks apresentaram uma taxa de crescimento equivalente a mais de 110%.
Em termos de vendas para 2009, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee), o mercado total de venda de PCs foi de 12 milhões de unidades, dos quais 7,7 milhões de desktops e 4,3 milhões de notebooks. Estes números apontam para o fato de que 27% dos domicílios particulares dispõem de computadores, segundo fonte do IBGE.
Quanto à telefonia celular, segundo dados constantes do Panorama 2009 da Abinee, foram produzidos em 2008, 73 milhões de unidades, sendo 48 milhões de unidades para atendimento ao mercado interno de 25 milhões para exportação.
Não existe legislação federal para o descarte do resíduo tecnológico. O que existe são resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que tratam especificamente de alguns desses resíduos, como é o caso de pilhas e baterias (401/2008). Existem também algumas ações no âmbito do Governo Federal como o recolhimento de geladeiras comandado pelo MME e o Programa de Inclusão Digital conduzido pelo Ministério do Planejamento (MPOG) que aceita doações de computadores que são recuperados e distribuídos a instituições que os destinam ao uso de comunidades carentes.
GTT – Resíduos e embalagens de óleos lubrificantes – O processo para a logística reversa de óleos lubrificantes é feita no Brasil desde meados dos anos 50. Seu aperfeiçoamento tem se dado com resoluções normativas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com portarias interministeriais MMA/MME e com a Resolução Conama Nº 362/2005. Para as embalagens dos óleos, no entanto, não existe a estruturação de logística reversa em âmbito nacional, com exceção, para experimentos voluntários de produtores de óleos lubrificantes, localizados em alguns municípios.
A geração dos resíduos provenientes da utilização do óleo combustível cresce com o aumento do consumo, principalmente com a expansão da indústria automobilística, importante fonte geradora de resíduos, sendo que as embalagens e a geração de resíduos são o maior indicador desse crescimento. É sabido que o ciclo de vida do óleo lubrificante usado se inicia na produção do óleo lubrificante básico, oriundo da produção nas refinarias nacionais, importação ou das centrais de rerrefino de óleo usado ou contaminado.
Há cinco anos esta resolução entrou em vigor, a Resolução Conama 362/2005, que trata da coleta e recolhimento de óleos lubrificantes usados e ou contaminados é fruto da revisão da resolução nº 993 e ela inovou em criar um grupo de monitoramento permanente da resolução. Esse grupo é formado por setores do Governo Federal, por órgãos estaduais de meio ambiente, pela sociedade civil e pelo setor empresarial. Este setor, dentro da logística reversa, tem a obrigação em patrocinar a coleta do óleo lubrificante usado contaminado, vulgarmente conhecido como óleo queimado, para trazê-lo ao sistema de rerrefino, sistema que faz com que esse óleo seja transformado em óleo lubrificante de novo, numa proporção de 75% a 80% de aproveitamento.
“Apesar do sucesso da resolução, muito ainda precisa ser feito. A resolução especificou que teria de ser recolhido 30% do óleo usado e contaminado no país. A gente já está conseguindo coletar 35% e a meta é atingir até o meio da desta década algo em torno de 42%, porque ainda há muita margem de recolhimento”, disse Silvério.
Após a utilização do óleo lubrificante são geradas três categorias de resíduos, sendo os óleos usados e contaminados, embalagens plásticas de lubrificantes pós-consumo e embalagens metálicas de lubrificantes pós-consumo. No tocante aos óleos lubrificantes é gerado um resíduo denominado óleo lubrificante usado ou contaminado, resultado da lubrificação das mais variados tipos de máquinas. O mesmo é um resíduo perigoso, com características tóxicas, que lançado na natureza, seja no solo, na água e na atmosfera causa sérios danos ao meio ambiente e à sua saúde humana em geral. Quanto às embalagens, as mesmas quando usadas, possuem restos de óleos lubrificantes e são descartadas em lixões e aterros sanitários.
GTT – Lâmpadas – As lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista possuem metal pesado líquido altamente tóxico para os seres humanos e a vida silvestre. O mercúrio se volatiliza facilmente a temperatura ambiente e tem elevada capacidade de dispersão. É persistente nos ambientes e, por meio de metabolismo microbiano, pode mudar de forma transformando-se em metilmercúrio.
O metilmercúrio tem a capacidade de acumular-se nos organismos e concentrar-se nas cadeias alimentares, principalmente a aquática, contaminando os peixes e tornando-os a principal via de exposição e contaminação.
Não existe legislação brasileira que estabeleça limites de concentração de mercúrio nas lâmpadas e a maioria das empresas fabricantes do material tornaram-se praticamente importadoras. A logística Reversa facilitará a separação dos materiais proporcionando um maior índice de reciclagem no País, com isso reduzindo o volume de resíduos descartados e a pressão sobre o meio ambiente. (Fonte: Suelene Gusmão/ MMA)

Supremo rejeita pedido do PV para barrar votação do Código Florestal

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou pedido do Partido Verde (PV) para suspender a votação do Código Florestal na Câmara dos Deputados. O tema está previsto para começar a ser votado na próxima terça-feira (10).

Em um mandado de segurança, com pedido de liminar, o PV argumentou que não pode ser votado em sessão extraordinária um projeto de lei quando há medidas provisórias trancando a pauta. O ministro rejeitou a liminar, mas ainda vai analisar o mérito do pedido.

Conforme o PV, embora haja uma questão de ordem que diz que se uma matéria não pode ser tratada por MP então pode ser votada mesmo com a pauta trancada, já houve uma MP tratando de Código Florestal, a 2166/67.

Os pontos que causam divergências em relação à aprovação do novo Código Florestal serão mais uma vez discutidos pelos líderes partidários na próxima terça-feira (10), dia em que está prevista a votação do projeto no plenário da Câmara dos Deputados.

A ideia dos líderes é buscar um consenso em torno da proposta, garantindo a votação da matéria. Urgência para votação da proposta foi aprovada no dia 3 de maio. Após diversas reuniões sem consenso, a votação foi adiada para o dia 10.

As divergências giram basicamente em torno de dois pontos: a reserva legal para pequenas propriedades de até quatro módulos fiscais e a consolidação de Áreas de Preservação Permanente que estão utilizadas pela agricultura e pecuária. Reserva legal é a área de mata nativa que deve ser protegida dentro da propriedade. As APPs são os locais mais frágeis das propriedades, como margens de rios, topos de morros e encostas.

No encontro da próxima terça-feira, devem participar, além dos líderes partidários, o relator do projeto do novo Código Florestal, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e os ministros das áreas envolvidas com o tema: Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Wagner Rossi (Agricultura) e Luiz Sérgio (Relações Institucionais).

O projeto que está na pauta do plenário é o aprovado na comissão especial em julho do ano passado, que não traz nenhuma das sugestões apresentadas pelo governo a Aldo. A expectativa é que haja acordo para votar o substitutivo feito por Aldo, que ainda não contempla todos os pedidos do governo.

Na última quarta-feira (4), logo após o adiamento da votação, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia (PT-RS), afirmou que as mudanças no Código Florestal serão votadas no plenário da Casa na próxima terça-feira (10) “com ou sem acordo”. (Fonte: G1)

“Diferença mínima” foi responsável por adiar votação do Código Florestal, diz ministro

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse em Ribeirão Preto (SP) que uma “pouquíssima diferença” para consenso do texto final para reforma do Código Florestal foi responsável pelo adiamento da votação do projeto para a próxima terça-feira.

A diferença refere-se a dois pontos principais do projeto, de isenção de reserva legal para propriedades com até quatro módulos fiscais e uso consolidado em áreas de preservação permanente, como beira de rios.

O governo não conseguiu incluir no texto final do relator do projeto, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), as alterações, e teve de mobilizar a base para adiar a votação. Até lá, estuda-se um consenso para o projeto.

“Esperávamos votar ontem o Código Florestal, que é uma matéria importante para o futuro da agricultura, mas por pouquíssima diferença não encontramos consenso ainda. Agora, vamos votar o projeto na semana que vem”, disse Rossi, durante visita à Agrishow, em Ribeirão Preto.
Para o ministro, a negociação para alteração no projeto foi “longa, difícil, mas altamente produtiva”. “Esta semana foi uma semana muito rica para a agricultura brasileira”, disse, para depois criticar as políticas de preservação ambiental dos países desenvolvidos. (Fonte: Venceslau Borlina Filho/ Folha.com)

Turistas pagavam até US$ 40 mil por caça ilegal no Pantanal, diz Ibama

Turistas estrangeiros pagavam de 30 a 40 mil dólares para caçar ilegalmente no Pantanal de Mato Grosso do Sul e participavam de safáris, que eram feitos em uma fazenda no município de Aquidauana, localizada a 130 quilômetros de Campo Grande. De acordo com o superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama/MS), David Lourenço, esses valores incluíam passagens aéreas, hospedagem e todo o tipo de munições e armamentos usados para a caça.

A denúncia do esquema partiu de um vídeo anônimo encaminhado para a Polícia Federal (PF) e foi feito por um norte-americano. Segundo David, as imagens mostram que a principal atração era a matança de onças. “Isso é uma evidência clara de que os safáris eram feitos em Mato Grosso do Sul e por isso precisam ser investigados mais profundamente”, disse o superintendente.

Policiais federais e agentes do Ibama apreenderam na última quinta-feira (5) várias peles e partes de animais abatidos além de armas, algumas delas, de uso restrito às forças policiais.
Foram encontrados 12 galhadas de cervo, dois crânios de onça, uma mandíbula de porco monteiro, uma pele de sucuri com 3,5 metros, cinco revólveres calibre 38, uma pistola 357 (de uso restrito), uma carabina, dois fuzis, 17 caixas de munições de diversos calibres, dois alforjes (bolsas usadas durante a caça) e dois tubos de turro, que quando soprados emitem um som para atrair onças.

O Ibama esclareceu ainda que os primeiros indícios de que na propriedade eram realizados abates clandestinos de animais surgiram durante a operação Jaguar, realizada em junho de 2010, quando a PF prendeu integrantes de organização que agia em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná na caça de animais como onças pintadas, onças pardas e jacarés.
As investigações da operação começaram no ano passado em Corumbá, município pantaneiro distante 426 quilômetros de Campo Grande.

Segundo informações da PF, as ações criminosas dos grupos eram feitas com a participação de caçadores brasileiros e estrangeiros que visitavam o Pantanal apenas para a realização das atividades predatórias. (Fonte: Tatiane Queiroz/ G1)

Cientistas conseguem apagar memórias em laboratório

Já desejou poder esquecer algo? As lesmas do mar da espécie Aplysia californica já podem fazer isso. Cientistas americanos conseguiram apagar a memória de longo prazo dos moluscos. O feito, embora tenha sido realizado em um animal não exatamente conhecido pela complexidade de seu cérebro, pode representar um importante passo para o entendimento sobre a formação da memória de longo prazo e um dia alterar memórias e reduzir traumas.
 
É o que acredita o neurocientista celular David Glanzman, autor do estudo publicado no periódico científico Journal of Neuroscience. “Acho que um dia será possível modificar a memória nos nossos cérebros, embora o método atual não tenha nada a ver com o usado no filme ‘Brilho eterno de uma mente sem lembrança’, que era pura ficção científica”, disse ao iG, referindo-se ao filme estrelado por Jim Carrey onde uma máquina consegue apagar a memória de pessoas que sofrem com términos de namoro.

Glanzman afirma que a meta de seu estudo não é necessariamente apagar uma memória traumática ou dolorosa, mas amortecer o trauma ou dor emocional produzida por ela. Nenhum dos dois mecanismos ainda está bem compreendido pela ciência. “Não está claro quantos neurônios são necessários a manter uma memória específica, o número pode ser tão baixo como centenas ou tão elevada como milhares de neurônios”, disse.

A equipe de Glanzman na Universidade da Califórnia descobriu que seria possível apagar a memória de longo prazo das lesmas do mar pela inibição de uma específica proteína do grupo das kinases, chamada PKM (Proteína Kinase M). As kinases fazem parte de uma classe de moléculas que modifica quimicamente as proteínas ao adicionar fosfato, mudando não só a estrutura da proteína, mas também sua função.

Memória traumática – Primeiro os pesquisadores se certificaram de que as lesmas haviam desenvolvido uma nova memória de longo prazo. Para isso, eles administraram choque elétrico nos moluscos e depois, eles tocavam um órgão respiratório chamado de sifão. Como resposta ao trauma dos choques, as lesmas contraíam o sifão por 50 segundos, um prazo muito maior que sua reação normal, que seria uma contração de dois segundos. Uma semana depois, quando os cientistas apenas tocavam o sifão, a contração foi de 30 segundos. Isso mostrou que as lesmas haviam aprendido a associar o toque no sifão ao choque, ou seja, desenvolvido uma memória.

Com a memória formada, os cientistas injetaram um inibidor de PKM na lesma e 24 horas depois, ao tocar o sifão elas tiveram uma leve contração, igual ao do grupo controle, que nunca havia sido submetido aos choques. Os pesquisadores concluíram que a memória havia sido apagada.

“Nós apagamos a memória de longo prazo no circuito neural mais simples possível, o que envolve apenas dois neurônios. O fato de termos anulado a memória de uma forma tão simples vai facilitar estudos futuros para descobrir o quão importante a PKM é para reverter à memória de longo prazo”, disse Glanzman.

O pesquisador ressalta que as sinapses (ligações entre os neurônios), na lesma do mar ocorrem de maneira muito semelhante à do cérebro de humanos. “Estudar o papel da PKM na manutenção da mudança sináptica na Aplysia deverá nos fornecer informações importantes sobre como a PKM pode alterar a sinapse em nossos cérebros”, disse.

Diferentes níveis de complexidade – O cérebro humano contém cerca de um trilhão de neurônios, já o da lesma do mar é muito mais simples. Ao invés de um cérebro grande e centralizado, estes animais têm uma massa de neurônios, denominada gânglio, que é interligado por grandes nervos. Há apenas 20 mil neurônios em todos os núcleos que compõem o sistema nervoso central da lesma do mar. “Apesar desta diferença considerável na quantidade de neurônios, os mecanismos básicos celulares e moleculares subjacentes à função neuronal são muito semelhantes entre humanos e lesmas do mar”, disse Glanzman.

Acredita-se que as memórias de longo prazo no cérebro de humanos aumenta devido a melhoria ou reforço das conexões sinápticas. “A forma como este aumento ocorre em humanos é um pouco diferente da forma como ocorre no sistema nervoso da lesma do mar, mas os mecanismos celulares básicos são muito semelhantes”, afirmou o pesquisador. (Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG)

Chimpanzés falam, mentem e recitam poesia usando sinais

O casal formado pelos pesquisadores Deborah e Roger S. Fouts dedicou toda sua vida a combater a ideia de que a linguagem é o “último reduto” da singularidade humana, com o resultado de mais de 40 anos de trabalho com chimpanzés que não só aprenderam a se comunicar por sinais, mas a mentir e recitar poesia.

Este casal de psicólogos do Instituto de Comunicação entre Humanos e Chimpanzés da Washington University, se aposentará dentro de poucos meses sabendo que cumpriram sua missão e que puderam desmentir muitos cientistas – entre eles o linguista Noam Chomsky -, que durante décadas negavam esta possibilidade comunicativa, explicam em entrevista à Agência Efe.

Os Fouts deram sequência aos trabalhos iniciados nos anos 60 por outra parceria – os também psicólogos Allen e Beatrice Gardner – que a Nasa cedeu a chimpanzé Washoe depois que a agência espacial abandonasse sua pesquisa com “chimponautas”.

Washoe foi introduzida em um ambiente humano onde só se falava a linguagem dos surdos-mudos, um cenário muito diferente comparado com os das equipes que, décadas antes, tentaram ensinar linguagem oral a uma chimpanzé que em seis anos só pôde pronunciar, e não claramente, quatro palavras: “mamãe”, “papai”, “xícara” e “em cima”, explica Roger simulando os sons que saíram da boca da primata.

Os Gardner e sua equipe, no qual Roger era estagiário, acreditavam que a vocalização dos chimpanzés era involuntária, como o som que um humano faz ao bater o dedo com um martelo.
Então apostaram no movimento natural de suas mãos (como utilizam os exemplares selvagens, com dialetos próprios) e decidiram criar Washoe como uma menina surda, com a linguagem de sinais dos Estados Unidos.
 
A primata aprendeu mais de uma centena de sinais vendo como a equipe se comunicava e assim podia pedir comida ou que lhe coçassem, ou expressar conceitos complicados como “estou triste” ou pedir perdão.

Mas a vida com Washoe se tornou complicada. E logo quando os Gardner decidiram cedê-la a um centro de Oklahoma, Roger não quis deixá-la sozinha naquele laboratório – onde provavelmente passaria mal entre as jaulas junto a outros animais – e conseguiu convencer o casal para que a transferissem com ele a Washington para continuar com a pesquisa, até a morte da chimpanzé em 2007.

Em todos estes anos, o casal de pesquisadores pôde ver como Washoe ensinou a linguagem a sua “família”, Tatu, Dar e Loulis – uma criação adotada que aprendeu os sinais sem intervenção humana – até níveis surpreendentes: os chimpanzés chegavam a falar sozinhos enquanto “liam” uma revista, pois são capazes a nomear o que veem nas fotografias (bebida, comida, sorvete, sapatos…).

“Falam como uma família; se uns discutiam, tentava apaziguar; quando Loulis tirava uma revista de Washoe, ela chamava a atenção dele e lhe dizia ’sujo’”, explica Deborah, que indica que os primatas também sabem utilizar os sinais para mentir.

Assim é possível identificar em uma gravação na qual Dar convenceu Washoe que Loulis tinha o agredido e se atirou no chão encenando e pedindo com sinais a sua mãe um “abraço”.

Por sua vez, a mãe repreendeu o suposto agressor, uma infantil malícia típica de Bart Simpson ou de um atacante de futebol para provocar um pênalti.

Mais surpreendente foi registrado em outra gravação na qual um dos chimpanzés repetia “chorar, chorar; vermelho, vermelho; silêncio, silêncio; divertido, divertido”, um enigma para a equipe até que um amigo poeta do casal apontou que os sinais destas palavras eram similares e que se tratava de uma aliteração da língua de sinais, ou seja, uma composição poética.

“Há evidências que os chimpanzés são capazes de aprender os signos, de ordená-los e conversar, com sintaxes, inclusive são capazes de inventar e ensinar”, explica Roger Fouts.

Apesar de anunciarem que vão se aposentar da universidade para se dedicar a seus cinco netos que veem pouco, os pesquisadores reconhecem que seguirão visitando seus outros “netos” chimpanzés.

“Não podemos explicar que temos 68 anos e nos aposentamos, então vamos continuar visitando-os, mas não todos os dias”, antecipam.

O casal lamenta que a difusão de suas surpreendentes pesquisas não tenham servido para deter o maus-tratos a estes primatas, mas acreditam que estas cheguem às escolas e provoquem uma mudança de atitude nas novas gerações. (Fonte: Portal iG)

Flor identificada no século XIX é reencontrada em Minas Gerais

Uma flor identificada uma única vez por um naturalista no século XIX foi reencontrada por pesquisadores na Serra do Cipó, no centro de Minas Gerais. A planta, classificada como Lychnophora humillima , foi recolhida pela primeira vez por Ludwig Riedel, cientista alemão que percorreu o interior do Brasil há mais de 150 anos, a serviço do governo russo.

Mas como não se sabe exatamente os lugares por onde passou, a espécie nunca havia sido reencontrada, segundo informações dos Jardim Botânicos Reais de Kew, em Londres. A instituição participa de um projeto que mapeia a flora dessa região mineira, muito rica em biodiversidade. (Fonte: Globo Natureza)

Células-tronco e Parkinson: contaminação pode levar a fracasso

Uma das primeiras doenças a serem tratadas experimentalmente com células-tronco foi o mal de Parkinson. Mas os resultados do tratamento sempre foram dúbios: algumas pessoas melhoravam e outras pioravam, e os resultados levaram os cientistas a concluir que as terapias com células-tronco não tinham um efeito positivo nas pessoas com Parkinson.

Agora, um estudo feito por biólogos e neurocientistas da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) parece ter descoberto que as responsáveis pelo fracasso não eram as células-tronco, mas um outro tipo de célula, os fibroblastos.

No estudo, feito em ratos com Parkinson induzido, eles mostraram que a contaminação por fibroblastos humanos, um tipo de célula da pele, anula os efeitos positivos do implante de células-tronco chamadas mesenquimais, obtidas, neste caso, do tecido do cordão umbilical de bebês.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores fizeram primeiro um estudo com três grupos de dez ratos com mal de Parkinson induzido. O primeiro grupo recebeu as células-tronco, o segundo uma solução inócua e o terceiro os fibroblastos. No grupo um, não houve perda de neurônios nem sintomas clínicos da doença. No grupo dois, os animais perderam mais de 50% dos neurônios e tiveram sintomas clínicos como tremedeira. No terceiro grupo, aconteceu o resultado inesperado: os ratos perderam mais neurônios ainda do que os do grupo dois e tiveram mais sintomas clínicos. “Ficamos muito surpresos com o efeito negativo tão grande”, afirmou ao iG Oswaldo Keith Okamoto, principal autor do estudo, do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, que estava na Unifesp na época do trabalho.

Os resultados levaram os pesquisadores a fazer mais dois experimentos para verificar o efeito do fibroblastos. No primeiro, eles criaram novamente três grupos de 10 ratos cada e injetaram as mesmas substâncias em cada um deles. Desta vez, no entanto, os animais eram normais. Novamente os que receberam fibroblastos perderam muitos neurônios (mais de 50%). Com os outros dois grupos, nada aconteceu. No segundo, os cientistas misturaram células-tronco mesenquimais e fibroblastos e injetaram em ratos normais e com Parkinson induzido. Nos dois grupos, o resultado foi claro: perda de neurônios. No caso dos normais, cerca de 30% e nos com Parkinson induzido, mais de 50%.

A hipótese dos pesquisadores para os resultados é que os fibroblastos podem causar uma inflamação no cérebro e matar os neurônios. “Isso talvez justifique as observações feitas em estudos anteriores que houve pacientes que melhoraram e outras que pioraram”, explicou Okamoto.

Um dos fatores que levam a contaminação é que células-tronco mesenquimais e fibroblastos são muito parecidas ao microscópio e separá-las não é um tarefa simples. Inclusive os fibroblastos se originam de células-tronco mesenquimais.

É importante lembrar que atualmente os tratamentos com células-tronco ainda estão todos em laboratório. Não há nenhum deles disponível no mercado exceção feita aos tratamentos com células tronco hematopoiéticas que dão origem a diversos tipos de células do sangue.

O trabalho foi publicado no periódico científico Stem Cell Review and Reports e divulgado no Brasil pela Fapesp. (Fonte: Alessandro Greco/ Portal iG)